Fábrica de lácteos da baiana Davaca poderá ser no Sertão Central

Lutz Viana, dono da empresa, virá ao Ceará em fevereiro. Presidente da Faec diz que produtores de leite da Bahia estão satisfeitos com o governo de lá, que isenta de ICMS a cadeia produtiva. E mais: Energia renovável: questão de opinião

Legenda: No centro da foto, Luz Viana, dono da Lacticínios Davaca, ao lado de Amílcar Silveira (D) e José Antunes (E)
Foto: Davaca/Divulgação

Uma reunião realizada ontem à noite na cidade baiana de Ibirapuã deu início aos entendimentos de empresários cearenses da agropecuária, apoiados pelo governo do Estado, com o sócio majoritário da Lacticínios Davaca, uma crescente indústria de lacticínios localizada no Sul da Bahia, bem perto da divisa com Minas Gerais, cujos produtos são comercializados pelas lojas das redes de supermercados de Fortaleza.

Objetivo explícito da reunião: convencer o dono da Davaca, o mineiro Lutz Viana, a instalar em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, uma planta industrial para o beneficiamento de leite e a fabricação de seus derivados, principalmente queijos e requeijões.

Por que em Maracanaú? Para aproveitar o galpão e as instalações da antiga e fechada fábrica de lacticínios da multinacional francesa Danone. 

Estiveram presentes à reunião de ontem, além de Lutz Viana, o presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios do Ceará (SindLacticínios), José Antunes, e o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, que, para chegar a Ibirapuã, passaram quase toda a terça-feira, 18, em viagem.
 
De avião comercial, às 6 horas, deslocaram-se de Fortaleza para Salvador; de lá, também em voo comercial, foram para Porto Seguro, de onde, em uma caminhonete Hilux, percorreram 350 quilômetros até a sede da Lacticínios Davaca.

Em nome do governo cearense deveria ter estado presente, fisicamente, o secretário Executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), agrônomo Sílvio Carlos Ribeiro, que, com Covid, permaneceu em Fortaleza, sendo informado das tratativas pelo telefone. 
  
Antes de viajarem para o encontro com Lutz Viana, o presidente da Faec e o presidente do SindLacticínios-Ceará tiveram o cuidado de reunir-se com Luiz Girão, fundador da Betânia Lácteos, maior empresa industrial de lacticínios do Ceará e do Nordeste, de cujo mercado é líder sem contestação.

Nessa “conversa entre amigos”, como disse José Antunes, o empresário Luíz Girão, com a franqueza que o caracteriza, estimulou a iniciativa, afirmando que atrair para cá a Davaca “é um esforço muito válido, e o Lutz será muito bem-vindo ao Ceará”. 
 
Mas, em mensagem a esta coluna, Girão advertiu:

“Eu acho muito difícil o Lutz instalar a Davaca aqui. A Bahia dá à toda cadeia produtiva do leite uma condição que o Estado do Ceará não dá, e dificilmente dará: zero de cobrança de ICMS”.

A Betânia Lácteos tem duas fábricas na Bahia, as quais gozam desse atraente benefício.

Muito bem. Vamos, agora, por partes.

Primeira parte: se a Davaca decidir vir para o Ceará, sua fábrica de beneficiamento de leite e de produção de queijos não será em Maracanaú e muito menos aproveitando as instalações da antiga planta industrial da Danone.

“Lutz considera ultrapassados os equipamentos e as máquinas da Danone”, revelou Amílcar Silveira.

Segunda parte: Lutz virá ao Ceará no próximo mês de fevereiro. Visitará a bacia leiteira do Sertão Central, onde 90% dos produtores de leite são de pequeno porte, como os do Sul da Bahia. 

Se decidir pela instalação de uma fábrica cearense, ela deverá ser localizada em Quixadá, Quixeramobim ou Senador Pompeu.

