Banco Master: CPMI do Congresso pode desvendar a lista de Daniel Vorcaro

Celulares do dono do Master e documentos apreendidos pela Polícia Federal assustam políticos, ministros do governo e magistrados do STF

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 08:03)
Legenda: Deputados federais e senadores estão apreensivos com o que pode revelar o explosivo arquivo do celular de Daniel Vorcaro
Foto: Marcelo Casal / Agência Brasil
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Mais uma inacreditável novidade surgiu no noticiário sobre o escândalo do Banco Master, cujas fraudulentas operações causaram prejuízos superiores a R$ 50 bilhões a 1,6 milhão de pessoas físicas e jurídicas no país todo: o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachim, decidiu arquivar o processo que levantava dúvidas sobre a atuação do ministro Dias Toffoli, antigo relator do caso do Banco Master.  

Traduzindo: o relatório da Polícia Federal entregue pelo seu diretor-geral, Andrei Augusto Rodrigues, ao ministro Fachim e produzido com base nas informações extraídas dos celulares e de documentos apreendidos durante a Operação Compliace Zero, no dia 18 de novembro do ano passado, apurou estreitas relações do dono do Master, Daniel Vorcaro, com o ministro Dias Toffoli, que na época era o relator do caso no STF.  

Esse processo foi aberto no dia 10 deste mês de fevereiro, quando a Polícia Federal entregou um relatório de 200 páginas ao ministro Edson Fachim. Nos arquivos do celular de Vorcaro, a Polícia Federal descobriu mensagens trocadas por ele com o ministro Toffoli. E descobriu, também, que Vorcaro e Toffoli se encontraram pelo menos seis vezes. E mais: Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zetel acertaram pagamentos ao ministro do STF. 

Agora, não mais se saberá novos detalhes e informações sobre as relações de Toffoli com Vorcaro, porque o caso foi arquivado. Mas Toffoli poderá participar de todos os julgamentos envolvendo o caso do Banco Master. 

A decisão de arquivar esse processo foi adotada no dia 12 de fevereiro, quando se reuniram os ministros do STF. Nessa reunião, Dias Toffoli deixou a relatoria do caso por pressão dos seus colegas, aos quais impôs algumas condições, entre elas o arquivamento do processo de suspeição contra ele.  

O novo relator do caso é o ministro André Mendonça, com quem o ministro Toffoli teve públicas divergências em sessões do pleno do STF. Mendonça deu carta branca à Polícia Federal e determinou que todo o conjunto de documentos apreendidos pela PF na Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro, sejam também entregues à CPMI do Congresso Nacional que investiga o escândalo do INSS, no qual o Banco Master também está envolvido. 

Esses documentos estavam, até a semana passada, nas mãos do presidente do Senado, David Alcolumbre, cujo irmão é conselheiro do Fundo de Previdência do Amapá, que investiu R$ 400 milhões em CDBs do Banco Master.  

David Alcolumbre já deve ter lido todos esses documentos apreendidos pela Polícia Federal, e agora sabe o nome de cada um dos políticos -- deputados, senadores, governadores, ministros – que estão, direta ou indiretamente, ligados ao escândalo do Banco Master. Agora, essas informações serão, também, do conhecimento dos deputados que integram a CPMI do escândalo do INSS.  

Ontem, a revista Veja publicou informações sobre o caso, lembrando que a indicação de André Mendonça para o STF, feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, demorou quatro meses para ser aprovada pelo Senado. E o culpado pela demora foi, exatamente, David Alcolumbre, cujo nome está na lista de Daniel Vorcaro.