Família Nogueira produzirá mirtilo em Pereiro com mudas da Espanha

Solo e clima da região são propícios ao cultivo protegido da nova variedade dessa frutinha de alto valor agregado

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Este é o mirtilo, um berry de alto valor agregado, muito consumido na Europa, que a Família Nogueira produzirá em Pereiro, no Ceará
Foto: Divulgação
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Foi tudo muito rápido. Em pouco mais de 24 horas cinco empresários espanhóis da Cooperativa Cuna de Platero, a maior da fruticultura da Espanha, e da Emcocal, gigante norte-americana que desenvolve projetos de produção de berrys em Huelva, na região da Andaluzia, visitaram, quarta-feira, 18, três empreendimentos de fruticultores cearenses.  

Eles chegaram a Fortaleza na noite de terça-feira e, às 8 horas do dia seguinte, chegaram ao Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas, onde percorreram uma gleba da Agrícola Famosa, cultivada de melão, e outra da DS Agro, que produz e exporta uma saborosa e cara fruta – a pitaia. Ao meio-dia, o quinteto espanhol chegou à cidade de Pereiro, onde conheceu os empreendimentos da família do empresário José Roberto Nogueira, detendo-se na fazenda que produz frutas e na unidade industrial que as transforma em polpa com a marca Nossa Fruta. Encantaram-se com o que viram e mais ainda com o que ouviram. (Eles estão hoje na Bahia, depois de passarem o dia de ontem em Petrolina) 

Erildo Pontes, coordenador de Recursos Hídricos para o Agronegócio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), que acompanhou o time da Cuna de Platero e da Emcocal, revelou que “são totais as chances de os espanhóis investirem aqui, agregando valor, expertise e tecnologia aos empreendimentos visitados”. E antecipou, com exclusividade, à coluna a informação de que, na próxima semana, deverá ser assinado um acordo envolvendo a Emcocal, a SDE e a Agritec, braço agrícola da família Nogueira, que receberá mudas de mirtilo fornecidas pela empresa norte-americana (que tem fazendas de produção, também, na Espanha), as quais se desenvolverão em cultivo protegido, ou seja, sob estufas.  

O secretário Executivo do Agronegócio da SDE, Sílvio Carlos Ribeiro, que também integrou o grupo nessas visitas, lembrou que, em nome do governo cearense, celebrou em outubro do ano passado em Madri um Memorando de Entendimento com a Emcocal, cujos técnicos virão nas próximas semanas ao Ceará para implementar um projeto que prevê a produção de morango e mirtilo na Chapada da Ibiapaba e, igualmente, no Vale do Jaguaribe.  

Em uma rede social, Erildo Pontes escreveu ontem sobre a visita dos espanhóis:  

“Gostaria de parabenizar o empreendedor José Roberto Nogueira, que, mesmo com uma agenda muito cheia nas telecomunicações, tem conseguido, juntamente com sua família, executar um esforço de inovação no setor da produção em cultivo protegido para culturas de alto valor agregado. Quarta-feira, na visita que fizemos com os espanhóis à Agritec, presenciamos inovações surpreendentes.” 

Erildo referiu-se, também, à DS Agro, produtora e exportadora de Pitaia, destacando “os excelentes resultados que a empresa vem alcançando nos testes com mirtilo, o que deixou positivamente impressionados os espanhóis”. A variedade de mirtilo que a DS vem usando em sua gleba no Tabuleiros de Russas é própria para o clima semiárido e para o solo arenoso da região, razão pela qual têm sido excelentes os resultados até agora colhidos, tanto na produção, quanto na produtividade, e isto também entusiasmou o time da Cuna de Platero e da Emcocal.   

As mudas da variedade de mirtilo que a Agritec da família Nogueira usará em sua fazenda de Pereiro já estão no Brasil em processo de climatização com 100% de êxito. Elas serão transferidas para o Ceará tão logo seja assinado o acordo tripartite – SDE, Emcocal e Agritec.  

Algo mais, porém, deixou entusiasmado o secretário Sílvio Carlos, que se referiu ao que chamou de “um grande e inovador projeto de cultivo protegido” que a família de José Roberto Nogueira pretende implantar neste semestre, utilizando tecnologia própria em um modelo de estufas que ele mesmo está desenhando, distinto, personalizado, com material específico para a produção de hortaliças de alto valor agregado. 

“José Roberto mostrou-nos o modelo de estufa que utilizará para o cultivo de morango, mirtilo e outras frutas de valor agregado. Ele nos disse que está construindo o maior centro de cultivo protegido do Brasil. E nos adiantou que irá, brevemente, a Huelva e Almeria para conhecer mais detalhes sobre o cultivo protegido” (em Almeria, as estufas do cultivo protegido de sua hortifruticultura ocupam área superior a 100 mil hectares e são vistas da Estação Internacional da Nasa).