Eleição: Faec entregará plano quinquenal do agro aos candidatos
O planejamento será para o período 2027-2031 e será elaborado como colaboração do setor ao programa do próximo governo
Depois de celebrar ontem a maior festa da cristandade – a ressurreição de Jesus, fundamento da doutrina cristã – esta coluna e seu editor retomam o trabalho com uma boa informação, que é a seguinte: ao longo das próximas semanas, a Federação da Agricultura do Ceará (Faec), com o apoio de consultores especializados e do seu Centro de Inteligência e Inovação do Agro (Ciiagro), elaborará o Plano Quinquenal de Desenvolvimento da Agropecuária Cearense, que será entregue, na segunda quinzena de agosto, aos já oficializados candidatos ao Governo do Estado.
O plano, segundo revelou à coluna o presidente da Faec, Amílcar Silveira, abrangerá o período 2027-2031 e conterá os diagnósticos e as propostas de solução para os problemas que ainda retardam o crescimento do setor, que, nos últimos anos, tem puxado a economia do Ceará, a qual, por sua vez, segue representando, apenas, 2,2% do PIB nacional. A instalação do frigorífico da Masterboi em Iguatu, prevista para daqui a menos de dois anos, incrementará a atividade da agropecuária.
Amílcar Silveira quer tirar proveito da boa relação que, de 2021 para cá, a liderança política do agro cearense mantém com o governo estadual, “uma relação madura, respeitável, principalmente na atual gestão do governador Elmano de Freitas, razão pela qual pretendemos apresentar aos candidatos ao Palácio da Abolição um raio-x do nosso setor, cujo crescimento chega a ser mesmo impressionante”. Ele espera que o plano da Faec contribua para a construção do programa de governo dos candidatos.
O agro cearense alcançou um protagonismo que se amplia à medida que os produtores rurais das diferentes regiões do Ceará se unem em torno das iniciativas da Faec, que acaba de estabelecer, por exemplo, um calendário de exposições agropecuárias, assumindo, junto com os sindicatos rurais e com as prefeituras municipais, a coordenação desses eventos, que também crescem de volume à medida que atraem grandes empresas com seus estandes e com seus patrocínios.
A propósito: a PecBrasil, novo nome da Pecnordeste, que será realizada nos dias 25, 26 e 27 do próximo mês de junho, fechou a comercialização de todos os seus espaços, o que quer dizer que, mais uma vez, os dois pavilhões do Centro de Eventos serão ocupados pelos estandes das mais de 500 empresas e entidades privadas, como a Fiec, e públicas, como o BNB e o Complexo do Pecém, que dela participarão. No ano passado, a Pecnordeste deixou para a Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará o bom lucro de R$ 2 milhões.
Falando a esta coluna, o presidente da Faec, que coordena a PecBrasil, disse que, na edição deste ano, “haverá boas novidades do ponto de vista estético e tecnológico”. Ele não disse, mas uma fonte bem-informada adiantou que uma das novidades estará relacionada ao auditório principal do evento, no qual haverá a solenidade de abertura, presidida pelo governador Elmano de Freitas, e o show da cantora Marina Elali.
Na recente Feira da Indústria Fiec, um dos itens que mais chamaram a atenção do público, foi exatamente o auditório onde aconteceram a abertura os desfiles de moda e as principais palestras.
STARtUP CEARENSE CRIA SOLUÇÃO PARA OS KITESURFISTAS
Uma startup cearense (KiteSafe), nascida na praia do Cumbuco, 20 quilômetros a Oeste de Fortaleza, foi reconhecida como a ideia mais inovadora em edital de inovação azul e praias inteligentes da Unifor. O projeto atua na interseção entre o turismo, a tecnologia e a economia do mar, com um modelo que pode ganhar escala: transformar comunicação via satélite — hoje cara e pouco acessível — em serviço sob demanda. Na prática, é um modelo de “Hardware as a Service” (hardware como serviço) aplicado ao ambiente marítimo: o usuário reserva o equipamento, utiliza-o durante a prática (kitesurf/downwinds, por exemplo)) e paga apenas pelo período de uso.
Rômulo Soares, presidente da Câmara Setorial da Economia do Mar, que, como as demais, opera junto à Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), diz que esse aplicativo resolve um problema relevante:
“Aqui no Ceará, praticantes do kitesurf percorrem dezenas ou até centenas de quilômetros sobre o mar, sem cobertura de telefone celular, criando um risco operacional e limitando a profissionalização do setor”.
E acrescenta:
“Do ponto de vista de mercado, há duas frentes a serem exploradas: o B2C, para praticantes individuais (segurança + experiência), e a B2B, para escolas, eventos e operadores turísticos, com monitoramento em tempo real. Há uma leitura mais ampla e interessante: a digitalização de atividades no mar + crescimento do turismo de vento + avanço do conceito de ‘praias inteligentes’”.
Em resumo, temos aí um novo nicho da atividade econômica, todo suportado pela tecnologia criada e desenvolvida por uma startup cearense. Rômulo Soares não tem dúvida de que este “pode ser um primeiro caso mais estruturado de infraestrutura digital aplicada à segurança e operação de esportes náuticos no Brasil”.
Vale, então repetir o que esta coluna repete como um mantra: o melhor do Ceará é o cearense.
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