Escândalo do Banco Master mostra vísceras de uma elite corrupta
A Sociedade brasileira, atônita com tanta corrupção impune, pergunta: do ponto de vista moral, este país tem jeito?
Ao liquidar o Banco Master e seu conglomerado de empresas, o Banco Central agiu imediata e acertadamente para estancar o avanço de uma autêntica organização criminosa, pois é crime praticar o que ele e seu principal dirigente vinham praticando – fraudes, irregularidades e atentados às boas práticas do mercado financeiro. Tanto é verdade, que a Polícia Federal prendeu em flagrante, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o seu presidente momentos antes que ele embarcasse no seu jatinho particular com destino ao exterior.
Daniel Vercaro, o dono do Banco Master, está hoje no lugar em que devem estar os criminosos – na cadeia. Mas os criminosos de gravata preta e colarinho branco dificilmente chegam aos presídios por condenação da Justiça. Neste caso, porém, diante de tão graves acusações que pesam contra ele, há uma grande chance de que seja quebrada a tradição de impunidade que o Judiciário confere aos que habitam o que o mestre Élio Gaspari chama de “andar de cima”.
Pelo andar da carruagem, pelo volume de novas descobertas que as investigações da competente Polícia Federal vêm revelando e pelo envolvimento de pessoas físicas e jurídicas, incluindo as do mundo da política, o caso do Banco Master jogará lama no ventilador do estrato de alta renda da sociedade brasileira. Ontem, já se falava que o Master tinha ligações com o PCC – o Primeiro Comando da Capital, provavelmente a mais poderosa organização do crime organizado, com filiais em todos os estados brasileiros e em países da América Latina. E até o nome do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e o de Antônio Rueda, presidente do Uniao Brasil, sob cuja legenda estão alguns políticos cearenses, já surgem nessa mixórdia.
Por enquanto, são estas as primeiras pistas reveladas pela ação da PF, mas, pelo que se ouve nos corredores de Brasília, onde residem bem-informadas fontes desta coluna, a lama do escândalo do Banco Master ameaça a reputação de importantes personalidades dos andares mais altos dos três poderes da República. Se a investigação da Polícia Federal prosseguir sem interferências externas, dizem essas fontes, haverá choro e ranger de dentes na Praça dos Três Poderes.
Atentem: o Banco Regional de Brasília, o BRB, gerenciado pelo governo do Distrito Federal, que é apoiado pelo PP e pelo União Brasil, quis comprar o Banco Master, mas o Banco Central – conhecendo em minúcias o seu histórico -- impediu a operação. O Distrito Federal é governado por Ibaneis Rocha, do MDB. Como se observa, já são três os partidos envolvidos nessa confusão.
Em Brasília, onde não há esquinas, só os turistas não sabem que o Banco Master patrocinou eventos de interesse de políticos e magistrados, no Brasil e no exterior, Portugal incluído. No frigir dos ovos, o que até agora se sabe é que, no escândalo do Master, estão citados, indiretamente por enquanto, gente graduada dos governos de Lula e Bolsonaro.
O prejuízo causado pela liquidação do Banco Master aos milhares de investidores que aplicaram nele suas economias alcança o Evereste de R$ 41 bilhões, mas pode chegar aos R$ 49 bilhões. Mas todos eles receberão apenas R$ 250 mil, que é o teto assegurado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Quem investiu no Master acima desse valor terá prejuízo, e são milhares. O FGC tem um patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões no caixa.
Senhoras e senhores, surge a pergunta: do ponto de vista moral, o Brasil tem jeito? Este é um país com riquezas naturais semelhantes às dos EUA e China, que disputam, hoje, a liderança da economia e da tecnologia do mundo. Este país tropical deveria estar no mesmo patamar dos norte-americanos e chineses. Por que não está?
A resposta, do ponto de vista desta coluna, é esta: porque a elite política brasileira é ruim, despreparada, incompetente e corrupta, e a prova é a crônica antiga e recente do que acontece aqui desde a chegada de Cabral, em 1.500, quando o escrivão da Corte, Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao Rei dando notícia do descobrimento da Terra de Santa Cruz, pediu emprego para o seu genro. A elite brasileira aprendeu a péssima lição: “Mateus, primeiro os meus.”
De corrupção em corrupção, o Brasil e os brasileiros seguimos açoitados pela mesma elite interesseira, que, de costas para o país, permite que, como nos primeiros tempos da nossa história, os recursos públicos, que deveriam ir para o Tesouro Nacional e garantir o desenvolvimento brasileiro, vão, em boa parte, para os bolsos de corruptos e corruptores.
É lamentável.
UM SIMPSÓSIO SOBRE SUSTENTABILIDADE E INOVAÇÃO
Organizado pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), vem aí, nos dias 10, 11 e 12 de dezembro, o II Simpósio Brasileiro de Sustentabilidade e Inovação. O evento será realizado na sede do Banco do Nordeste, no bairro Passaré, em Fortaleza.
O simpósio terá o objetivo de oportunizar a integração entre pesquisadores, setor produtivo e governo, para o que promoverá debates sobre o tema para estabelecer estratégias que garantam o crescimento econômico e social sustentável a partir da inovação na cadeia produtiva da indústria e da agroindústria.
O Simpósio da Uece abordará quatro eixos temáticos: produção de alimentos e processos nano biotecnológicos; segurança dos alimentos e saúde; inovação e sustentabilidade; e tecnologias limpas e economia circular.
Da programação, participarão pesquisadores nacionais e estrangeiros, oriundos dos Estados Unidos, Canadá e Espanha, além de representantes de organismos do governo do estado e industriais e agropecuaristas locais.
O II Simpósio Brasileiro em Sustentabilidade e Inovação, que será coordenado pelo professor Carlúcio Roberto Alves, é resultado de uma parceria da Uece com a Embrapa Agroindústria Tropical, a Universidade de São Paulo (USP) e a Embrapa Instrumentação Agropecuária, contando ainda com o incentivo da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
CORREIOS, À BEIRA DA FALÊNCIA, SEGUE ATRASANDO ENTREGAS
um leitor desta coluna recebeu ontem, quarta-feira, dia 19 de novembro, a fatura do seu cartão de crédito que venceu no dia 6 deste mês. A entrega foi feita pelos Correios, uma empresa estatal que está à beira da falência, com um rombo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre deste ano de 2025.
A situação dos Correios é tão grave, que o governo tenta, sem sucesso até agora, organizar um pool de bancos para conceder um financiamento de R$ 20 bilhões com o objetivo de recuperar essa empresa estatal, que não tem, hoje, a mínima condição de concorrer com as grandes do setor de entrega de encomendas, como a Amazon, o Mercado Livre, a Magalu, a Casas Bahia, só para citar alguns. Nenhum banco quer emprestar dinheiro aos Correios.
O problema dos Correios é sua gestão, que hoje está entregue a pessoas indicadas por partidos políticos da base de apoio do governo no Congresso Nacional. Uma empresa, seja ela estatal ou pública, deve ser administrada por profissionais do mercado, escolhidos de forma meritocrática e com currículo que comprove sua experiência no setor.
Enquanto a empresa Correios estiver subordinada a uma governança de caráter político, continuará dando prejuízo ao país e aos seus usuários.
O leitor acima referido diz que os Correios entregam sempre com atraso a fatura do seu cartão de crédito.
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