Masterboi já provoca uma revolução na pecuária cearense
Mais de 1,5 mil pecuaristas criaram um grupo social no qual mostram a força do setor. E mais: o Sindienergia celabra hoje 25 anos
Até agora, a pecuária cearense era quase toda dedicada à produção de leite; à pecuária de corte, só alguns abnegados dedicavam-se, mesmo lhes faltando um ponto de atração, que chegou há poucos meses com o tonitruante anúncio, feito pelo governador Elmano de Freitas, que, de dentro do Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, proclamou , no dia 31 de março passado, uma das melhores notícias do ano: a próxima implantação, na geografia de Iguatu, no Centro-Sul do estado, de um grande frigorífico do grupo pernambucano Masterboi.
De lá para cá, houve uma revolução. Para começar, os pecuaristas, que, como os antigos cristãos, andavam escondidos e com um medo inexplicável, saíram das trevas para ver a luz da prosperidade frigorificada. E logo criaram um grupo social na internet, que, do dia para a noite, juntou uma comunidade que hoje já passou de 1,5 mil integrantes, todos diretamente ligados à atividade de criar bois, vacas, ovinos, caprinos e bubalinos. Com lentes de lupa, este colunista segue as conversas, a troca de mensagens e o debate que se travam nesse grupo, ao qual deram o nome de Conexão Agro.
Animado pela notícia transmitida pelo governador Elmano de Freitas, Cristiano Maia, maior criador de camarão do país e ainda dono de fábricas de rações e de empresa da construção pesada, decidiu ampliar seus negócios na pecuária de corte, e agora investe na compra de bois de alta linhagem, da raça Nelore preferencialmente, também com olho voltado para o futuro frigorífico da Masterboi em Iguatu. Seu objetivo é o de, em dois anos, compor um rebanho de corte com 30 mil a 40 mil cabeças, que habitarão suas fazendas no Vale do Jaguaribe, cujos açudes estão cheios de água.
Nas pegadas de Cristiano Maia, porém voltado para a pecuária leiteira e para a indústria de lacticínios, o empresário Gentil Linhares, que cria camarão e tilápia no litoral Oeste do Ceará e cultiva soja e eucalipto em 35 mil hectares no Maranhão, está vendendo hoje seu plantel de ovinos da raça Santa Inês – a melhor do país – e iniciando a compra de vacas da raça Girolando para a sua fazenda Gentilândia, localizada na geografia do município de Quixadá, no Sertão Central do Ceará.
Nas terras quixadaenses, Linhares implantará, também, uma unidade industrial para a fabricação de variados tipos de queijo, inclusive os mais finos e sofisticados, para o que já dispõe da consultoria de especialista na área.
Gentil Linhares não revela o tamanho do seu investimento, mas assegura que sua vontade de entrar nesse novo negócio “é do tamanho da minha capacidade de trabalho, que é grande”. Ele informa que sua indústria de lácteos “terá o que de mais moderno existe no mundo; ela não será grande, mas seus produtos serão da mais alta qualidade”.
O projeto de implantação do frigorífico da Masterboi em Iguatu consumirá investimentos da ordem de R$ 300 milhões e terá capacidade para abater até 1 mil animais por dia. O início de sua operação está previsto para daqui a dois anos. Incentivados por essa excelente novidade, os pecuaristas cearenses de todas as regões do estado estão tomando importantes providências, uma das quais é a melhoria do padrão genético do rebanho, que assim tem tudo para ser padronizado no curto prazo.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), por sua vez, acelerou seu programa de Fertilização in Vitro (FIV), que, utilizando sêmen de bois da mais alta linhagem, avança Ceará adentro, atendendo à crescente demanda dos pecuaristas que anteveem no frigorífico do Masterboi o curral seguro de seu investimento.
Resumindo a ópera: os cortes especiais de carne bovina que hoje os consumidores compram nos supermercados de Fortaleza e das cidades do interior do estado são oriundos dos grandes frigoríficos nacionais, como os do JBS. A partir de 2028, todavia, os cearenses passaremos a consumir cortes de carne produzidos no Ceará. E nosso bairrismo, que já é grande, ficará maior ainda.
É HOJE A FESTA DOS 25 ANOS DO SINDIENERGIA-CEARÁ
Logo mais às 20 horas, no restaurante Vasto, o Sindicato da Indústria de Energia do Ceará (Sindienergia-CE) celebrará suas Bodas de Prata, durante a qual homenageará sete personalidades que têm contribuído para transformar o Ceará no que é hoje: um importante polo de geração de energias renováveis, principalmente a eólica e solar fotovoltaica.
O presidente do Sindieergia-CE, Luiz Carlos Queiroz, disse à coluna que sua entidade reúne hoje mais de 85 empresas associadas. Com crescimento de quase 50% nos últimos quatro anos, o sindicato atua junto aos órgãos públicos, à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e a entidades nacionais como a Abraenergias (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes das Indústrias de Energias), da qual o Sindienergia-CE é integrante.
Para marcar os seus primeiros 25 anos de atividade, o Sindienergia homenageará hoje as seguintes personalidades:
Ricardo Cavalcante, Presidente da Fiec, por sua liderança na defesa da transição energética no Ceará;
Beto Studart, empresário e fundador do Grupo BSpar, pela criação do núcleo de energia e pelo protagonismo dado ao setor;
Roberto Proença de Macêdo (in memoriam), ex-presidente da Fiec à época da criação do Sindienergia-CE;
Marcus Filgueiras, diretor com maior tempo de atuação na relação entre o sindicato e a categoria trabalhista;
José Nunes, Presidente da Enel Ceará, empresa de energia que contribuiu para a criação da entidade;
B&Q Energia, associada ativa mais antiga do sindicato;
Egídio Serpa, jornalista, em reconhecimento à contribuição da imprensa ao setor.
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