Hidrogênio Verde: comando mundial da Fortescue está no Ceará

Julie Shuttleworth, CEO mundial da empresa, chegou ontem a Fortaleza, liderando um time de 18 pessoas, entre as quais profissionais da área jurídica. A Fortescue quer começar a produzir H2V em 2025 no Pecém.

Julie Shuttleworth, CEO mundial da empresa australiana de energia Fortescue
Legenda: Julie Shuttleworth, CEO mundial da empresa australiana de energia Fortescue
Foto: Divulgação/Fortescue

EXCLUSIVO! Está em Fortaleza desde ontem à noite o comando mundial da Fortescue, maior empresa de energia da Austrália, que dará início prático, nesta terça-feira, ao processo de encaminhamento de providências para a implantação de um parque industrial destinado à produção de Hidrogênio Verde na área do Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

Da agenda dos dirigentes da Fortescue constam encontros com grandes empresas dispostas a lhe fornecer energia eólica e solar para a produção do H2V.

Estão em Fortaleza a CEO mundial da Fortscue, Julie Shuttleworth; o CEO para a América Latina, Augustin Pichot; e o CEO para o Brasil, Luís Viga. 

Acompanhando-os, veio, também, uma comitiva de mais 15 pessoas, entre as quais profissionais da área jurídica.

A intenção da Fortescue – que celebrou em julho Memorando de Entendimento com o Governo do Ceará – é começar suas operações no Pecém em 2025, produzindo 15 milhões de toneladas de H2V até 2030, para o que investirá US$ 6 bilhões.

O time da Fortescue cumprirá uma pesada agenda de reuniões, uma das quais com o governador Camilo Santana e o secretário do Desenvolvimento Econômico, Maia Júnior. 

Está previsto, ainda, um encontro com o holandês René van der Plas, diretor internacional do Porto de Roterdã, que é sócio da Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S/A), e que desembarcou ontem, também à noite, nesta capital.

Vale lembrar que será pelo Porto de Roterdã que entrará, na Europa, todo o Hidrogênio Verde a ser produzido no mundo, inclusive no Ceará.

Esta coluna pode informar que, neste momento, duas grandes empresas brasileiras de energia já se ofereceram à Fortescue para lhe fornecer toda a energia limpa – solar e eólica – necessária ao seu processo industrial de produção do Hidrogênio Verde. 

Uma dessas empresas tem condições de fornecer 2,8 GW de energia solar fotovoltaica à Fortscueue, para o que mantém sigilosa negociação com a direção da empresa australiana. Essa potência significa 80% das necessidades de energia limpa da Fortescue.

Esta coluna apurou que esse projeto – a ser implantado na Região do Jaguaribe – já está totalmente qualificado com estudos preliminares, medições solarimétricas já executadas, com Plano de Negócio, com Estudo de Fluxo, com a parte fundiária já resolvida, já habilitado para participar de leilões da Aneel, DRO emitida e com os protocolos da Licenciamento Ambiental junto à Semace. 

Um detalhe chama atenção desse projeto: é o único que não perderá os incentivos fiscais da TUSD para a geração de energia solar, os quais se encerrarão em fevereiro de 2022, o que representará um diferencial de redução no custo de geração da ordem de R$ 80,00 por KW/h.

A propósito: amanhã, quarta-feira, 24, na Casa da Indústria, a Fiec promoverá um seminário, que durará dois dias, para debater sobre todos os aspectos da produção, armazenamento, transporte e uso do Hidrogênio Verde.