CNI entrega aos presidenciáveis propostas para a economia
O documento foi entregue aos pré-candidatos Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro
Repetindo o que fizera nas eleições anteriores, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou aos pré-candidatos à presidência da República e ao Congresso Nacional um conjunto de propostas voltadas ao aumento da competitividade da economia brasileira, à expansão dos investimentos produtivos e à geração de empregos. Romeu Zema, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado (Lula não compareceu) receberam do presidente da CNI uma agenda que a entidade da indústria considera essencial para a retomada da atividade econômica.
Para as eleições deste ano de 2026, a agenda da indústria está estruturada em torno da modernização do ambiente de negócios, fortalecimento da indústria, aumento da produtividade e consolidação da reforma tributária. Eis os pontos principais das propostas:
1. Visão Estratégica
A CNI defende que o crescimento sustentável do Brasil depende de uma indústria mais competitiva, inovadora e integrada às cadeias globais de valor. A entidade destaca que os principais concorrentes internacionais estão implementando políticas industriais focadas em Digitalização; Inteligência Artificial; Descarbonização; Segurança energética; Inovação tecnológica e Resiliência das cadeias produtivas.
Segundo a CNI, o Brasil precisa adotar estratégia semelhante para evitar perda de competitividade internacional.
2. Reforma Tributária e Competitividade
A agenda industrial considera prioritária a implementação eficiente da reforma tributária do consumo, especialmente do IBS e da CBS. Principais pontos defendidos:
Neutralidade tributária; Não cumulatividade plena; Ressarcimento rápido de créditos; Simplificação das obrigações acessórias; Redução do contencioso tributário; e Segurança jurídica para investimentos.
A indústria entende que a correta implementação da reforma poderá elevar a produtividade e reduzir significativamente o chamado “Custo Brasil”.
3. Política Industrial e Neoindustrialização
A CNI propõe uma política industrial moderna baseada em Eixos prioritários:
Transformação digital; Indústria 4.0; Inteligência Artificial; Automação; Biotecnologia; Economia verde; Descarbonização.
Objetivos: Elevar produtividade; Aumentar exportações; Atrair investimentos estrangeiros; Expandir pesquisa e desenvolvimento;* Fortalecer cadeias produtivas nacionais.
4. Infraestrutura e Logística
A infraestrutura continua sendo apontada como um dos maiores gargalos para o crescimento econômico. A CNI propõe:
Transportes: Expansão ferroviária; Modernização portuária; Ampliação de rodovias concedidas; Melhor integração multimodal.
Saneamento: Universalização dos serviços; Segurança regulatória para investidores.
Telecomunicações: Ampliação da conectividade; Expansão da infraestrutura digital.
Essas medidas têm como objetivo reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das exportações brasileiras.
5. Energia e Gás Natural
A energia é considerada fator crítico para a competitividade industrial. Principais propostas:
Energia Elétrica: Modernização do setor elétrico; Aumento da competição; Redução de subsídios cruzados; Menor custo para consumidores industriais.
Gás Natural: Ampliação da concorrência; Expansão da infraestrutura de transporte; Redução dos preços praticados no mercado nacional.
A indústria argumenta que os custos energéticos brasileiros permanecem acima dos observados em países concorrentes.
6. Inovação, Tecnologia e Pesquisa
A CNI defende ampliação dos investimentos em:
* Pesquisa e Desenvolvimento (P&D); Startups industriais; Centros tecnológicos; Universidades; Formação de pesquisadores.
Também propõe: Estímulo à propriedade intelectual; Fortalecimento do sistema nacional de inovação; Ampliação dos incentivos para inovação tecnológica.
7. Comércio Exterior
A entidade destaca que a economia brasileira ainda possui baixa integração internacional.
Principais medidas sugeridas: Ampliação de acordos comerciais; Redução de barreiras não tarifárias; Facilitação aduaneira; Digitalização dos processos de exportação; Fortalecimento do financiamento às exportações.
A CNI entende que o aumento das exportações industriais é essencial para o crescimento econômico de longo prazo.
8. Mercado de Trabalho e Educação
A agenda propõe:
Educação: Fortalecimento do ensino técnico; Modernização dos cursos de engenharia; Formação em tecnologia e inovação; Qualificação profissional contínua.
Relações Trabalhistas: Segurança jurídica; Simplificação regulatória; Atualização das normas para novas formas de trabalho; Redução da burocracia trabalhista.
Previdência e SST: Harmonização entre legislação previdenciária e trabalhista; Redução de conflitos regulatórios; Maior previsibilidade para empresas e trabalhadores.
9. Sustentabilidade e Economia Verde
A indústria reconhece a crescente importância da agenda ambiental.
As propostas incluem: Mercado regulado de carbono; Economia circular; Eficiência energética; Aproveitamento sustentável da biodiversidade; Segurança hídrica; Licenciamento ambiental mais eficiente.
O objetivo é combinar sustentabilidade ambiental com crescimento econômico.
10. Segurança Jurídica e Redução do Custo Brasil
A CNI identifica a insegurança jurídica como um dos principais obstáculos ao investimento.
As prioridades incluem: Estabilidade regulatória; Maior previsibilidade das decisões administrativas; Redução do contencioso judicial; Aperfeiçoamento das agências reguladoras; Simplificação burocrática.
Além disso, estudos recentes da entidade apontam que fatores como violência, insegurança logística e elevados custos operacionais continuam ampliando o Custo Brasil e reduzindo a competitividade empresarial.
Conclusão
As propostas da indústria para as eleições de 2026 convergem para cinco grandes objetivos:
1. Implementar plenamente a reforma tributária;
2. Reduzir o Custo Brasil;
3. Promover a neoindustrialização baseada em tecnologia e inovação;
4. Melhorar infraestrutura e energia;
5. Aumentar a inserção internacional da economia brasileira.
Na visão da CNI, a combinação dessas medidas poderá elevar a produtividade nacional, aumentar a participação da indústria no PIB, ampliar exportações e gerar empregos de maior qualificação e renda.
Observação para sua análise estratégica: para o setor industrial do Ceará, especialmente segmentos intensivos em mão de obra como têxtil, confecções, calçados, alimentos e lácteos, as propostas relacionadas à reforma tributária, energia, logística, comércio exterior e política industrial tendem a ter impacto direto na capacidade de retenção de investimentos após a migração da arrecadação do IBS para o destino. Esse é um ponto que pode ser explorado em apresentações para entidades empresariais e governos estaduais.
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