Eleição 2026: energia, água e estradas preocupam Faec e Fiec
Grandes projetos da indústria e do agro cearenses dependem de novas Linhas de Transmissão e do Projeto São Francisco
Na antevéspera da primeira edição da PecBrasil, nome que ganhou a antiga Pecnordeste, maior feira indoor (em ambiente fechado) do país, as principais lideranças da agropecuária cearense mantêm a expectativa a respeito do que os três candidatos ao governo do estado, com chances de vitória, pensam a respeito dos dois setores e do seu futuro próximo.
Nem Elmano de Freitas, com cujo governo a indústria e o agro mantêm uma boa e respeitosa convivência, nem seus adversários Ciro Gomes e Eduardo Girão têm, pelo menos por enquanto, um plano estratégico quadrienal para o desenvolvimento das diferentes áreas da agricultura e da pecuária cearenses.
Antecipando-se aos pré-candidatos, mas aguardando que eles se tornem candidatos oficiais por suas respectivas coligações partidárias, a Faec – Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará, presidida por Amílcar Silveira – está a elaborar um planejamento estratégico que lhes será entregue após a realização das convenções do próximo mês de julho.
Por sua vez, a Federação das Indústrias (Fiec), liderada por Ricardo Cavalcante, já aprontou o seu Plano Estratégico da Indústria, contendo sugestões que orientarão o próximo governo na formulação de políticas públicas voltadas para o setor secundário da economia estadual.
A Faec olha com mais preocupação para os recursos hídricos -- a agricultura cearense depende 100% das chuvas. Este foi um ano de baixa pluviometria: as chuvas, embora tenham caído em todas as regiões do estado e tenham molhado a terra de modo suficiente a permitir uma boa colheita agrícola neste 2026, foram, todavia, insuficientes para a recarga dos grandes açudes (o único dos quatro maiores reservatórios a verter foi o Orós, que até ontem permanecia vertendo).
Assim, para enfrentar as necessidades do agro em 2027, o Ceará terá de contar com a ajuda do Projeto S. Francisco, que desde o ano passado está sem bombear água para o Castanhão.
O governador Elmano de Freitas tem sustentado os investimentos no Eixão das Águas, cujos sifões estão sendo duplicados para permitir o aumento de sua vazão dos atuais 11 m³ por segundo para 22 m³ por segundo, obra que será concluída no fim deste ano.
Desse importante investimento faz parte, também, a ampliação da Estação Elevatória do Açude Pacajus, cujas águas são bombeadas para o canal que as conduz aos açudes Pacoti, Riachão e Gavião, onde está a Estação de Tratamento (ETA) da qual sai a rede de distribuição que abastece Fortaleza e as cidades de sua Região Metropolitana.
Esse mesmo olhar de preocupação tem a Fiec, que acompanha as providências do governo estadual, por meio da Cagece e de sua parceira Utilitas, que garantirão o fornecimento de água às empresas de Data Center e de produção do Hidrogênio Verde que se implantarão na geografia do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Sabe-se que essa demanda está estimada, até agora, em cerca de 3 m³ por segundo, ou seja, metade do que a Cagece/Utilitas podem produzir e entregar em água de reuso.
Do plano estratégico em elaboração pela Faec constará um gargalo antigo: a precária situação das estradas pelas quais circula toda a produção da agropecuária do Ceará, incluindo a leiteira e a da hortifruticultura. Essas rodovias, a maioria vicinais, carroçáveis, mas algumas asfaltadas, estão pedindo o rápido socorro do governo estadual.
Outro gargalo é o relativo à burocracia da máquina governamental, principalmente no que diz respeito ao licenciamento ambiental, que, aliás, melhorou bastante na área da carcinicultura (os criadores de camarão são agradecidos ao governador Elmano de Freitas), mas ainda operando no modo lento para outros setores.
Em um ponto, a preocupação do agro coincide com a da indústria: o fornecimento de energia elétrica. Faltam Linhas de Transmissão e mais subestações para garantir o transporte das fontes geradoras de energia renovável até os centros consumidores, incluindo os Data Centers e as indústrias do Complexo do Pecém.
O que de positivo se colhe da atitude conjunta da Fiec e da Faec é o compromisso que as duas entidades assumiram para manter no viés de alta o crescimento da indústria e do agro do Ceará.
É muito bom constatar que as duas entidades estão movidas pelo compromisso de acelerar o crescimento da economia cearense, e para isto será essencial sustentar a boa parceria com o governo estadual no próximo quadriênio, seja ele qual for.
CARNEIRO INDÚSTRIA E COMÉRCIO CELEBRA 70 ANOS
Há festa hoje no Sertão Central do Ceará, que celebra, em Quixadá e em Quixeramobim, os 70 aos de fundação da Carneiro Indústria e Comércio Ltda, criada pelo patriarca da família, Damião Carneiro, que, fugindo com os pais da seca de 1915, saiu do Rio Grande do Norte e veio para o Ceará, alojando-se em Quixadá, único município nordestino com um açude cheio de água – o Cedro, construído pelo imperador D. Pedro II.
Em 1956, com os filhos adolescentes, Damião mudou-se para a sede municipal de Quixeramobim e lá fundou a empresa Carneiro Indústria e Comércio. Depois de Damião, o comando dos negócios da família transferiu-se para o filho Álvaro, que os ampliou: hoje, além da indústria de beneficiamento do caroço de algodão, a empresa, agora comandada pelo seu filho Airton Carneiro, tem, também, uma unidade industrial que produz ração animal com a ajuda de dezenas de colaboradores.
Airton Carneiro disse à coluna que o êxito de sua empresa se deve à herança dos seus avós e dos seus pais, que lhe ensinaram a manter-se fiel aos princípios da austeridade, da honestidade e da dedicação permanente ao trabalho.
Investir na atividade agrícola em área de clima e solo tão hostis, como é o semiárido nordestino – o do Ceará no meio – é tarefa que só os fortes e competentes podem assumir. A família carneiro mostra-se, há sete décadas, forte e competente.
VEM AÍ O ENCONTRO DAS MULHERES DO AGRO
No próximo sábado, dia 27, no Centro de Eventos do Ceará, haverá mais um Encontro das Mulheres do Agro, que reunirá duas mil mulheres que trabalham em fazendas da agropecuária cearense. Várias dessas mulheres são donas de suas fazendas, mas a maioria são gerentes ou capatazes que comandam uma atividade tradicional e majoritariamente masculina.
Uma das coordenadoras desse encontro é a agricultora Rita Grangeiro, sócia e CEO da Fazenda Grangeiro, que, em Paracuru, produz durante o ano todo coco e feijão verdes. Ela disse à coluna que o Encontro das Mulheres do Agro, que se realizará dentro da PecBrasil, cuja abertura será quinta-feira, às 8 horas, debaterá, com palestras e aulas práticas, problemas que ainda atormentam as mulheres que trabalham plantando e colhendo alimentos e criando bois, galinhas, porcos, cabras e carneiros nas diferentes regiões do Ceará.
Por sua vez, a empresária Candice Rangel, criadora de gado Nelore de leite e de corte, com fazenda em Brejo Santo e na Chapada do Araripe, disse que as mulheres já ocupam hoje 20% de toda a mão de obra do agro do Ceará, o que revela o avanço feminino sobre um território masculino.
O Encontro das Mulheres do Agro acontecerá, como no ano passado, no grande auditório da Feira dos Municípios da Pec Brasil, que estará localizado no Pavilhão Leste do Centro de Eventos.
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