Lula pode tirar Jean Paul da Petrobras, cujas ações caem na Bolsa

Divergências entre o ministro da Casa Civil o CEO da estatal repercutem mal no mercado financeiro. Ações da YPF, a Petrobras da Argentina, disparam em Nova Iorque após Milei anunciar sua privatização

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 04:35)
Legenda: Jean Paul Prates, presidente da Petrobras, fala durante reunião em Dubai, nos Emirados Árrabes, no início deste mês. Ele pode deixar o cargo por divergências no governo
Foto: Divulgação
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Ontem foi mais um dia de festa na Bolsa de Valores brasileira B3, que surfou na onda da vitória do libertário Javier Milei, eleito domingo novo presidente da Argentina com a promessa de mudar tudo na economia do vizinho país do Sul, a começar pela privatização da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), a Petrobras de lá, e a Enarsa, empresa nacional de energia semelhante à Eletrobras, que foi privatizada há dois anos. 

Os papeis da YPF subiram ontem 40% na Bolsa de Nova Iorque e animou a Bolsa brasileira, que fechou com alta de 0,95%, aos 195.957 pontos. 

O dólar, por sua vez, encerrou o dia de ontem cotado a R$ 4,85, com queda expressiva de 1,10%. 

Neste mês de novembro já entraram na Bolsa B3 US$ 8,6 bilhões, e isto tem ajudado a valorizar o Real e a desvalorizar a moeda norte-americana.

Ontem, no meio do pregão da Bolsa brasileira, surgiu a notícia, publicada pela Reuters, uma das maiores agências de notícias do mundo, segundo a qual o presidente Lula estaria decidido a mudar o comando da Petrobras. 

A informação acrescentava que há divergências que se ampliaram entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o atual presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. A questão é a política de preços da estatal. 

O Palácio do Planalto e o Ministério de Minas e Energia acham que os preços da gasolina e do óleo diesel, no mercado interno brasileiro, poderiam ser menores.

Esta informação derrubou a cotação das ações da Petrobras, que fecharam em queda de 0,33%, mesmo com o preço internacional do petróleo tendo fechado ontem com alta de 1,77%, sendo vendido na Bolsa de Londres, para entrega em janeiro, a US$ 82.

Ontem, o Bank of America recomendou a compra de ações da Vale, que subiram 2,45%, da CSN, que se elevaram 9,49%, e da Usiminas, que se valorizaram 2,11. Tudo isto porque o preço do minério de ferro ganhou força no mercado asiático depois que o governo da China concedeu estímulos ao setor imobiliário do país, que voltou a crescer.

Ontem, saiu o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado todas as segundas-feiras. Ele veio com a projeção diferente de inflação para 2023 – ela caiu de 4,59% na semana passada para 3,55% nesta semana. 

A previsão do PIB para este ano também mudou: desceu de 2,89% para 2,85. A inflação para 2024 continuou no patamar de 1,50%.

E vem aí, até o próximo dia 30, o pagamento da primeira parcela do 13º mês a 87 milhões de trabalhadores brasileiros com carteira assinada. A segunda parcela será paga até o dia 20 de dezembro. 

O pagamento desse salário extra injetará na economia do país o equivalente a R$ 291 bilhões, de acordo com estimativa do Dieese.

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