Empresário alerta: Caju cearense sob ameaça da Ásia e África

Produtor e exportador de castanha de caju, Antônio Lúcio Carneiro pede ajuda dos governos para o cultivo do cajueiro anão. E mais: 1) Uma cesta de produtos agrícolas do Ceará; 2) Senai qualifica nos presídios; 3) Airbus dá goleada na Boeing.

Para o empresário, produtor e exportador de castanha de caju, é necessário substituir logo o cajueiro antigo pelo anão precoce.
Foto: Ricardo Moura / Embrapa

Como esta coluna revelou ontem, o setor de castanha de caju liderou, em 2021, outra vez, a pauta de exportações do agronegócio do Ceará. As vendas externas da castanha representaram US$ 98,5 milhões, o que representa 93% do total exportado pelo Brasil.

Antônio Lúcio Carneiro, sócio majoritário e CEO da Resibras, uma das maiores exportadoras brasileiras de castanha de caju, lembra que esses números “refletem investimentos feitos décadas atrás e que continuam gerando dividendo social, ambiental, econômico (inclusive cambial) a ponto de liderar a exportação do nosso agronegócio”.

Lúcio informa que, há cerca de 7 anos, sua empresa, com iniciativa pioneira, investiu de forma massificada e capilarizada em projetos de agricultura familiar sustentável com apoio do governo do Estado, o que “gerou benefícios incalculáveis”.
Mas ele faz uma advertência:

“Alerto, todavia, que parcela substancial – cerca de 35%, desse pomar representados pelo cajueiro gigante (a árvore antiga de copa larga e alta), entrou em exaustão e precisamos acelerar e expandir muito mais com o cajueiro anão precoce que representa parcela majoritária do fornecimento as indústrias.”, diz ele

E o que deve ser feito, indaga a coluna. Antônio Lúcio responde:

“Certamente o plantio tem que ser ampliado de forma expressiva com essa tecnologia vencedora (do cajueiro anão), mas com amplo apoio creditício e institucional aos cajucultores”, argumenta.

Na sua opinião, os governos dos estados e dos municípios nordestinos precisam de agir para obtenção de verbas federais, “pois, antes de nada, esta é uma cultura social”.

Mantendo a palavra, Lúcio, falando com total conhecimento da causa, analisa o que se passa: 

“Não posso me omitir de informar que países bem mais jovens na cajucultura comparados ao Brasil, como a Costa do Marfim, o Vietnã e o Cambodja (só para citar 3 dentre outros), com amplo apoio governamental, chegam a produzir 1.6 milhão de toneladas cerca de 12,5 vezes a mais do que a nossa produção. 
 
“Neste momento, grandes empresas europeias estão investindo centenas de milhões de dólares em plantas industriais de processamento da castanha em toda a África, gerando milhares de novos empregos.
 
“Precisamos continuar colhendo esses dividendos socioeconômicos no longo prazo. Para isso, serão necessários muito plantio e recursos federais, estaduais e municipais. Eu pergunto: Haverá apoio institucional como ocorre na África e na Ásia ao setor primário? Se houver a indústria garantirá a compra. Não há mais tempo a perder.”

UMA CESTA DE PRODUTOS AGRÍCOLAS CEARENSES

Ainda sobre o setor primário da economia do Ceará: o secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Maia Júnior, pediu e o seu secretário Executivo do Agronegócio, Sílvio Ribeiro, preparou uma cesta de produtos exclusivamente da hortifruticultura – ou seja, sem os lácteos, sem os pescados e sem os grãos.
 
A cesta, cheinha, foi enviada para o governador Camilo Santana e para mais cinco personalidades cearenses. 

O secretário tem uma explicação para essa providência:

“Trinta anos atrás, isto seria impossível. Hoje, nossa cesta de frutas tem melão, melancia, manga, coco, cacau, tomate, pimentão colorido, planta ornamental, banana prata, banana nanica, maçã, caju, castanha de caju, polpa de frutas, suco de frutas, rosas, batata inglesa, pimenta, limão, goiaba e muito mais, tudo produzido graças aos investimentos que as empresas fizeram em tecnologia, no correto manejo do solo e nas boas práticas agrícolas”, afirma Maia Júnior. 

Uma cesta ampliada poderia incluir, também, camarão, atum, tilápia, algodão, trigo, soja, leite, queijo, requeijão, iogurte, ovos, carne de frango, carne de boi e mais e mais.
 
STAR CAPITAL FARÁ USINA SOLAR EM HORIZONTE

Empresa dos sócios Victor Bayma e Gabriel Joca, a Star Capital, com sede nesta capital, informa que instalará, neste primeiro semestre, na zona rural de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, uma pequena usina de geração de energia solar fotovoltaica.

Ela já uma usina semelhante construída em Cascavel, no Litoral Leste do Ceará. 

A usina de Horizonte será construída em um terreno de dois hectares e terá potência instalada capaz de gerar 57.200 
Kwh/mês.

O investimento no projeto será de R$ 1,42 milhão. 

A Star Capital, empresa de pequeno porte, tem clientes em Recife, Salvador, São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de municípios cearenses de Sobral, Juazeiro do Norte e Morada Nova. 

INFLAÇÃO ALTA: CULPA DA ENERGIA E DOS COMBUSTÍVEIS

Ficou em 10,06% a inflação oficial de 2021.  A maior desde 2015.

O primeiro culpado foi a política de preços da Petrobras, que fez disparar em quase 50% o preço dos combustíveis, elevando o preço do frete rodoviário e, em consequência, o preço dos alimentos, o que é inflação na veia.

Outro vilão foi a bandeira vermelha estabelecida pela Aneel para as tarifas de energia elétrica, alegando a crise hídrica causada pela falta de chuvas. A pluviometria foi insuficiente para recarregar as barragens das hidrelétricas. Mais inflação, porque a energia é insumo básico da indústria.

Como a situação está voltando ao normal, e a bandeira vermelha já pode ser suspensa. Mas o lobby das distribuidoras é forte.

O pior é que os nordestinos somos injustamente apenados pela Aneel: a região Nordeste é que garantiu e garante, junto com a região Norte, o abastecimento de energia do Sul e Sudeste.

SENAI-CEARÁ QUALIFICA NOS PRESÍDIOS

No recente mês de dezembro, foram finalizadas mais turmas do projeto Sou Capaz, uma parceria do Senai-Ceará com o Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). 

Informa Paulo André Holanda, diretor regional do Senai-Sesi, que 1.998 internos do Sistema Prisional do Ceará concluíram cursos de Costureiro Industrial do Vestuário, Pedreiro, Gesseiro, Pintor de Obras Imobiliárias, Eletricista Instalador Residencial e Serralheiro de Metais Ferrosos.

Neste 2022, serão qualificados mais 5 mil internos. As aulas serão iniciadas em março. Os cursos do Senai-Ceará têm como objetivo a ressocialização de internos e egressos do sistema penitenciário cearense.

O Projeto Sou Capaz vem sendo desenvolvido desde 2019. São ofertados cursos nas áreas de construção civil, metalmecânica, refrigeração, madeira e mobiliário, automotivo, alimentos e vestuário.

AIRBUS NA FRENTE DA BOEING

Um detalhe da concorrência entre as gigantes da indústria aeronáutica – a norte-americana Boeing e a europeia Airbus.
Em dezembro passado, a Boeing, segunda maior fabricante, entregou 32 aviões de passageiros.

A Airbus, a primeira, entregou 93.

A terceira é a brasileira Embraer.