Fórum do Hidrogênio Verde: uma mulher atrai a atenção

Duna Uribe, diretora Comercial da Complexo do Pecém, é o foco dos empresários nacionais e estrangeiros interessados em investir no projeto do Hub do H2V do Ceará. Ela representa Roterdã na diretoria da CIPP S/A.

Legenda: Duna Uribe é diretora Comercial do Complexo do Pecém, em cuja diretoria representa o Porto de Roterdã
Foto: Divulgação/CIPP S/A

Quem acompanhou ontem, presencialmente, o primeiro dia dos dois dias de debates do I Fórum Internacional sobre Hidrogênio Verde, que se realiza nos auditórios da Fiec e é transmitido de modo virtual para 1.300 pessoas inscritas, várias das quais residentes em outros 15 países, saiu com a convicção de que uma personagem chama a atenção não só pelo grande volume de informações que carrega, mas pela posição estratégica que ocupa.

Esta coluna refere-se a Duna Uribe, diretora Comercial da Companhia do Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S/A), em cuja diretoria representa o sócio Porto de Roterdã, que detém 30% da empresa cearense.
 
Duna Uribe tem as doces e fortes virtudes que deve ter quem comanda um dos setores vitais do Complexo do Pecém. No seu caso, deve ser levado em conta um conjunto de competências. Ela, muito jovem, trocou o Brasil pelo estrangeiro, aonde chegou ao quadro de técnicos do Porto de Roterdã, do qual se tornou executiva competente, admirada e respeitada.

Quando o Governo do Ceará e o Porto de Roterdã, em 2018, acertaram a parceria que se concluiu com a participação dos holandeses no capital da CIPP S/A, Duna Uribe foi indicada para representá-los na diretoria da empresa cearense. E ela se transferiu de Roterdã para Fortaleza.

Foi uma decisão com inspiração divina. Duna – que, por outra coincidência celeste, é cearense de Jaguaribe – trouxe consigo a vontade de ajudar o Ceará a desenvolver sua economia e, mais ainda, a expertise de Roterdã para o enfrentamento e a superação dos desafios que o Porto do Pecém e seu complexo industrial tinham de enfrentar no curto prazo. Um tiro na mosca.

Duna Uribe, como o são as mulheres reconhecidamente competentes, é, ao mesmo tempo, discreta e dinâmica, simpática e comedida, rápida na análise de mais rápida ainda na decisão, dominando inteiramente a área de sua atuação, para o que está sempre bem-informada sobre tudo o que diz respeito ao seu mister.

Os empresários que participam do Fórum Internacional do Hidrogênio Verde, incluindo os estrangeiros, procuraram-na tão logo terminou o primeiro painel de debates. 

Eles queriam mais explicações a respeito do que realmente dispõe o Complexo do Pecém, incluindo a ZPE, para os que se interessam em investir ali na produção do H2V e na fabricação de máquinas e equipamentos para os futuros projetos de dessalinização de água, de geração de energia eólica offshore e de peças e painéis para energia solar fotovoltaica.

Ontem, na Fiec, Duna Uribe transmitiu uma tempestade de informações importantes, uma das quais esta:

A CIPP S/A é uma empresa capitalizada, superavitária, com seu próprio orçamento, sem depender de um centavo do Governo do Estado para fazer investimentos, como os que fará nos próximos meses para ampliar em mais 40 hectares a área de operação offshore do Porto do Pecém.

Dessa expansão, fará parte a construção de mais um TMUT (Terminal de Múltiplo Uso) para uso das empresas que montarão lá os equipamentos – como torres, pás, naceles e geradores – dos futuros parques eólicos offshore. 

A altura de cada torre será de até 150 metros, enquanto a potência de cada gerador poderá chegar a 15 MW, como os que a dinamarquesa Vestas já fabrica na Europa.
 
A Vestas tem uma fábrica de turbinas em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, mas a potência dos geradores aqui produzidos é de apenas 4,2 MW.