Futuro é tecnológico e o Ceará investe nele com Planeta Jovens

Projeto do Iracema Digital terá apoio da Funcap e seu objetivo é despertar a juventude para a Tecnologia da Informação e Comunicação. Falta mão de obra especializada em TIC.

Legenda: Tarcísio Pequeno, ao centro), recebe integrantes do Iracema Digital, que lhe apresentaram o projeto Planeta Jovens
Foto: Iracema Digital / Divulgação

Uma pergunta invadiu o universo de quem pensa e age diante de um mundo que, cada vez mais, é tecnológico: “O que será do futuro?” 

Preocupado com tudo o que essa indagação permite de reflexão, Mauro Oliveira, que foi reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e hoje é, digamos assim, mentor de um grupo crescente de apaixonados pela Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), responde com a rapidez de quem, como ele, antevê o que acontecerá daqui a 50 anos: 

“O futuro é urgente”, diz ele. 

Na sua opinião, há hoje, principalmente no Ceará, o que ele considera “um abismo digital”, que exige, para a sua superação, um salto extraordinário da sociedade. Nada, porém,  que a criatividade e o espírito empreendedor do cearense não possam superar. 

Mauro Oliveira e seus colegas do Iracema Digital – uma comunidade social da internet bem-antenada sobre o que diz respeito à tecnologia – acabam de encontrar uma saída para envolver a juventude cearense nos projetos de tecnologia do futuro próximo. A saída tem nome: o projeto “Planeta Jovens”. 

Seu objetivo é “despertar nos jovens o senso de responsabilidade com o futuro do planeta, aumentar a autoestima, o espírito de solidariedade, a liderança e a felicidade”, como ele explica.

O que será explorado? Mauro Oliveira tem a resposta na ponta da língua: 

“O protagonismo jovem, o 'future thinking', a educação para o futuro, o letramento para futuros, inclusão para futuros, cultura maker, gamecultura, metaverso”. 

Como se nota, é uma terminologia própria de quem habita o universo da TIC, incluindo expressões do lingajar petista.
 
O presidente da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Tarcísio Pequeno, a quem o projeto foi apresentado ontem em minúcias, não apenas gostou do “Planeta Jovens”, como prometeu apoio financeiro às suas ações. 

Ricardo Liebmann, da Secrel, que, com Mauro Oliveira, encabeça o Fortaleza Digital, disse à coluna que o presidente da Funcap “percebeu, rapidamente, o imenso potencial" do ‘Planeta Jovens’ e convidou para participar da reunião Jorge Soares, diretor de Inovação da Funcap; Antônio Macedo e Jorge Lira, cientistas nas áreas de Transformação Digital e Educação, respectivamente.

“Recebemos da Funcap, na ocasião, a chancela de apoio, bem como o aceno de patrocínio para implementação de parte essencial do projeto. Dentre desse apoio, merece destaque um método científico de medição do impacto do evento”, comentou Liebmann.
  
Daniel Gularte, do Museu Bojogá (“vambora jogar”, em cearensês) e coordenador do “Planeta Jovens”, participou da reunião com Tarcísio Pequeno, dando detalhes sobre o funcionamento do projeto, cuja parte presencial acontecerá no próximo dia 27 de agosto. 

A parte online (metaverso) terá início no dia seguinte, terminando no dia 5 de novembro com uma mostra de “entregáveis” feitos pelos jovens na Feira do Conhecimento da Secitece (Secretária de Ciência e Tecnologia do Governo do Estdo do Ceará). 

Mauro Oliveira e Ricardo Liebmann apoveitam para informar: Transição Energética, Meio Ambiente, Economia do Mar, Escola de Futuro e Saúde Digital são as cinco trilhas a serem tratadas (entregáveis) pelos jovens que vierem a ser selecionados e que embarcarão no metaverso do “Planeta Jovens”.

Os dois fazem questão de destacar o apoio que tem sido dado pelos parceiros IFCE, Seduc, Sedet e Prefeitura de Sobral, responsáveis pelo planejamento e execução do projeto.

Hoje, não apenas no Ceará, mas no Brasil todo, falta mão de obra especializada na área da TIC. Aqui, por exemplo, empresas da área têm perdido desenvolvedores de programas que são contratados por organizaçoes estrangeiras, em dólar, e com uma vantagem a mais: não precisam mudar de endereço, pois trabalham em casa. 

É essa mão de obra que o Iracema Digital, com seu projeto "Planeta Jovens" que formar, qualificar e oferecer ao mercado. Tudo em curto prazo, pois, vale repetir, o futuro é urgente, e já chegou.

VEM AÍ O ENERGIA EM PAUTA

Evento mensal do Sindicato das Indústrias de Energia Ceará (Sindienergia-CE), realizado em parceria com a Fiec e o Sebrae, a 17ª edição do “Energia em Pauta” será no próximo dia 26, às 17 horas, abordando as “Linhas de transmissão: investimentos previstos no Plano de Desenvolvimento Energético - PDE 2031”. 

Confirmaram presença ao debate Reive Barros dos Santos, diretor de Engenharia da Chesf; Erik Eduardo Rego, diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética – EPE; e Gustavo Silva, diretor de Operações na Qair Brasil. O debate será moderado pelo presidente do Sindienergia-CE, Luís Carlos Queiroz. 

O “Energia em Pauta” será realizado quando se anuncia a estimativa de investimentos da ordem de R$ 50 bilhões pelo Governo Federal em linhas de transmissão de energia elétrica, as quais escoarão a energia produzida em fontes renováveis nos estados do Nordeste.

Essa estimativa consta do Plano de Desenvolvimento do Setor Elétrico para até 2031, que foi considerado um avanço pelo valor recorde dos investimentos. Porém, ele gerou certa frustração no setor por causa do prazo para a aplicação dos recursos - até 2031. 

“Para que o setor pudesse desenvolver-se de maneira plena para garantir maior segurança energética ao país, seria necessário um investimento bem superior ao anunciado. Dessa forma, nossa capacidade de produção energética seria explorada de maneira bem mais eficiente e chegaria a outros estados e regiões sem grandes dificuldades. Para se ter uma ideia do que isso representa, dos 10 primeiros estados com maior potência de produção de energia solar instalada, sete estão no Nordeste. Isto precisa ser valorizado”, enfatiza o presidente do Sindienergia-CE, Luis Carlos Queiroz.

Ele acrescenta que “as autoridades devem tomar consciência de que investir em novas linhas de transmissão e qualificar as já existentes é apostar na eficiência energética, na redução de custos e na sustentabilidade. Para um País com as dimensões do Brasil, essa medida deve ser vista como uma ação de investimento estratégico de alto impacto positivo”.