Roterdã está muito satisfeito com seu parceiro Porto de Pecém

Números do porto holandês surpreendem Missão do Ceará que está na Holanda

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Monica Swanson, executiva do Porto de Roterdã, fala para os missionários cearenses sobre sua relação com o Porto do Pecém
Foto: Egídio Serpa
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Roterdã (Holanda) – Maior porto marítimo da Europa, Roterdã e sua Autoridade Portuária estão muito satisfeitos com a relação de negócios que celebrou em 2017 com a Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S/A, de cujo capital detém 30%. Quem o disse ontem foi Monica Swanson, gerente do programa de desenvolvimento sustentável do Porto de Roterdã, ao receber ontem, pontualmente, das 9 às 10h30, no 17º e último andar do edifício sede da empresa, no centro desta cidade, os integrantes da Missão da Abid/Faec que, desde segunda-feira, 6, está aqui conhecendo as mais novas tecnologias sobre a gestão da água, da agricultura irrigada, do cultivo protegido e da logística de transporte voltada para o agro. 

Com uma precisão de fazer inveja aos ingleses, Swanson, 10 minutos antes do início da reunião, recebeu os cearenses no térreo do belo e moderno edifício da Autoridade Portuária de Roterdã, conduzindo-os a uma imensa e confortável sala de reuniões que, além dos recursos de audiovisual, exibia numa de suas paredes um enorme mapa com todos os detalhes do imenso porto, cujo canal principal tem 40 km de extensão e 27 metros de profundidade e em cujas margens direita e esquerda estão instaladas e em operação 3 mil empresas, entre as quais 4 são refinarias de petróleo, 45 são indústrias químicas e 3 são plantas de biocombustíveis. 

É algo tão gigantesco que pode ser medido por este número: a cada minuto, Roterdã movimenta 27 contêineres, como informou Kenzo Van Mars, gerente responsável exatamente pela operação de carga e descarga dos navios “full containers”, o maior dos quais, o One, estrela maior da frota da Ocean Network Express, que, carregando 24,2 mil contêineres, estava atracado ontem na área mais nova do porto, quase no fim do canal principal, visitada ao meio-dia pelos missionários cearenses, que o fotografaram.  

Às 9 horas em ponto, Monica Swanson, antes de começar sua exposição, exibiu um aviso de advertência: se, por algum motivo, tocasse a sirene de alarme, os visitantes deveriam descer até o térreo do prédio, usando as escadas e não o elevador, e em fila indiana. Em seguida, a seu pedido, Sílvio Carlos Ribeiro, secretário Executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do governo cearense, organizador da missão, pediu que cada um dos missionários se apresentasse, o que foi feito.   

Em seguida, apoiada em slides, ela discorreu a respeito do que pretende ser o Porto de Roterdã nos tempos atuais: um terminal moderno, sustentável do ponto de vista ambiental, social e corporativo, de acordo com os princípios ESG estabelecidos pela ONU. Num dos slides, informava-se que 70% do capital do porto pertencem à municipalidade de Roterdã. Os outros 30% sao do governo federal holandês. O Masterplan do porto, com metas até 2050, mas atualizado peiodicamente, é aprovado pelo município e pelo ministério da Infraestrutura e Gestão das Águas do governo da Holanda. 

Números impressionam – Em seguida, falou Kenzo Van Mars, um jovem com cara de menino que prendeu a atenção com informações e números superlativos. Por exemplo: 13% de toda a energia consumida pela União Europeia passam pelo Porto de Roterdã. Em 2030, ou seja, daqui a menos de quatro anos, o porto estará movimentando 850 milhões de TEUS (cada TEU corresponde a um contêiner de 20 pés), dos quais 240 milhões com material para o setor de energia.  

Kenzo disse mais: Roterdã é o primeiro porto europeu na área de alimentos, respondendo pela movimentação de 15% de toda a carga do setor que entra e sai da União Europeia. Neste momento, o porto de Roterdã constrói um Hub exclusivo para a área de alimentos. 

Para os cearenses que ainda não conheciam o que está por trás do Porto de Roterdã, sócio do Porto do Pecém, eis aí boas e fortes razões para contra-argumentar com os poucos que ainda duvidam da importância dessa estratégica parceria.  

Relação Roterdã com Pecém – No final, Monica Swason perguntou se alguém tinha alguma questão a levantar. Este colunista, então, indagou como vai, do ponto de vista da Autoridade Monetária de Roterdã, a relação com o Complexo do Pecém. 

A executiva do porto holandês explicou que, quando Roterdã decidiu investir no Pecém, muitos imaginaram que o principal objetivo seria aumentar o volume de cargas e contêineres destinados ao maior porto europeu. Ela reconheceu que esse movimento realmente aconteceu, mas afirmou que, olhando a parceria em perspectiva, o melhor resultado foi outro: “A relação de confiança construída entre os dois portos, o que permitiu uma intensa troca de conhecimento e o desenvolvimento conjunto de projetos estratégicos.” 

Swanson citou como principal exemplo o hidrogênio verde. Segundo ela, dificilmente a Holanda conseguiria produzir hidrogênio renovável em grande escala e com custos competitivos. Foi justamente a parceria com o Ceará, por meio do Porto do Pecém, que abriu essa possibilidade. E explicou que, enquanto o Ceará reúne condições excepcionais para produzir a amônia verde, Roterdã está preparando toda a infraestrutura necessária para receber esse produto, armazená-lo, reconvertê-lo em hidrogênio e distribuí-lo para diversos países da Europa. Ela disse que cada lado contribui com aquilo que faz melhor: o Ceará com sua capacidade de produção competitiva e Roterdã com sua posição geográfica privilegiada e sua extraordinária rede logística de conexão com o mercado europeu.  

Outro comentário de Monica Swason sintetizou bem a forma como Roterdã enxerga o setor portuário. Ela disse que “a carga vai para onde existe demanda”. Ou seja, não faz sentido tentar concentrar todas as cargas em Roterdã. Se, do ponto de vista logístico, o destino mais eficiente for Hamburgo ou qualquer outro porto europeu, é para lá que a carga deve seguir. O diferencial de Rotterdam não está em disputar cargas a qualquer custo, mas em oferecer infraestrutura, serviços e soluções logísticas capazes de gerar mais valor para toda a cadeia.  

Sobre a fala de Swanson, a coluna ouviu a opinião do secretário Fábio Feijó, titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará.  

Feijó disse que a visão da executiva de Roterdã “está alinhada com o caminho que o Ceará vem construindo:  

“Mais do que ampliar a movimentação de cargas, o objetivo é fortalecer um ambiente capaz de atrair investimentos, desenvolver novas cadeias produtivas e transformar a localização estratégica do Complexo do Pecém em uma plataforma de desenvolvimento econômico para o Estado.”

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