Com pouca chuva, pecuária cearense vive um drama

Cristiano Maia, dono de 3 mil cabeças de gado leiteiro e de corte da raça Girolando, ensina o que fazer quando a estiagem é prolongada

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 05:02)
Legenda: Pecuaristas cearenses, como Cristiano Maia, estão usando embriões de Nelore para melhorar a qualidade genética dos seus rebanhos
Foto: Fabiane de Paula / SVM
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Esta é a hora em que o empresário da agricultura e da pecuária tem de decidir o que fazer com sua terra e com seu rebanho bovino leiteiro ou de corte. Mas essa decisão depende 100% da previsão da autoridade que monitora o clima no Ceará – a Funceme. Este colunista esteve presente à exposição que, na última segunda-feira, 26, o presidente da Funceme, Eduardo Martins, fez para 25 líderes da agropecuária cearense, que o ouviram com atenção e emoção, pois o cenário da estação de chuvas apresentado para este ano veio carregado de dúvidas, principalmente no próximo mês de fevereiro, cuja pluviometria terá os primeiros 15 dias na média histórica e os outros 13 dias abaixo da média. 

Cristiano Maia, dono do Grupo Samaria, um conjunto de empresas que atuam em vários segmentos da atividade econômica, incluindo a agropecuária, participou da reunião com o presidente da Funceme, ao qual pediu a palavra para dizer que nasceu “dentro de um curral”, ou seja, em contato direto com bois e vacas, e por isto não o assusta uma estiagem prolongada.  

Ele contou que seu rebanho de 3 mil cabeças de gado bovino de leite e de corte é quase todo Girolando, uma raça rústica que é mais resistente à pouca chuva e que responde bem à alimentação com capim ou com forragens – uma mistura de milho, sorgo e palma forrageira guardada em silos de superfície. Mas se a chuva demorar a chegar, Cristiano não contará até três: fará o que já fez em passadas e semelhantes circunstâncias – providenciará a venda do que pode ser vendido ou a transferência do rebanho para fazendas de engorda no Maranhão.  

Cristiano Maia aconselha seus colegas agropecuaristas a repetirem o que ele faz em suas propriedades localizadas em três municípios da região jaguaribana – Jaguaribara, Jaguaribe e Jaguaruana. Ele diz que seu gado Girolando produz em média 15 litros de leite por dia. Essa produção é toda consumida por pequenas unidades industriais que produzem queijo na mesma região de influência do rio Jaguaribe. Mas ela pode ser melhorada. Na sua fala para o presidente da Funceme e para os demais líderes do agro do Ceará, Cristiano transmitiu uma informação em primeira mão: vai utilizar embriões de gado Nelore para melhorar a qualidade genética de seu rebanho. 

“O Nelore é uma raça muito boa, também resistente ao clima quente do Nordeste, e em expansão no Ceará. Conheço muito pecuarista que já está melhorando a genética dos seus bois Girolando, por meio do uso de embriões de Nelore, e esta é uma acertada providência que eu já tomei”, acrescentou ele.  

As chuvas que desabaram nos últimos três dias sobre os municípios do Ceará, principalmente no Litoral Norte e na Chapada da Ibiapaba, devolveram o sorriso aos agropecuaristas. As chuvas também caíram em outras áreas do estado, causando o mesmo sentimento de contido otimismo. Do ponto de vista científico, porém, a perspectiva para as chuvas deste ano é de muita preocupação.  

De acordo com o presidente da Funceme, a tendência é de que o Ceará enfrentará um “inverno” de baixa pluviometria. No Litoral, que se estende Icapuí, no Norte, até Barroquinha, na divisa com o Piauí, a pluviometria tende a ser melhor, beneficiada pelos ventos, pelo menos é o que indicam as estatísticas. Mas no Sertão central e nas demais áreas estaduais, as chuvas serão na média ou abaixo dela. 

LAURO CHAVES É PÓS-DOUTORADO COM NOTA ‘EXCELENTE” 

Com avaliação Excelente”, o economista Lauro Chaves Neto, professor da Uece e consultor da Fic, concluiu o seu pós-doutorado em Estratégia Empresarial na University of Massachusetts (EUA) com a pesquisa “Competitive Advantage and Strategy for Small Businesses and Startups in an Artificial Intelligence Environment” (Vantagem Competitiva e Estratégia para Pequenas Empresas e Startups em um ambiente de Inteligência Artificial).” 

Na pesquisa, ele mostrou que o ritmo acelerado da transformação digital tem posicionado a adoção da Inteligência Artificial (IA) como um dos principais vetores de desenvolvimento empresarial, competitividade e inovação.  

“Em um ambiente global de negócios cada vez mais interconectado e integrado, o desenvolvimento e a implementação de uma estratégia coerente tornaram-se mais críticos do que nunca para o sucesso organizacional”, disse ele à coluna. 

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