Cearenses viram as flores que enriquecem a Holanda
Durante toda a tarde de ontem, a Missão do Ceará na Holanda viu e aprendeu como se produz flores de valor agregado sob estufas
Roterdã (Holanda) – Foi um dia de muita atenção o de ontem para os integrantes da Missão do Ceará que se encontra aqui conhecendo novas tecnologias voltadas para o agro. Além de toda a manhã dedicada à visita ao Porto de Roterdã, a parte da tarde foi de longa reunião e visita à Leen Middelburg, empesa especializada na produção de crisântemo — flor de corte amplamente utilizada na floricultura holandesa e mundial — sediada em Westland, região reconhecida como o maior polo de produção de flores e hortaliças da Holanda.
A empresa cultiva 11 hectares de crisântemo em estufas de alta tecnologia.
A visita, “muito rica em informações técnicas e tecnológicas”, segundo o secretário Executivo do Agronegócio da SDE, Sílvio Carlos Ribeiro, foi conduzida pelo doutor Aad Verduijn, especialista de referência no setor, que apresentou um panorama completo da produção de flores de corte no país: potencial produtivo, estrutura de custos, expectativa de rentabilidade e as tecnologias que sustentam a evolução da floricultura holandesa.
Segundo o especialista, o sucesso da atividade depende do domínio de alguns fatores de produção.
O primeiro é a luz solar: a cultura exige o máximo aproveitamento da radiação, o que torna essencial a qualidade e a limpeza do vidro das estufas. Exige, também, temperatura e umidade sob controle rigoroso, assim como a irrigação, que deve ser feita com água de excelente qualidade e no momento certo.
A colheita, hoje realizada em parte manualmente e em parte de forma mecanizada, foi apontada como um dos principais desafios: diante do alto custo da mão de obra na Europa, o setor investe em pesquisa e desenvolvimento voltados à colheita totalmente mecanizada e robotizada — tendência que deve consolidar-se nos próximos anos, complementando os avanços já obtidos em manejo fitossanitário e tecnologia de estufas.
Os números apresentados pelo doutor Aad Verduijn impressionaram: somente na Leen Middelburg cultivam-se cerca de 38 milhões de plantas de crisântemo por ano nos 11 hectares de produção, com rentabilidade que pode superar 1 milhão de euros por hectare.
Esse desempenho reflete a força da floricultura holandesa como um todo. Segundo dados oficiais mais recentes, a Holanda mantém hoje cerca de 10 mil hectares de área sob cultivo protegido (estufas), dos quais aproximadamente 2.400 hectares são dedicados a flores e plantas ornamentais, e o restante à produção de hortaliças.
Westland, onde está localizada a Leen Middelburg, é a maior área contígua de estufas da Holanda. Apesar de ocupar uma fração pequena do território agrícola nacional, o país exportou US$ 10,9 bilhões em flores e plantas ornamentais no ano passado, contra importações de US$ 2,7 bilhões — resultado, em parte, de sua posição como hub logístico global do setor, que reúne produção própria e flores importadas do Quênia, da Etiópia e do Equador para redistribuição em toda a Europa, com destaque também para as exportações à Rússia.
“A visita reforçou o aprendizado sobre essa cultura e suas tecnologias, evidenciando o potencial da floricultura holandesa e a força do cultivo protegido como modelo de produção intensiva, tecnológica e altamente rentável”, disse o secretário Sílvio Carlos Ribeiro.
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