Eleição 2026: que herança receberá o eleito ou o reeleito?
Se a eleição fosse hoje, Lula ganharia de qualquer adversário. O mercado financeiro já vê essa possibilidade
Pensando naquilo – o ano eleitoral de 2026, prestes a iniciar-se – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá sequência hoje, quarta-feira, 3, na cidade de Horizonte, 40 km ao Sul de Fortaleza, ao seu roteiro de eventos públicos, iniciado na noite do último domingo, quando, em cadeia de televisão e rádio, anunciou a isenção do Imposto de Renda para 20 milhões de contribuintes que ganham até R$ 5 mil mensais e bons descontos para mais 5 milhões de eleitores que recebem até R$ 7.350 por mês. Na mesma fala, condenou os milionários, “que pagam menos Imposto de Renda do que a classe média”.
Logo mais, às 10 horas, o presidente Lula inaugurará o Polo Automotivo de Horizonte, 40 Km ao Sul de Fortaleza, onde uma empresa privada norte-americana, a General Motors (GM), mais conhecida no mundo todo pela marca Chevrolet, dará início à montagem de automóveis elétricos que se destinarão aos mercados interno e externo.
Será uma solenimício – solenidade com jeito de comício – a que estarão presentes, além das autoridades do governo estadual, os líderes empresariais cearenses, que, de acordo com Lula, são “super ricos, que ganham mais de R$ 1 milhão por ano e hoje não pagam nada, ou quase nada de imposto”.
Na verdade, o empresariado industrial cearense estará em Horizonte movido pelo interesse de prestigiar o governo do estado e sua Agência de Desenvolvimento (Adece), responsáveis pela atração das empresas automobilísticas que integrarão o Polo Automotivo, uma plataforma industrial que ocupa a mesma área onde funcionou, até recentemente, a fábrica da Troller, criada, desenvolvida e depois vendida à Ford pelo gênio cearense Mário Araripe, fundador e controlador da Casa dos Ventos, maior desenvolvedora de projetos de geração de energias renováveis do país, e também um milionário cuja empresa paga impostos e ajuda o Brasil a crescer.
Um grande empresário cearense do setor financeiro participou há 10 dias, em Nova Iorque, de um encontro promovido pelo Banco Santander Brasil, cujos economistas revelaram o seguinte: do ponto de vista de hoje, de acordo com as pesquisas disponíveis, Lula será reeleito. A mesma fonte comentou que “tudo está mesmo caminhando para esse resultado” – a começar pela oposição, que rachou em bandas, e a culpa, diz a fonte, “é da família Bolsonaro, que quer impor um dos seus à condição de candidato à presidência da República”.
Um consultor de empresas, também cearense, participou, duas semanas atrás, na cidade de São Paulo, de um encontro coordenado por outro grande banco nacional, cujo economista-chefe disse o seguinte, com outras palavras:
“Se a eleição fosse hoje, Lula ganharia sem problema. O pleito, porém, só acontecerá em outubro do próximo ano. Falta muito tempo ainda, e até lá a economia, dois meses antes do pleito, dará o rumo da prosa. Há graves problemas fiscais no horizonte de hoje e, igualmente, no do meio do ano que vem – aumento da dívida e dos seus juros, ampliação do déficit orçamentário, o da Previdência no meio, quadro ruim das estatais, incerteza quanto à inflação e ao comportamento do Banco Central em relação à taxa Selic e insegurança jurídica são alguns desses problemas.
Mas o que preocupa os setores produtivo e financeiro é o “day after”, o dia seguinte ao da eleição. Que herança o atual governo deixará para si mesmo, em caso de reeleição, ou para o seu sucessor? Imagine este cenário: a oposição, na hipótese de haver vencido o pleito, logo se deparará com um quadro fiscal gravíssimo, exigindo providências mais ou menos parecidas como as que tomou Javier Milei na Argentina.
Antes da posse, serão anunciadas providências do tipo revisão da lista de beneficiados de todos os programas sociais do atual governo, iniciando pelo Bolsa Família; revisão ou extinção das renúncias fiscais; redução do tamanho da máquina pública, com fechamento de ministérios e organismos públicos desnecessários; privatização de estatais; revisão dos supersalários. Para adotar estas medidas, o eleito terá de ser corajoso e de dispor de uma maioria no Congresso Nacional, o que custará caro, muto caro, todos o sabemos.
No caso de reeleição de Lula, medidas duras terão de ser tomadas para evitar o caos.
Resumindo: ou o vencedor de 2026 fará o que terá de ser feito, e em curtíssimo prazo, ou o Brasil se declarará em falência, deixando de pagar os juros de sua trilionária dívida, quase toda ela em reais, graças a Deus.
Dividida, como permanece desde 2022, a sociedade brasileira precisará manifestar-se sobre se está disposta a manter o “status quo” ou se quer uma mudança do tipo “cavalo de pau”.
Ela precisará, em 2026, decidir se quer continuar sustentando o estado mastodonte que existe hoje, ou se quer substitui-lo por outro menor, de custo bem reduzido, mas eficiente.
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