Ceará subiu de patamar e disputa capitais com países, diz SDE
Para o secretário Fábio Feijó há concorrência acirrada por recursos que abundam no mundo, porém seletivos por projetos competitivos e previsíveis.
Foi divulgado nesta semana o World Investment Report 2025, elaborado e publicado pela UNCTAD, organismo da ONU que acompanha os fluxos de investimento internacional. Este colunista pediu sobre ele a reflexão do secretário do Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo do Ceará, economista Fábio Feijó, que fez quatro registros relevantes, um dos quais anuncia: hoje a economia cearense concorre pouco com a dos estados vizinhos e muito com a de países como Malásia, Vietnã, México e Portugal, com os quais disputa a atração de investimentos graças a grandes projetos nas áreas da infraestrutura e tecnologia e a significativas vantagens comparativas.
Eis as quatro anotações de Fábio Feijó sobre o relatório da UNCTAD::
Primeira: “Não existe escassez estrutural de capital no mundo. O que existe é uma competição cada vez mais intensa entre países, estados e regiões para atrair esse capital. Os recursos continuam disponíveis, porém cada vez mais seletivos e concentrados nos projetos e territórios que oferecem maior competitividade e previsibilidade. Isso ajuda a explicar por que alguns países recebem dezenas de bilhões de dólares em novos investimentos, enquanto outros praticamente desaparecem do mapa mundial do investimento.”
Segunda: “O relatório também permite identificar algo que considero ainda mais importante: para onde o investimento deixou de ir e, principalmente, por quê. Sempre que o capital abandona um setor, uma região ou um país, ele está enviando um sinal ao mercado. Normalmente, isso revela perda de competitividade, insegurança regulatória, infraestrutura insuficiente, baixa produtividade ou simplesmente o surgimento de oportunidades mais atrativas em outros lugares. Em economia, compreender por que o investimento vai embora é tão importante quanto entender por que ele chega. Afinal, o capital internacional compara alternativas o tempo todo. Quando escolhe um destino, inevitavelmente está deixando outro para trás.”
Terceira: “A conclusão que mais me chamou atenção é que os territórios que vêm liderando a atração de investimentos internacionais são justamente aqueles que conseguiram construir aquilo que passei a chamar de uma plataforma econômica integrada. Não se trata de um único diferencial competitivo, mas da combinação entre segurança jurídica, energia competitiva, infraestrutura logística, conectividade digital, capital humano qualificado, inovação, acesso a financiamento e uma visão estratégica de longo prazo. Ou seja, incentivos fiscais, subsídios e subvenções continuam importantes, mas deixaram de ser suficientes para decidir, sozinhos, a localização dos grandes investimentos internacionais.”
Quarta. “Isso muda também a forma como devemos enxergar o Ceará. Na prática, competimos muito menos com os estados vizinhos do que imaginamos. Hoje disputamos investimentos com Texas, Marrocos, Malásia, Vietnã, México, Portugal, Paraguai e diversos outros territórios que oferecem condições semelhantes aos investidores globais. O concorrente deixou de ser apenas geográfico. Passou a ser quem consegue oferecer a melhor plataforma econômica integrada. Talvez esta seja a principal mensagem implícita no relatório da UNCTAD. Durante alguns anos, acreditou-se que a economia digital reduziria a importância da infraestrutura física. O relatório mostra exatamente o contrário. “
O secretário Fábio Feijó, um talento que o serviço público do Ceará arrebanhou da iniciativa privada (ele era executivo da Vale e foi chamado para presidir a ZPE do Pecém, de onde foi catapultado para o comando da SDE), encerrou assim sua reflexão:
“A nova economia depende de uma infraestrutura ainda mais sofisticada: energia elétrica confiável, redes de transmissão, portos eficientes, fibra óptica, cabos submarinos, data centers, armazenamento de energia, logística integrada e capital humano altamente qualificado. Essa leitura dialoga diretamente com a estratégia que o Ceará vem construindo ao integrar porto, energia, infraestrutura digital e base industrial em torno do Complexo do Pecém.
“Lendo o relatório a UNCTAD, fiquei com a impressão de que ele ajuda a explicar boa parte dos movimentos que estamos observando na economia mundial, oferecendo oferecer excelentes insights para compreendermos os desafios e as oportunidades do Brasil e, principalmente, do Ceará.”
Conclusão: o Ceará e os cearenses temos de pensar grande, como dizia e ainda o diz o ex-secretário da SDE, Maia Júnior.
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