Falta mão de obra especializada para empresas cearenses de tecnologia

Acordou a comunidade da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que agora busca apoio do governo para seus projetos. O Ceará é o único estado enlaçado por um cinturão de fibra ótica

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 07:05)
Legenda: A comunidade cearense da Tecnologia da Informação trabalha para obter mais apoio do governo do estado
Foto: Thiago Gadelha /SVM
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FALTA MÃO DE OBRA PARA EMPRESAS DE TECNOLOGIA

Abriu-se um debate na comunidade cearense da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Provocado por matéria desta coluna, ontem divulgada, o governo do Estado – citado pelo empresário João Teixeira como pouco interessado em apoiar a TIC, cujos ativos no Ceará ainda não foram levantados – manifestou-se imediatamente e listou uma série de providências legais, administrativas e práticas que realizou, como a implantação do Cinturão Digital, fazendo deste estado o único do país enlaçado por cabos de fibra ótica. 

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O secretário de Modernização e Inovação da Casa Civil do governo, economista Célio Fernando, ao responder às questões aqui levantadas por João Teixeira, despertou as dezenas de participantes de uma rede social – bem denominada de Iracema Digital (ID) – cujos líderes passaram a emitir opinião.

Ricardo Liebmann, um dos fundadores do ID, escreveu:

“Nós da direção do ID achamos que o Governo do Ceará já fez muita coisa pelas TICS no estado. Claro que sempre se pode encontrar coisas, que poderia ter feito a mais. Entre as que fez, citadas pelo Célio Fernando, muitas servem de base para entrarmos em processo de aceleração de melhoria do Ecossistema, onde os empresários do setor, uma das hélices do Ecossistema, pudessem se desenvolver com maior qualidade e velocidade, e que o cidadão pudesse se beneficiar de mais empregos e de melhores serviços do estado, e que o segmento de TIC pudesse beneficiar com maior capacidade a competitividade dos outros segmentos empresariais do estado. 

“Somos transversais e podemos afetar com nossas soluções e serviços todos os outros segmentos empresariais, o governo e os cidadãos, isto é, a sociedade. O fato é que nesse período aprendemos a trabalhar juntos, criamos laços de confiança, conhecemos as outras hélices, e nosso ecossistema se aperfeiçoou. 

“Saliento que o estado participou deste esforço, apoiou o ecossistema. Também acho que nessa travessia entendemos que podemos fazer muito mais, juntos, e que devemos entrar em outro estágio, em outra camada de colaboração e inteligência. Isto tem de ser construído junto. O Iracema Digital quer participar, promover, com os outros agentes, um esforço, um exercício para tentar encontrar uma forma como isso deveria ser tentado.”

Bem, a comunidade da TIC parece subordinada ao peso e à influência do governo, que, na opinião de João Teixeira, já deveria ter criado um Grupo de Trabalho para definir uma política pública que, em primeiro lugar, identifique e dimensione o tamanho dos ativos de que dispõe o estado na área da Tecnologia da Informação e Comunicação. 

O professor Mauro Oliveira, que é o administrador do Iracema Digital, postou uma mensagem em que anuncia que o pronunciamento de João Teixeira causou impacto e movimentou o governo do estado. 

“Em breve, teremos uma resposta da Casa Civil”, foi o que ele postou ontem, às 15h23, no seu grupo do ID. A resposta veio em seguida.
 
Por sua vez, João Teixeira disse à coluna que, “brevemente, teremos (o ID) uma reunião com o governo do estado, quando tudo será apresentado e debatido, encaminhando-se uma solução”. 

Este é um tema atualíssimo. As empresas cearenses que atuam na área da TIC enfrentam há tempos um problema grave: não há mão de obra especializada para atender as suas carências. 

Hoje, por exemplo, um jovem desenvolvedor cearense de sistemas de TIC é disputado no mercado como se fosse um astro do futebol. Empresas cearenses de Tecnologia da Informação e Comunicação estão sendo “atacadas” por concorrentes nacionais e estrangeiros que lhes subtraem pessoal altamente qualificado, pagando-lhes salários em dólares – alguns chegam a receber “luvas” (espécie de gratificação que assegura sua transferência para o novo emprego). 

Há um detalhe a ser ressaltado: esse profissional não precisa mudar de endereço, transferindo-se para outro país. Ele passa a desenvolver sua expertise em sua própria casa, comunicando-se em inglês com seus empregadores que estão, principalmente, nos Estados Unidos e na Europa. 

É assim que está hoje o mercado de trabalho na área da TIC. 

BOLSA DE VALORES SUBIU DE NOVO

A Bolsa de Valores brasileira, a B3, fechou ontem novamente em alta, mas foi uma alta muito leve, de 0,46%, aos 116.274 pontos. O dólar encerrou o dia com alta de 0,37%, cotado a R$ 5,27. 

A B3 operou de costas para as bolsas norte-americanas, que fecharam em queda de até 0,85%, como aconteceu com a Nasdaq, que é a bolsa das empresas de tecnologia.

Operadores e analistas do mercado brasileiro entendem que a queda das bolsas nos EUA tem a ver com a preocupação com a inflação global. 

Ontem, foi divulgado o índice de inflação do Reino Unido no mês de setembro, que foi de 0,6%, bem acima do que previa o mercado. A inflação anualizada na Inglaterra passou dos 10%, o que é uma taxa fora dos padrões ingleses. 

Por falar no Reino Unido: a prmeira-ministra Liz Truss, há menos de dois meses no cargo, poderá renunciar hoje ou amanhã, como estão insinuando jornais londrinos, apoiados em opiniões de parlamehtares trabalhistas e conservadores, estes aliados deTruss.

E a inflação na União Europeia, em setembro, bateu em 1,2%, agravando as preocupações com o futuro próximo da economia do continente, que está sendo castigado desde fevereiro pelas consequências da guerra na Ucrânia.

Nos EUA, a Netflix publicou seus resultados do terceiro trimestre deste ano, mostrando que sua base de assinantes aumentou, alcançando hoje a marca de 223 milhões de pessoas no mundo todo. As ações da empresa tiveram ontem alta de 13,09%, cotadas a US$ 272,38.  No trimestre julho-agosto-setembro, a Netflix registrou receita de US$ 7,9 bilhões.

Ontem, na bolsa B3, as ações da Petrobras subiram de novo – a alta foi de 3,71%. A razão da alta foi o aumento do preço do petróleo no mercado internacional. 

O petróleo do tipo Brent, importado pela Petrobras, que foi negociado a US$ 90 na terça-feira, subiu ontem para US$ 92,26. 

Essa subida tem uma causa: os estoques de óleo nos Estados Unidos estão hoje mais baixos do que esperava o mercado, o que mostra que o consumo está em alta.