Empresário cearense anuncia investimento em cultivo protegido
Projeto piloto terá tecnologia de ponta será localizado onde houver água. SDE pensa em um distrito de cultivo protegido.
Roterdã (Holanda) – Uma boa novidade para animar o fim de semana do agro cearense: o empresário Edilberto Rodrigues, dono da Construtora Athos, com atuação em vários ramos da atividade econômica e forte presença na região do Cariri, comunicou ontem, aqui, aos secretários Fábio Feijó, titular da SDE, e ao seu secretário Executivo do Agronegócio, Silvio Carlos Ribeiro, que se associou à empresa holandesa Equity International Business com o objetivo de implantar no Ceará, em local ainda não definido, um projeto piloto de cultivo protegido com tecnologia de ponta voltado à produção de hortifrutis.
Seu projeto piloto plantará tomate com a intenção de medir a produtividade do cultivo protegido dessa hortaliça: na Holanda, ela chega a 80 quilos por metro quadrado; na Ibiapaba, não passa de 15 quilos por metro quadrado nas áreas de pequenos produtores, chegando a 30 nas fazendas empresariais com estufas.
Rodrigues esclareceu que a definitiva localização do seu empreendimento está condicionada a quatro fatores: 1) segurança hídrica, 2) logística de transporte para crescer, 3) inexistência de conflitos de interesse na área e 4) presença, nas proximidades do projeto, de uma escola técnica voltada para o agro, “que pode ser do Centec”.
Edilberto Rodrigues fez a comunicação durante uma reunião de todos os 15 integrantes da Missão do Ceará na Holanda, os quais, durante três horas, analisaram os principais pontos desta viagem, que se encerrará hoje, 10, à tarde. Ele informou que, para a implementação do seu projeto, criou a empresa Agratech Solutions. E acrescentou, usando outras palavras:
“Depois de tudo o que vi nestes dias aqui na Holanda, não tenho mais dúvida de que o cultivo protegido é o futuro da horticultura do Ceará. A dúvida que ainda persiste é sobre se as estufas devem ser cobertas com vidro ou acrílico, como na Holanda, ou com plástico, como na Chapada da Ibiapaba e no Cariri, no Ceará”, disse o empresário, olhando ao mesmo tempo para os dois secretários do governo do estado e para os seus dois sócios e donos da Equity Intenational Business, o brasileiro Luiz Eduardo Barros e o holandês Johan Charles Fernand, que organizaram toda a programação desta Missão Técnica da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (Abid) em conjunto com a Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec).
Um dos 15 missionários presentes, Michel Freire, sócio da 3V3, uma startup de tecnologia voltada para o agro, interveio para dizer que o cultivo protegido “é o caminho”. Em relação à cobertura das estufas, ele disse que, “pelo custo, as teladas são a melhor opção, pois têm uma característica ambiental, e esta é uma tecnologia visível; invisível é, por exemplo, a tecnologia da genética”, ajuntou ele. Freire também sugeriu que o governo e a iniciativa privada promovam juntos uma campanha de “incentivo ao trabalho”, e ainda aconselhou o caminho do cooperativismo “para que se evite a reserva de mercado”.
Por sua vez, Nidovando Pereira Pinheiro, dono dos supermercados Nidobox, integrante da Uniforça, uma associação das pequenas empresas supermercadistas, disse que o tomate cultivado pelos pequenos produtores da Ibiapaba “ainda não alcançou a qualidade dos produzidos em estufas por empresas como a Trebeschi e a Itaueira, cujos produtos, por isto mesmo, custam mais caro”.
O secretário do Desenvolvimento Econômico do governo do Ceará, Gábio Feijó, pediu a palavra para fazer, primeiro, um elogio ao trabalho do seu secretário Execurivo do Agronegócio, Sílvio Carlos Ribeiro, "com quem tenho aprendido bastante sobre o agro"; depois, olhando para os presentes, fez uma advertência:
“Essa oportunidade (que se abre para o cultivo protegido) precisa de ser organizada. Se cada investidor for para uma região diferente do Estado, sem uma lógica comum de infraestrutura, logística, fornecedores, pesquisa, capacitação e comercialização, poderemos ter bons projetos individuais, mas não necessariamente um novo ativo econômico estruturante para o Ceará”, disse ele.
Feijó prendeu a respiração dos presentes e aproveitou o silêncio para pronunciar um discurso eminentemente técnico, apresentando os seguintes argumentos:
“Uma das ideias que estamos estudando na SDE é a possibilidade de criação um distrito ou hub de agricultura protegida no Ceará. Um espaço planejado para reunir produtores, investidores, fornecedores, tecnologia, assistência técnica, centro de demonstração, formação profissional, comercialização e conexão logística com o Porto do Pecém. A ambição é clara: elevar significativamente a produtividade da nossa agricultura e abrir uma nova fronteira de exportação de hortifrúti para a Europa.”
E foi em frente, falando como se estivesse lendo um texto decorado pela sua mente:
“Um sinal concreto da força dessa ideia surgiu dentro desta própria Missão Técnica. Um investidor cearense, integrante desta comitiva, já manifestou interesse em participar desse movimento, caso os estudos indiquem que a implantação de um distrito de greenhouses seja, de fato, a melhor solução para o Estado. A presença de um investidor local desde a fase inicial é importante, porque demonstra que essa agenda pode combinar capital e empreendedorismo cearense com tecnologia, experiência e mercado internacional dos investidores holandeses.
“Nas conversas preliminares, também houve sinalização de interesse de pelo menos três grandes produtores holandeses. Adicionalmente, já iniciamos diálogo com o nosso parceiro Porto de Roterdã para compreender como, em caso de avanço desses investimentos, poderíamos estruturar rotas logísticas competitivas entre o Porto do Pecém e o mercado europeu. Naturalmente, tudo isso ainda precisa ser estudado e detalhado com profundidade. Iremos dialogar com a liderança da Faec, nossa parceira estratégica na agenda do agro, e, posteriormente, apresentar as conclusões ao governador Elmano de Freitas.”
Ao finalizar suas palavras, Fábio Feijó manteve o otimismo:
“É preciso reconhecer que houve, nesta missão, uma sinalização muito promissora dos investidores holandeses. E agora temos uma nova provocação estratégica: o Ceará pode construir um cluster de agricultura protegida, conectando terra, tecnologia, energia limpa, logística, capital privado, universidades, setor produtivo e mercado europeu”.
A reunião de ontem, realizada numa ampla e confortável sala de um hotel de Roterdã, terminou com uma visível confraternização dos missionários, felizes com os resultados de sua missão.
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