Déficit das contas do governo em julho derruba a Bolsa

O déficit de R$ 35,9 bilhões foi o maior da história para o mês de julho. O governo segue gastando muito mais do que arrecada

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:03)
Legenda: Ontem, o Senado Federal aprovou PL que recria o voto de qualidade a favor do Governo no CARF
Foto: Agência Senado
Um oferecimento de:

Ao contrário das bolsas dos Estados Unidos, que fecharam em alta ontem, a Bolsa de Valores brasileira B3 fechou em queda de 0,73%, aos 117.535. 

O dólar, por sua vez, subiu 0,36%, encerrando o dia cotado a R$ 4,86.

Nos Estados Unidos, os investidores gostaram dos novos números relativos ao mercado de trabalho, que vieram menores do que o esperado, o que revela a efetividade da política de juros altos estabelecida pelo Federal Reserve para reduzir a inflação.

Veja também

Aqui no Brasil, a queda da Bolsa B3 teve algumas causas, a primeira das quais foi o relativo às contas do governo, que fecharam o último mês de julho com um déficit de R$ 35,9 bilhões, o maior da história para o mês de julho. 

O governo continua gastando muito mais do que arrecada, e vai continuar assim porque não há sinal visível de que que isso mudará. Pelo contrário, o sinal visível é de que a gastança prosseguirá.

Ontem, no meio da tarde, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse que a proposta do Orçamento Geral da União para 2024 será encaminhada nesta quinta-feira ao Congresso Nacional com déficit zero, ou seja, despesas e receita iguais. Mas o mercado não acredita nessa promessa, pois sua aposta é de que, no próximo ano, as contas do governo fecharão deficitárias, de novo.

Simone Tebet disse que as despesas obrigatórias do governo em 2024 crescerão R$ 129 bilhões, e esta informação reduziu a importância da boa notícia de que o número de empregos criados em julho foi menor do que o do mês anterior de junho, o que mostra a redução da atividade econômica, algo que poderá influir na redução da taxa de juros Selic na reunião de setembro do Copom. 

As ações dos grandes bancos caíram ontem: as do Itaú fecharam em queda de 1,91%; as do Bradesco desvalorizaram-se 2,13%; e as do Banco do Brasil perderam 1,41%.

Ontem à noite, o Senado Federal aprovou o projeto-de-lei de autoria do governo, restabelecendo o chamado voto de qualidade no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (CARF). Isto quer dizer que, em caso de empate, esse voto de qualidade será favorável ao governo. 

A decisão é mais uma boa notícia para o governo, porque é no CARF que se decidem as grandes questões envolvendo querelas tributárias entre os contribuintes e a Receita Federal.

Mas as empresas que forem derrotadas no CARF poderão recorrer ao Judiciário, e aí as questões demorarão longo tempo até serem decididas.