Leilões de energia: o governo corre para corrigir seu erro

Ministério de Minas e Energia confirma para dezembro dois leilões para o armazenamento em baterias, que tem recorde de inscrições

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Baterias gigantes como as da foto armazenarão a energia gerada por parques eólicos e solares, inclusive no Ceará.
Foto: Shutterstock.
Um oferecimento de:

Todo gato escaldado tem medo de água fria. Os brasileiros todos estamos escaldados pelo último leilão de reserva de capacidade promovido em março deste ano pelo governo da União, por meio do seu ministério de Minas e Energia (MME), que, na contramão do bom senso e remando contra a boa maré da transição energética, priorizou as chamadas energias sujas, oriundas de fontes fósseis, em detrimento das energias renováveis, como a eólica e a solar fotovoltaica, que são abundantes na região Nordeste – o Ceará no meio. 

Pois bem: o MME acaba de confirmar que os primeiros leilões de armazenamento de energia renovável, gerada pelo vento e pelo sol, serão realizados nos dias 2 e 4 do próximo mês de dezembro. Para o primeiro leilão, denominado de Armazenamento Nacional 2028A (para entrega no ano de 2028), cadastraram-se 5.296 projetos, com capacidade de geração total de 261.408 MW; para o segundo leilão, batizado de Armazenamento 2028B, fizeram cadastro 5.734 projetos. Desse total, 4.939 projetos inscreveram-se nos dois leilões. 

Agora, a boa novidade: 71% desses projetos de armazenamento de energia localizam-se na região Nordeste, que é o endereço do sol e dos melhores e estáveis bancos de ventos do Brasil e do mundo. Na região Sudeste estão localizados 18,8% dos projetos; na região Sul, 5,1%. O restante, nas outras regiões do país. 

Superada a fase de cadastramento dos projetos, que se encerrou no último dia 31 de julho, prossegue agora e até 28 de setembro o tempo de elaboração e publicação da Nota Técnica de Capacidade de Escoamento. No dia 17 de novembro, terminará o prazo de habilitação dos projetos, o que será feito pela EPE (Empresa de Planejamento Energético) do MME, onde há grande celebração porque o número de projetos cadastrados foi superior largamente à previsão do governo. Contribuiu para isso “as características modulares dos projetos, aliadas à não exigência de licença ambiental ou certificações de projetos nessa etapa”, como revela um informe distribuído à imprensa pela EPE. 

O Sistema de Armazenamento com Baterias, cuja sigla é BESS, tinha, em 2014, o custo de US$ 715 por KWh; no ano passado de 2025, esse custo caiu para US$ 117 por KWh. No mundo todo, hoje, são armazenados em baterias 267 GW (gigawatts), um crescimento de 71,9% em relação ao ano de 2024. No Brasil, pelo menos até agora, dispomos de praticamente zero em armazenamento de energia.  

Finalmente, porém, 12 anos depois de a ex-presidente Dilma Rousseff admitir a possibilidade estocar vento –o governo brasileiro despertou para a importância do armazenamento dessa energia renovável, decidindo acompanhar o que as economias mais desenvolvidas estão fazendo, guardando em baterias a energia gerada pela força dos ventos (eólica) e pelos raios solares (solar fotovoltaica), matérias primas de que dispõe toda a geografia do estado do Ceará. 

O presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, que acompanha de perto todos as providências do governo brasileiro e das empresas nacionais e estrangeiras na área energética do país, também celebra a corrida empresarial ao leilão de armazenamento de energia. Falando a esta coluna, ele observou que foram cadastrados para os dois leilões de baterias 261 GW, equivalentes à mesma capacidade instalada no mundo até 2025, que é de 267 GW. Com o pé no chão da realidade, Ricardo Cavalcante foi bem explícito: 

“A contratação esperada é entre 2GW e 6 GW, ou seja, haverá uma enorme competição, pois somente passarão em torno de 2% dos projetos apresentados”, disse o presidente da Fiec, acrescentando: 

“Com o armazenamento das energias renováveis, teremos a redução dos cortes de geração (curtailment), que impactaram em 26,8% a produção da geração renovável no Ceará em 2025. Teremos, ainda, o aumento da confiabilidade e da estabilidade do setor elétrico, a um custo bem inferior ao das termelétricas. E ainda avançaremos na transição energética e novas oportunidades de negócios para o Ceará, Nordeste e Brasil.” 

Com os leilões de armazenamento em baterias para as energias renováveis, o governo trata de corrigir a equivocada decisão de fazer o leilão de reserva de capacidade do mês de março passado, cujas consequências serão sentidas na atmosfera (pela geração de gases de efeito estufa) e no bolso do consumidor a partir dos próximos meses e ao longo de 10 anos. 

O presidente da Fiec concluiu: 

“A potência dos projetos cadastrados para esse primeiro leilão do Brasil (261 GW) é da mesma magnitude do que já tem instalado no mundo e é, também, equivalente à capacidade instalada de todas as usinas de geração de energia no Brasil, o que demonstra o apetite dos investidores e o interesse do setor produtivo em contribuir para avanço da transição energética”, disse Ricardo Cavalcante.

UM CORAÇÃO NOVO DE NOVO É UMA BOA NOTÍCIA 

Havia três semanas, o peito deste colunista, onde bate um coração com duas pontes mamárias e uma safena, além de uma prótese na sua aorta, registrava uma dorzinha leve, que ia e voltava ao menor esforço.

Informados, os doutores João David de Souza Neto, coordenador de transplantes do Hospital do Coração de Messejana, e Augusto Celso Lopes, um jovem e competentíssimo especialista em cirurgia cardiovascular, decidiram pela realização de um cateterismo, realizado segunda-feira, 3, no moderno e muito bem cuidado Hospital Regional da Unimed Fortaleza, a começar pelo sorriso das recepcionistas e o alegre profissionalismo de seu corpo de enfermeiros. 

No dia do procedimento, haviam-se completados 72 horas sem o registro da dorzinha. 

“Está tudo dentro da normalidade. A prótese e o stent (implantados há dois anos e meio no mesmo hospital e pelo mesmo cirurgião), funcionam 100%, não há qualquer inconsistência”, disse-me o Dr. Augusto Celso Lopes após a intervenção.  

A dorzinha, simplesmente, sumiu. O que ressurgiu em seu lugar, e com toda a força, foi a minha vontade de trabalhar, algo que sempre encarei como o oxigênio que me faz viver com a alegria e o entusiasmo de um atleta. E aos que oraram a Deus pela minha saúde, muito obrigado. Minha retribuição é e será sempre meu empenho pelo aprimoramento do que faço.

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