Terceira parte: hoje, em Ibirapuã, a Davaca processa 710 mil litros de leite, dos quais apenas 42 mil litros produzidos pelo rebanho próprio da empresa; o restante é fornecido pelos pequenos produtores dos municípios vizinhos.

Quarta parte: Amílcar Silveira informou que os produtores de leite da Bahia “estão muito satisfeitos com o governo baiano” (do PT), que isentou do ICMS todos os produtos lácteos.
 
Quinta parte: o Sertão cearense precisa, com urgência, de uma grande e moderna fábrica de queijos. Reparem: em Jaguaretama, operam 102 queijarias, das quais apenas cinco são certificadas, isto é, têm o selo da vigilância sanitária, como revela o presidente da Faec com o assentimento do presidente do SindLacticínios.
 
Como o governo do Estado do Ceará vê a iniciativa da liderança da agropecuária cearense em busca de novas indústrias de lácteos?

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Maia Júnior, que acompanha as negociações, disse à coluna que os incentivos fiscais oferecidos à cadeia do leite “são praticamente os mesmos que a Bahia oferece”. 

Maia Júnior comentou que atrair uma organização do porte da Lacticínios Davaca para o Ceará é muto importante, “mas é preciso entender que não podemos causar prejuízo às empresas que já operam aqui, criando novos estímulos para novas empresas que chegam”.

Aguardemos os próximos capítulos.

ENERGIAS RENOVÁVEIS: UMA QUESTAO DE OPINIÃO 

O texto a seguir é de autoria do engenheiro José Carlos Braga, especialista em energias renováveis e desenvolvedor dos projetos Uruquê e Cactus, de geração solar no Jaguaribe e de produção de H2V no Pecém. 

Ele aborda as condições objetivas de que dispõe o Brasil para, também, liderar o mundo na área das energias renováveis nos próximos 20 anos.

Ele com a palavra: 

“Desde criança, ouvimos a ladainha recorrente de que o Brasil é o ‘País do Futuro’ por ser o maior em riquezas minerais, biodiversidade, água doce em abundância, oito mil quilômetros de Costa dadivosa, previsível estabilidade geológica e climática, potencial turístico inigualável etc, quando, na verdade, o que pesa de fato contra nós é a nossa Posição Geopolítica.

“Estamos fora das Rotas do Atlântico Norte e do Oriente, e, além da Educação como item fulcral para a conquista desse futuro imaginário, precisamos nos inserir e criar novas Rotas que virão somente através da ampla produção de bens manufaturados e essenciais à sobrevivência humana neste novo ambiente de ‘Economia Sustentável do Século XXI’.

“Exportar apenas commodities sem agregação de valor não cria Rotas nem Produtos de peso no mercado internacional.

“Este Brasil tem hoje em mãos talvez a maior oportunidade da sua história de dar um Salto Qualitativo e Quantitativo rumo ao ‘País do Presente’, e creio que isto se faria mais rapidamente através do que batizo de ‘Plataforma de Compensação Energética Verde’.

“Este é o nosso ‘Cavalo Selado’ que o Eurocentrismo, o Tio Sam e o Oriente não conseguirão aniquilar, a menos que ‘traidores da pátria’, do alto de seus gabinetes, pratiquem tenebrosas transações que não permitam transferir esse imenso potencial econômico da Energia Verde que possuímos em pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e parque industrial pujante sustentável, de Norte a Sul do Brasil, trazendo o tão sonhado estado de bem estar social à imensa maioria do povo, já dentro dos próximos 20 anos.

“Energia limpa e crédito de carbono – eis a senha que poderá nos trazer do ‘quase feudalismo’ para o século XXI, criando Rotas e Produtos, permitindo-nos fixar olho no olho, sentados à mesa, respeitosamente, com os mais poderosos do planeta.
“Depende também de nós, formadores de opinião, discernir quem elegeremos este ano para liderar uma equipe eficaz que permita iniciar este processo. Sou Renitente, e por isso acredito firmemente nesta possibilidade.”