Hidrogênio Verde: Itaipu adverte para três grandes desafios

Diretor de Negócios e Inovação do Parque Tecnológico de Itaipu Binacional, o engenheiro pernambucano Rodrigo Régis cita entre os desafios: os laboratórios das universidades devem transformar-se em plataformas de negócios.

Legenda: Para o engenheiro Rodrigo Régis de Almeida Galvão, diretor de Negócios e Inovação do Parque Tecnológico de Itaipu, é preciso que o Estado crie uma política para a produção de Hidrogênio Verde
Foto: Egídio Serpa

Há três desafios que o Brasil terá de enfrentar e vencer, no curto prazo, se quiser mesmo tornar-se um polo mundial produtor de Hidrogênio Verde, advertiu nesta quinta-feira o engenheiro Rodrigo Regis de Almeida Galvão, 32, anos, graduado pela Politécnica de São Paulo, diretor de Negócios e Inovação do Parque Tecnológico de Itaipu.

Ele citou os três desafios, dando-lhes a seguinte ordem de importância: 1) Criação de um Programa de Estado para o Desenvolvimento da Produção do Hidrogênio Verde; 2) Segurança Jurídica, nela incluída toda a regulação do setor; 3) Novo Enfoque Acadêmico, ou seja, os laboratórios das universidades têm de transformar-se em plataformas de infraestrutura de negócios.

Rodrigo Régis falou durante o primeiro painel do segundo dia de debates do I Fórum Internacional do Hidrogênio que, iniciado ontem, será concluído no fim da tarde desta quinta-feira, nos auditórios da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), que o promove.

Ao lado dele, sentaram-se e falaram, também, André Gellers, da SMA Brasil, empresa alemã já dedicada às novas tecnologias voltadas para a produção do H2V; Correntin Valee e Michel Fries, da empresa belga John Cockerill; e Jurandir Picanço, coordenador do Comitê de Energia da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece).

Instigados por Jurandir Picanço, os quatro debatedores opinaram sobre o que chamaram de transição da matriz energética, que está, em alta velocidade, trocando os combustíveis fósseis pelas chamadas energias renováveis, entre as quais já está incluído o Hidrogênio Verde, para cuja produção é necessário o uso de energia limpa, como a solar e a eólica, primordialmente.

André Gellers disse que sua empresa, a SMA, já desenvolve sistemas destinados à produção do H2V. Michael Fries, da Cockerill, afirmou que o programa de produção do Hidrogênio Verde “partiu e não tem mais volta, vai seguir adiante e causará uma nova revolução indústrial, pois se trata de um movimento que, porém, exige urgentemente um marco regulatório”.

Por sua vez, o diretor de Negócios e Inovação do Parque Tecnológico de Itaipu historiou, com seu marcante sotaque pernambucano, o que a Itaipu Binacional vem fazendo na área. Para surpresa do atento auditório, Rodrigo Régis revelou que sua empresa tem há 10 anos uma usina piloto de produção de Hidrogênio, que deverá ser ampliada diante do avanço da tecnologia.

Ele parabenizou o Ceará por ter partido na frente na busca de parceiros para a implementação do seu Hub do H2V e por ter realizado o Seminário Internacional do Hidrogênio Verde, mas logo chamou a atenção para a necessidade de “organizar a cadeia produtiva”, para o que a primeira providência será a criação de um Programa de Estado que torne a produção do H2V uma prioridade nacional.

Em seguida, entre os outros dois desafios que precisarão de ser enfrentados e vencidos no curtíssimo prazo, Rodrigo Régis citou a Segurança Jurídica com a respectiva regulação do setor e um novo enfoque das universidades brasileiras, que terão de transformar seus laboratórios em plataforma de negócios.

Jurandir Picanço interveio e lembrou que sua primeira memória sobre o Hidrogênio Verde é muito recente, data de 2016, quando, na Alemanha, viu as primeiras pesquisas científicas em torno do H2V. Ele lamentou que, neste momento, o Brasil não domine essa tecnologia, “que está lá fora, em países de economia mais avançada”.

Picanço destacou o trabalho que a alemã SMA e a belga John Cockerill, “que dão passos importantes na direção da melhor tecnologia para a produção do Hidrogênio Verde”. Em seguida, ele sentenciou: 

“Temos de trazer essa tecnologia para o Brasil. Temos, o mais brevemente possível,deninternalizar esse avanço tecnológico”.

André Gellers, da SMA, retomou a palavra para lamentar que tenha naufragado, literalmente, uma boa experiência que se realizou nos mares do Pecém, no Ceará, que foi a de geração de energia a partir do movimento das ondas marinhas. 
 
“Era uma experiência de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), que, inexplicavelmente, foi abandonada, deixando tristes todos os que estamos envolvidos em descobrir novas fontes de geração de energia”, disse Gellers, que fez um apelo às empresas e aos governos no sentido de que reativem o esforço pelo P&D, pois há disponíveis vários fundos de investimento e, ainda, um grande time de pesquisadores nas academias.

Finalizando o painel, o representante de Itaipu, Rodrigo Régis, lastimou que o governo brasileiro ainda não tenha acordado para a necessidade de uma estratégia estatal voltada para a produção do Hidrogênio Verde.

“Por falta dela, nós acabamos seguindo o que nos é imposto de fora para dentro. É mentira que não temos mão de obra qualificada, pois nossos pesquisadores são tão competentes quanto os do estrangeiro. Nenhum país tem um Sistema Elétrico Integrado como o SIN brasileiro, e nós não sabemos vender isso. É por isto que eu afirmo que os Centros de Tecnologia das universidades brasileiras precisam mudar. Devem transformar-se em plataforma de negócios, em criadores de soluções inteligentes. A Academia tem de entender as dores do mercado e buscar soluções para elas. Tem de olhar o mercado interno, concluiu o pernambucano Rodrigo Régis.