Fortescue pode construir suas próprias Linhas de Transmissão

Para os australianos, que aceleram seu projeto de produção de Hidrogênio Verde no Pecém, falta de LTs não será empecilho para o empreendimento. E mais: Fraport, bem-vinda ao mercado de imóveis!

Legenda: Não será por falta de Linha de Trasmissão, como a da foto, que a australiana Fortescue deixará de produzir H2V no Pecém
Foto: Agência Brasil

Esta coluna apurou ontem a seguinte informação: 

A empresa australiana Fortescue, que acaba de celebrar pré-contrato com a CIPP S/A, empresa que administra o Complexo Industrial e Portuário do Pecém e a ZPE do Ceará, está tão decidida a implantar seu projeto de produção de Hidrogênio Verde aqui, que a falta de Linhas de Transmissão (LTs) não será um empecilho para o seu empreendimento.
 
Uma fonte ligada ao governo do Estado revelou que os australianos poderão, eles mesmos, construir suas próprias LTs, que partiriam do parque de geração solar que vierem a adquirir no Ceará até uma subestação, que seria também construída pela Fortescue. Nesse ponto, a energia seria injetada na linha distribuidora para alcançar a unidade de produção do H2V. 

No caso de alguma grave dificuldade de oferta e de uso das LTs e subestações da Eletrobras (leia-se Chesf) e de Linhas de Distribuição (LDs) e subestações da Enel, a Fortescue instalaria e operaria suas próprias redes. Quem fala assim tem bala na agulha.

Na opinião da mesma fonte, para os australianos, diante do gigantesco investimento a ser feito para a produção do Hidrogênio Verde no Pecém, “construir e operar LTs e LDs será pouco significante, mas lhes dará total segurança”.

A propósito: há, na Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Governo do Ceará e nos corredores da Federação das Indústrias (Fiec) um ambiente de otimismo em relação ao futuro próximo do projeto do Hub do Hidrogênio Verde do Pecém. 

A movimentação da Fortescue, que acelera providências para antecipar o início efetivo da implantação de seu projeto, coincide com a da EDP Brasil, controlada pela portuguesa EDP, que pretende no fim do próximo ano colocar em operação sua unidade piloto de produção do Hidrogênio Verde no entorno de sua Usina Termelétrica Pecém 1, que, movida a carvão, produz 720 MW de energia suja. 

Preocupada com esse detalhe antiambiental, a EDP pretende, no curto prazo, trocar o carvão mineral, altamente poluente, por um combustível verde, quem sabe o próprio H2V.

FRAPORT, BEM-VINDA AO MERCADO IMOBILIÁRIO!

Um engenheiro enfronhado na atividade econômica de geração de energias renováveis – solar e eólica offshore – condenou a opinião de um empresário da construção civil cearense que, sob anonimato, disse ontem à coluna que a presença da alemã Fraport, administradora do Fortaleza Airport, no mercado imobiliário desta capital “não assusta, primeiro porque o projeto ficará restrito ao terreno do aeroporto e, segundo, porque será necessário um bom tempo para ver se haverá investidores interessados nos empreendimentos de hotelaria e de comércio varejista, incluindo um shopping center”.

Disse o engenheiro:

“A meu juízo, declarações como essa denotam, dentre outras coisas, falta de visão de futuro desse empresário cearense. Afinal, as cidades são elementos vivos e a área do aeroporto, hoje sem grande atividade comercial e turística, deverá tornar-se mais um polo relevante a alavancar o futuro de Fortaleza. Como diria o Ibraim (Sued, famoso colunista social do O Globo, no século passado), bola preta pra ele".

E concluiu assim:

“Seja muito bem-vinda, Fraport, ao nosso mercado imobiliário!!”

A propósito: a Fraport acaba de inaugurar um espaço VIP para os usuários da aviação executiva, o Jet For.

Ele foi instalado e já opera no mesmo espaço onde funcionava o Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Fortaleza, dispondo de salas amplas e confortáveis para que os clientes da aviação executiva recebam tratamento especial.

A área construída tem mais de 300 m² e está inserida em um terreno de 800 m² dentro do sítio aeroportuário.