Holandês junta-se a cearense para produzir pellet em Canindé

A Norpellets Biomass Energy, de Lauro Carvalho, e o holandês Mark Houweling celebraram contrato ontem na Holanda

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Sílvio Carlos Ribeiro, Mark Houveling, Fábio Feijó, Lauro Carvalho e Joseh Bernardo, reunidos terça-feira, 7, em Rotterdã
Foto: Egídio Serpa
Um oferecimento de:

Exclusivo! A Norpellets Biomass Energy, comandada pelo empresário cearense Lauro Carvalho, celebrou ontem, 8, em Amsterdam, capital da Holanda, uma parceria com o empresário holandês Mark Houweling, sócio e CEO da Royal Houveling, grande empresa industrial com mais de 100 anos de atuação.

O objetivo do contrato é implantar uma fábrica de produção de Pellets na geografia do município de Canindé, onde, em parceria com agricultores de 78 assentamentos, dos quais 39 com plano de manejo, aproveitará, de modo sustentável, árvores da caatinga.

Mark Houweling já tem negócios no Ceará: ele é dono de uma unidade industrial de processamento de casca de coco em Trairi, no Litoral Norte do Ceará. 

Esta empresa – a Good Coco – beneficia e exporta, semanalmente, para a Holanda um contêiner de 40 pés, com 25 toneladas de substrato do coco, o que representa, apenas, 5% de sua capacidade operacional.  

Mark Houweling disse a esta coluna que fará novos investimentos na sua empresa de Trairi, devendo com isto dobrar o número de seus atuais colaboradores, que são 16. Para isso, estreitará suas relações com os produtores de coco e, também, com as prefeituras da região, convencendo-os a venderem à sua empresa, com pagamento à vista, toda a casca de coco verde ou seco, que hoje é jogada no lixo. 

“Será uma providência que aumentará a renda dos produtores e, ao mesmo tempo, melhorará a balança comercial do estado porque crescerá a exportação do produto beneficiado, que será transformado na Holanda em substrato para diferentes usos, entre os quais na hidroponia”, disse Houveling.  

É mais uma boa notícia para a economia do Ceará. Aquilo que durante muitos anos foi tratado apenas como um resíduo sem valor passa agora a gerar emprego, renda, investimentos, exportações e desenvolvimento para o estado. E há um aspecto ainda mais relevante: neste caso, o investidor holandês escolheu o Ceará para crescer ao lado de um empresário cearense. Isso demonstra confiança na maturidade, na capacidade de gestão e na credibilidade do ambiente empresarial do Ceará. Neste caso, mais uma vez, confirma-se o que esta coluna diz e repete: o melhor do Ceará é o cearense.  

É importante pontuar os relatos de vários produtores holandeses de cultivo protegido sobre a qualidade do substrato produzido a partir da casca do coco cearense. Segundo eles, esse material melhora a retenção de água e nutrientes, aumenta a produtividade das plantas e, ao mesmo tempo, oferece uma solução ambientalmente sustentável, o que transmite a convicção de que o Ceará dispóe de um ativo econômico de enorme potencial.  

Ao transformar um resíduo em produto de alto valor agregado, os cearenses e os holandeses mostram, na prática, como a economia circular pode impulsionar o desenvolvimento sustentável. É a demonstração de que inovação, sustentabilidade e competitividade podem caminhar juntas, transformando em riqueza aquilo que antes era descartado, abrindo oportunidades de desenvolvimento para o Ceará, tornando-o uma referência para o Brasil e para o mundo.

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