Indústria cearense ainda espera pelo Cinturão Digital

Para serem empresas industriais do nível 4.0, falta-lhes uma política que lhes dê internet de alta velocidade

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:57)
Legenda: O Cinturão Digital do Ceará está perto de enlaçar seus 184 municípios com fibra ótica. A indústria cearense, ansiosa, o aguarda.
Foto: Governo do Ceará
Um oferecimento de:

Fortaleza é ponto de chegada e de saída de 16 cabos submarinos que transportam, em altíssima velocidade, dados de grandes corporações mundiais e, também, de pessoas físicas como nós. Quando chegaram os primeiros cabos, o governo do estado do Ceará teve a genial ideia de construir um Cinturão Digital com o objetivo de, com cabo de fibra ótica, interligar o mundo aos seus 184 municípios e a tudo o que eles contêm, incluindo a sua indústria. Para concluir o Cinturão, faltam ser interligados cerca de 10 municípios. Ma-ra-vi-lha!!! 

Falta, porém, o principal do projeto original: fornecer à indústria o do que ela carece para alcançar o nível 4.0 (quatro ponto zero).

Em tom de lamento, uma fonte do setor industrial cearense disse ontem à coluna o seguinte: 

“Já fizemos o principal, o mais difícil de fazer: implantamos o Cinturão Digital e o conectamos aos cabos submarinos. É necessário, agora, que governo forneça à indústria estadual algo de que ela precisa para ontem: uma política que lhe permita, por fibra ótica, transferir arquivos e cruzar IA, por exemplo, ou seja, uma internet de altíssima velocidade e qualidade.  

“Acho que estamos utilizando muito mal esse Cinturão Digital”, disse o empresário. Eis aí um tema interessante que estava adormecido. 

JOAQUIM CARACAS RECRIA GUARAMIRANGA EM 3D 

Por falar em mundo digital: juntaram-se a educação, a tecnologia e o amor por uma cidade, e dessa junção nasceu o “Meu Mundo Guaramiranga”, uma ideia simples que se transformou em projeto tecnológico com o inédito e grandioso propósito de transformar realidades. Nascido da mente de dois geniais inovadores, o engenheiro Joaquim Caracas e José Valdo, o projeto já foi iniciado na Escola Júlio Holanda, em Guaramiranga, sob a coordenação da professora Ana Carolyne, que acompanha de perto essa importante iniciativa educacional. 

Com o apoio financeiro de um grupo de empresários, foram adquiridas 10 impressoras 3D para a escola, primeiro passo para o empreendimento que une inovação, cultura, memória e aprendizado. Trabalhando juntos, Joaquim Caracas e José Valdo constituíram, naquela unidade de ensino, uma turma de 10 alunos bolsistas, e contrataram dois professores para acompanhar o desenvolvimento do projeto. A proposta é ousada, encantadora e vai muito bem, obrigado: recriar, por meio da impressão 3D, a cidade de Guaramiranga do início do século XX, resgatando sua arquitetura, sua história e sua identidade cultural. 

Com dedicação, criatividade e entusiasmo, os alunos já produziram diversas réplicas das fachadas das principais edificações históricas da cidade. Cada peça impressa representa muito mais do que uma miniatura: é uma forma de preservar a memória de Guaramiranga e, ao mesmo tempo, despertar nos jovens o interesse pela tecnologia, pela inovação e pelo pertencimento à sua própria terra. 

O sucesso dessa experiência deu origem a algo ainda maior: o complexo “Meu Mundo Guaramiranga”. Na empresa Impacto, de Joaquim Caracas, estão sendo construídas réplicas não apenas de Guaramiranga, mas também de grandes monumentos históricos do Brasil e do mundo, como o Coliseu, o Vaticano, o Palácio do Governo, o Cristo Redentor, a Torre Eiffel, entre outros. O Vaticano já ficou pronto. Essas obras farão parte de um futuro empreendimento turístico, cultural e educativo, criado para encantar visitantes e valorizar ainda mais aquela cidade serrana. 

Por nascer em uma cidade com forte vocação turística, esse projeto tem potencial para ir muito além das montanhas do Maciço de Baturité. O “Meu Mundo Guaramiranga” foi criado para romper fronteiras, ser conhecido em todo o Brasil e servir de exemplo para outras cidades que desejam unir educação, cultura, turismo, tecnologia e desenvolvimento local. 

‘Com um investimento anual inferior a R$ 150 mil, foi possível plantar uma semente de transformação. Mais do que equipamentos, bolsas e professores, esse projeto entregou aos alunos algo que não tem preço: a certeza de que eles são capazes de criar, inovar e participar da construção do futuro de Guaramiranga’, disse à coluna o engenheiro Joaquim Caracas. 

FAEC E FIEC UNEM-SE POR UM PLANO ESTRATÉGICO  

A Federação das Indústrias (Fiec) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (FAEC) decidiram que entregarão, conjuntamente, em data a ser ainda fixada, aos candidatos ao governo do estado, um plano de desenvolvimento para os dois setores da economia do Ceará. Esta informação foi transmitida ontem pelo presidente da Faec, Amílcar Silveira, durante reunião de 25 empresários cearenses com o deputado Salmito Filho, com o qual a indústria e o agro cearenses mantêm um estreito contato. 

Segundo Amílcar Silveira, a proposta será um plano estratégico de desenvolvimento que contemplará as áreas consideradas prioritárias para a indústria e a agropecuária deste estado.   

O plano será entregue logo após as convenções partidárias que homologarão e tornarão oficiais as atuais pré-candidaturas.  

No lado da agropecuária, sabe-se que o plano estratégico priorizará cinco áreas, entre as quais a da agricultura irrigada. O plano da Faec, e isto já reiterado pelo seu presidente Amílcar Silveira, é multiplicar por cinco o valor da exportação da fruticultura cearense, e para isto será necessário que os perímetros de irrigação do Dnocs passem a ser administrados pela iniciativa privada, tendo em vista que aquele organismo não tem mais capacidade técnica nem financeira para cumprir essa tarefa. 

Outra prioridade será o Projeto Algodão do Ceará, que pretende devolver ao estado a condição de um dos polos nacionais da cotonicultura. Faz três anos que a Faec tenta, até agora sem êxito, assumir o comando desses perímetros de irrigação, nos quais deseja plantar, com empresas privadas, frutas de maior valor agregado para o mercado externo. 

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