Cuidado com seu emprego! Os robôs estão chegando!
Estão desaparecendo operadores de empilhadeira, soldadores e empregados doméstico. Em seu lugar, a máquina
Em julho de 2014, vinte empresários da construção civil do Ceará, mobilizados pela Coopercon, compuseram uma missão que, integrada também por este colunista, visitou vários países em busca de inovação tecnológica. Passaram primeiro pela bela e moderna Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde subiram os 80 andares do Infinity, um edifício residencial de arquitetura retorcida, que estava em fase final de acabamento. Do térreo ao octogésimo andar, fomos transportados por um elevador de alta velocidade, fabricado pela Hunday, que consumiu 35 segundos nessa viagem.
De Dubai, a comitiva cearense rumou para o Japão, onde viu a Sekisui House, uma indústria de fabricação de casas que, naquele tempo, utilizava a mão de obra de 117 robôs que operavam 24 horas por dia, de segunda a sexta-feira, sob a supervisão de 394 técnicos e operários, cujo regime de trabalho em equipes era de 12 horas seguidas – das 7 às 19 – por um dia inteiro de descanso. A fábrica projetava, pré-moldava e instalava, mensalmente, 400 casas, cuja área variava até 140 m². Preço? A maior custava o equivalente a US$ 1 milhão, sem contar o terreno que no Japão valia e segue valendo outra fortuna.
Do Japão, a comitiva da Coopercon foi para a China, onde visitou a Grande Muralha, em Pequim, e a Feira de Cantão, em Guangzhou, percorrendo os estandes da gigantesca exposição de materiais de construção. Encomendaram aos chineses vários elevadores de serviço. De lá, para Seul, onde, maravilhados, conhecemos a fábrica de elevadores da Hunday, da qual foram encomendadas 120 unidades para as várias empresas da construção civil cearense (a Colmeia, de Otacílio Valente, e a Dias de Sousa, dirigida pelo sócio Patriolino Dias, ambos integrantes da missão, fizeram encomendas). De Seul direto para Gold Coast e Sidney, na Austrália, onde também visitamos, entre outras coisas, edifícios de apartamento mobiliados destinados aos sem-teto, algo inédito, e conhecemos, em duas das melhores universidades australianas, as últimas novidades tecnológicas para a indústria da construção civil.
Estas reminiscências servem para subsidiar a seguinte e atualíssima informação: dentro de três anos e pela próxima década, a indústria, apoiada na Inteligência Artificial, produzirá quadrúpedes e humanoides em tamanha escala que haverá um robô para cada ser humano. Pode parecer exagerado, mas é o que foi publicado na recente Machina, exposição da indústria mundial de robótica, realizada em Paris.
A notícia vai além e revela que, “para as atividades entediantes, sujas ou perigosas, os robôs já estão sendo usados”. Pelo que viu no Japão em 2014 e pelo que ouve agora, este colunista não tem um pingo de dúvida a respeito da invasão da máquina na área do trabalho humano no curto prazo, algo que já acontece em escala muito reduzida, ainda.
Depoimentos de empresários colhidos na Machina parisiense revelaram o seguinte: 1) segundo Péter Frankhauser, da ANYBotics, os cães-robôs (quadrúpedes) de sua empresa são a melhor opção para inspeções de infraestruturas críticas, pois oferecem mais mobilidade e mais estabilidade em ambientes complexos; 2) para Bernt Bornich, da 1X, o robô humanoide Neo (bípede), projetado pela sua empresa para o uso doméstico, permite uma gama de habilidades de aprendizado por IA e tele operação; 3) o robô Spot, de acordo com Amanda McMaster, da Boston Dynamics, é, hoje, o mais implantado no mundo, essencial para tarefas industriais, enquanto o Atlas permanece sendo o mais capaz da empresa; 4) e o professor Jonathan Hurst analisou que o cenário atual da robótica humanoide é bem diferente do que era há 100 anos, impulsionado por grandes avanços em percepção e IA. Ele apresentou o Digit, um robô focado em versatilidades em ambientes de armazém e logística.
Lendo o que está no parágrafo anterior, tem-se logo a impressão de que empregados domésticos, operadores de empilhadeiras e soldadores, por exemplo, são serviços que os robôs executarão com mais perfeição do que os humanos. Esta coluna pode revelar que, na ciência médica, a robótica já é utilizada, com 100% de sucesso, nas cirurgias de próstata, em São Paulo e.... aqui em Fortaleza, também.
Mas custa caro, ainda.
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