Balanço 2025 da ArcelorMittal mostra impacto causado pela China
A unidade de Pecém alcançou o melhor desempenho operacional de sua história, mas receita líquida caiu 11,9% em 2025
Saíram os resultados financeiros e operacionais da ArcelorMittal Brasil relativos ao exercício de 2025. As importações predatórias, sobretudo da China, e as tarifas impostas pelo Governo dos Estados Unidos afetaram os resultados financeiros e operacionais da organização e de todo o setor do aço brasileiro. Ainda assim, a ArcelorMittal manteve-se como líder no Brasil, com 42% da produção nacional de aço bruto, os investimentos programados e permaneceu firme em seus valores de segurança, sustentabilidade, qualidade e liderança.
A produção total de aço somou 15,14 milhões de toneladas – um recuo de 1,3% em relação a 2024. A produção de minério de ferro alcançou 2,34 milhões de toneladas, montante 18,3% menor que 2024. Neste caso, o resultado foi impactado pela transição da Mina de Serra Azul, que concluiu a implantação de uma planta de produção de pellet feed, cujo início da produção ocorreu em agosto de 2025, e encontra-se em ramp up para atingir sua capacidade esperada de produção.
O volume de vendas de aço bateu em 14,9 milhões de toneladas, com queda de 1,9% em relação a 2024. Deste total, 8,4 milhões de toneladas (57%) foram destinadas ao mercado interno e 6,4 milhões de toneladas (43%) ao mercado externo.
A receita líquida consolidada somou R$ 61,76 bilhões, recuo de 7,2% em relação a 2024. Já o Ebitda consolidado chegou a R$ 8,08 bilhões em 2025, com recuo de 12% em relação a 2024. Além disto, a empresa contabilizou no resultado financeiro o fechamento de acordo relativo à aquisição da Votorantim Siderurgia, no valor de R$ 2,9 bilhões. O resultado final da ArcelorMittal Brasil foi negativo em R$ 2,2 bilhões.
DESAFIOS - Segundo dados do Instituto Aço Brasil, as importações de laminados atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, uma alta de 20,5% ante 2024. Se comparado à média anual de 2000 a 2019, as importações cresceram 160%. A taxa de penetração de laminados alcançou 21% – um patamar insustentável para a indústria nacional. O aço proveniente principalmente da China chega ao mercado brasileiro fortemente subsidiado, com preços predatórios.
Já as tarifas de 50% impostas ao aço pelo Governo dos Estados Unidos afetaram diretamente a margem de rentabilidade da empresa. Para continuar vendendo no mercado norte-americano, a ArcelorMittal teve que assimilar parte das tarifas, impactando negativamente os resultados financeiros, principalmente no segmento de aços planos
predatória. Internamente, o Brasil enfrentou um ambiente macroeconômico menos dinâmico, com crescimento moderado do PIB e juros altos, exigindo resiliência e eficiência operacional para navegar em um ano de horizontes limitados para a expansão da demanda.
NO PECÉM – A ArcelorMittal Pecém registrou, em 2025, o melhor desempenho operacional de sua história, atingindo pela terceira vez consecutiva sua capacidade máxima de produção. Ainda assim, inserida no mesmo cenário que desafiou toda a indústria nacional, a unidade encerrou o exercício com queda de 11,9% na receita líquida em relação a 2024. O desempenho financeiro reflete as pressões externas que comprimiram preços e margens ao longo do ano.
Os principais fatores que pressionaram os resultados foram as importações predatórias de origem asiática, com preços subsidiados abaixo do custo de produção, e as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao aço brasileiro. Para manter presença no mercado norte-americano, a ArcelorMittal Pecém absorveu parte das sobretaxas, impactando diretamente a margem bruta do negócio.
Apesar desse cenário, a unidade preservou os investimentos programados e alcançou pelo terceiro ano consecutivo a sua capacidade nominal de placas de aço.
"Entregamos o melhor resultado operacional da nossa história em um dos anos mais desafiadores para o setor. Isso reflete a consistência das nossas equipes e a solidez da nossa gestão. Seguimos comprometidos com o crescimento da unidade e com o desenvolvimento do território", afirma Erick Torres, CEO da ArcelorMittal Pecém.
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