Cultivo protegido: Holanda quer parceiro. Pode ser o Ceará
Holandeses vêm aí para, com seu sócio cearense, escolher onde produzirão hortifrutis sob estufas
Duas semanas depois de realizada a Missão do Ceará à Holanda, chegam de Amsterdam notícias que passam a despertar o interesse dos empresários, executivos de empresas e técnicos e autoridades do governo cearense que a integraram e que de lá retornaram com a certeza de que o cultivo protegido não será o futuro, mas já é o presente da hortifruticultura. Leiam a seguir o texto que o jornalista holandês Ruud van der Vliet escreveu em sua conta no Likedin, como se seu alvo fossem os missionários cearense. Leiam com atenção:
“A Europa não pode viver apenas do sol de inverno!
“As mudanças climáticas estão tornando o abastecimento europeu de hortaliças frescas cultivadas em estufas cada vez mais imprevisível. Secas, calor, restrições hídricas e chuvas extremas estão afetando o cultivo, a colheita, a qualidade e a logística.
“A mudança da produção (dos holandeses) da Espanha para o Marrocos parece uma resposta lógica do mercado.
“No entanto, mudar o local de produção não é uma solução estrutural, nem é automaticamente mais sustentável. O Marrocos também enfrenta estresse hídrico e volatilidade climática. Quem transfere a produção sem considerar as pegadas hídrica, energética, social e logística pode estar simplesmente deslocando o risco.
“Os Países Baixos continuam sendo um fornecedor confiável e seguro de hortaliças de estufa para o varejo europeu durante todo o ano. Ao mesmo tempo, a Espanha e o Marrocos são essenciais nos meses de inverno para garantir volume, variedade de produtos e preços acessíveis. A chave não está em escolher entre o Norte e o Sul, mas em manter um portfólio de produção europeu robusto.
“Um desafio claro apresenta-se para os Países Baixos. Nossas instalações de produção estão entre as mais avançadas e eficientes no uso de recursos em todo o mundo; ainda assim, a transição energética precisa acelerar. Fontes de calor sustentáveis, eletricidade, infraestrutura de CO₂ e capacidade de investimento determinarão se a produção contínua (durante todo o ano) permanecerá viável a longo prazo.
“Novos conceitos de estufas são promissores. Melhor isolamento térmico, sistemas avançados de sombreamento e telas, recuperação de calor, iluminação LED, desumidificação e controle climático inteligente podem reduzir significativamente o consumo de energia sem comprometer a produtividade ou a qualidade
“Não se pode tomar como garantida a oferta de produtos frescos durante todo o ano. Isso exige inovação, diversificação geográfica e colaboração entre empresas de sementes, produtores, fornecedores de tecnologia, financiadores e varejistas. Em minha opinião, o princípio norteador não deve ser o preço mais baixo por quilo hoje, mas sim a cadeia de suprimentos mais confiável e sustentável para o futuro.”
Lendo o que escreveu van der Vliet, fica a a certeza de que o Brasil, mais especificamente o Ceará, tem todas as chances de produzir e exportar para os Países Baixos os hortifrutis cearenses cultivados sob estufas. Esta certeza cresce com a notícia de que, nas próximas semanas, chegará aqui o time holandês da Equity International Business, com o qual se uniu o empresário cearense Edilberto Rodrigues, de cujo contrato já nasceu a joint venture Agratech Solutions, que investirá no cultivo protegido de hortifrutis, o tomate como primícias. Em que lugar do Ceará? Ainda é um mistério que será desvendado após estudos que a Agratech fará, levando em conta 1) segurança hídrica, 2) existência, nas proximidades do projeto, de uma escola de formação de técnicos voltada para os diferentes ramos do agro, 3) logística de transporte para crescer e 4) inexistência de conflitos de interesse na área.
“Instalaremos o nosso projeto onde indicarem os estudos. É um projeto privado, acima dos interesses da política. A Holanda está aberta à importação do que produzirmos aqui, e o que produziremos atenderá, também, o mercado interno brasileiro, o cearense em primeiro lugar”, como disse à coluna Edilberto Rodrigues. Ele não esconde sua decisão de investir no cultivo protegido, e para isto fará, com os seus sócios holandeses, um projeto piloto que dissipará uma dúvida: será possível produzir no Ceará os mesmos 80 quilos de tomate que a Holanda produz por metro quadrado sob estufas?
O secretário Executivo do Agronegócio da SDE, Sílvio Carlos Ribeiro, diz que sim. E acrescenta:
“Com uma vantagem: o custo de produzir aqui é muito mais baixo do que o da Holanda”, e ele tem razão.
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