Singapura abre seu mercado para o camarão brasileiro

Como o Nordeste - o Ceará, destacadamente - é o maior produtor do país, a notícia é importante para a carcinicultura cearense

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 07:25)
Legenda: Abertura do mercado de Singapura é uma boa notícia para os criadores de camarão do Ceará
Foto: Divulgação
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Excelente notícia para a carcinicultura e a aquicultura brasileiras! O governo de Singapura, um cidade-estado da Ásia, concedeu aprovação sanitária para a importação de crustáceos, como camarão e lagosta, e moluscos bivalves, como ostra e mexilhão congelados produzidos no Brasil. 

O certificado sanitário internacional vigente, agora renegociado, já permitia a exportação de pescados brasileiros provenientes da pesca extrativa e da aquicultura. 

O anúncio representa importante conquista em razão do volume de consumo per capita singapuriano desses produtos – em torno de 22 quilos de pescados em geral por ano. 

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Em 2022, Singapura importou o equivalente a US$ 937 milhões em pescados oriundos da Malásia, China e Noruega. Desse volume, US$ 223 milhões corresponderam a crustáceos e US$ 115 milhões a moluscos.

Esse resultado soma-se à recente a abertura do mercado de Singapura também para carne bovina e suína de procedência brasileira. Ambos os resultados são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Para o empresário cearense Cristiano Maia, presidente da Camarão BR – entidade nacional que congrega os maiores criadores de camarão do país – esta é uma notícia que abre novo horizonte para a carcinicultura do Brasil – a do Nordeste e a do Ceará mais destacadamente – uma vez que esta é a região maior produtora do Brasil.

Cristiano Maia tem, nos últimos dois anos, desenvolvido esforço pessoal junto ao Ministério da Agricultura no sentido da abertura do mercado europeu para o camarão brasileiro. 

O Ceará já exportou camarão para a Europa, mas esse mercado fechou por imposição da União Europeia, que impôs severas taxas de importação para o camarão brasileiro. E não somente para o camarão – para as frutas, também.

A decisão do governo de Singapura é um bom alento para os milhares de cearenses que, nos últimos três anos, trocaram a agricultura pela carcinicultura, que avança em alta velocidade na região do Vale do Jaguaribe, principalmente no município de Morada Nova, onde as águas do antigo e mal concebido Projeto de Irrigação do Dnocs servem hoje à crescente produção de camarão.

Ali, essa atividade cresceu tanto que os carcinicultores criaram, primeiro, a Associação dos Criadores de Camarão do Ceará e, em seguida, a Cooperativa dos Produtores de Camarão (Copacam), que agora trabalha com o objetivo de instalar uma unidade industrial para o processamento do seu produto, agregando-lhe valor pelo uso da tecnologia e, assim, facilitando o processo de sua comercialização, que já alcança até o mercado de São Paulo.

Cristiano Maia, que é o maior criador de camarão do país, com fazendas e laboratórios no Ceará e no Rio Grande do Norte, tem dito e repetido que a demanda mundial pelo crustáceo cresce em progressão geométrica, razão pela qual a produção brasileira – o que significa a produção nordestina – tem também subido como um foguete. 

“Se não fosse a restrição europeia, o camarão produzido no Brasil já estaria no mesmo patamar de produção do Equador, que ainda é o maior produtor do mundo”, explica o presidente da Camarão BR.

Ainda de acordo com Cristiano Maia, a carcinicultura nordestina, principalmente a do Ceará, alcançou padrões internacionais, para o que conta hoje com laboratórios modernos que trabalham para a melhoria genética, para a prevenção da “mancha branca”, uma terrível doença que castiga os criatórios, e para garantir a alta qualidade do produto brasileiro.

Muito recentemente, o governador Elmano de Freitas encaminhou ao Poder Legislativo uma proposta, já aprovada, que facilita e desburocratiza os processos de obtenção do licenciamento ambiental das fazendas cearenses de criação de camarão. Essa providência livra milhares de carcinicultores de um problema antigo e, ao mesmo tempo, incentiva a atividade, na qual investem outros milhares de produtores rurais.