Água: Cogerh corta 5 m³ de vazão para a produção do Baixo Jaguaribe

Se essa decisão for efetivada, serão prejudicados os perímetros irrigados da região, incluindo a fruticultura e a produção de soja e algodão Chapada do Apodi

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 03:34)
Legenda: Colheita mecanizada de algodão produzido na Fazenda Nova Agro, na Chapada do Apodi.
Foto: SDE / Governo do Ceará
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Temos água para a travessia deste difícil ano de 2026, tanto para o abastecimento humano da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), quanto para as suas atividades econômicas, mas isto parece não valer para a agropecuária da região do Jaguaribe, onde a Cogerh anunciou a redução de 5 m³/s da vazão que o açude Castanhão libera rio abaixo, com a qual os polos de leite e de frutas, hortaliças, soja, algodão, sorgo e outras culturas garantem sua produção.  

Quem fez o anúncio desse drástico corte foram diretores do Distrito de Irrigação Apodi Jaguaribe (Dirja) durante reunião, na última segunda-feira, 2, do secretário Executivo da Secretaria de Recursos Humanos (SRH), Ramon Rodrigues, com 35 empresários do agro. A reunião terminou duas horas depois, mas as dúvidas permaneceram e seguem preocupando os agropecuaristas jaguaribanos. 

Por partes: todos os açudes da RMF (Acarape do Meio, Aracoiaba, Pacajus, Pacoti, Riachão, Gavião e Sítios Novos) acumulavam, no último dia 1º de fevereiro, 591 milhões de m³, ou seja, menos do que os 702 milhões de m³ que represavam na mesma data do ano passado de 2025.  

A situação dos cinco maiores açudes cearenses está assim: Castanhão represa apenas 1,3 bilhão de m³, ou 19% de sua capacidade de 6,7 bilhões de m³; Orós acumula 1,3 bilhão de m³, equivalentes a 70% de sua capacidade total de 1,9 bilhão de m³; Banabuiú represa hoje 422 milhões de m³, ou 27,5 de sua capacidade de 1,5 bilhão de m³; Araras tem 552 milhões de m³, ou 64% de sua capacidade de 859 milhões de m³; e Figueiredo, que acumula hoje apenas 98,3 milhões de m³, ou 19,7% de sua capacidade.  

A Funceme prevê que, a partir do próximo fim de semana e por todos os 15 dias seguintes, há uma boa tendência de que desabem boas chuvas sobre o território cearense. Porém, não há previsão sobre a distribuição espacial dessas precipitações. Ponto, parágrafo para boas notícias. 

O secretário Ramon Rodrigues, que na reunião se acompanhou do presidente da Coger, Yuri Castro, disse que as obras de construção do Cinturão das Águas aproximam-se do final: já foram executados 90,98% das obras físicas, que já consumiram R$ 2,25 bilhões, dos quais R$ 1.99 bilhão já foram pagos, e R$ 27 milhões “que correspondem às medições de dezembro/2025, ainda pendentes de pagamento”. E mais: “Neste momento, estão mobilizados 1.186 trabalhadores, 443 equipamentos e 42 frentes de serviços distribuídas nos lotes 3 e 4.” 

Quanto à duplicação do Eixão das Águas, os trabalhos seguem em ritmo de frevo. Os novos sifões, com 3 metros de diâmetro, em aço, que permitirão a duplicação de sua vazão dos atuais 11 m³/s para 22 m³/s, estarão instalados até o fim deste ano, para quando está prevista a operação de todo o sistema, que já consumiu investimento de R$ 2,3 bilhões.  

Enquanto isso, a Secretaria de Recursos Hídricos aguarda que o ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional conclua os serviços de duplicação da Estação de Bombeamento do Eixo Norte do Projeto São Francisco, o que permitirá que a vazão do canal salte dos atuais 22 m³/s para 50 m³/s. Esse serviço está muito perto da conclusão. Por enquanto, o bombeamento está suspenso, aguardando que a estação de chuvas deste ano permita a cheia dos rios e, consequentemente, evite o desperdício da água pela evaporação e infiltração. É possível que, com as chuvas previstas para este mês de fevereiro, os rios voltem a correr e possibilitem o bombeamento das águas do São Francisco para o Ceará. 

Ramon Rodrigues ouviu críticas dos empresários à Cagece, que não consegue reduzir o índice de desperdício de água em Fortaleza, algo estimado em 45%, como disse o presidente da Faec, Amílcar Silveira. Um dos empresários chegou a dizer que, em algumas áreas de Fortaleza, por causa das ações das facções do crime organizado, os fiscais da Cagece “não conseguem entrar nem para medir nem para cobrar”.  

E no final da reunião, produtores do Distrito Irrigado Apodi Jaguaribe (Dirja) denunciaram que há um crime ambiental nos municípios de Tabuleiro do Norte e S. João do Jaguaribe: estão usando água do rio Jaguaribe para produzir arroz, por inundação, sem outorga da Cogerh. O Ceará não é polo produtor de arroz e nem deve ser, porque a água de que dispõe é pouca e não permite esse uso excessivo.  

UM EDIFÍCIO COMERCIAL EM AÇO E VIDRO 

Oitenta corretores de imóveis, empresários da construção civil e autoridades foram reunidos pelo industrial Beto Studart, controlador do Grupo BSpar, que lhes apresentou a maquete, produzida pela tecnologia 3D, do seu novo empreendimento, o edifício comercial BS Steel, que terá estrutura de aço e vidro.  

O edifício terá 30 andares e uma área total de 56 mil m², além de seis subsolos de lajes em concreto, onde serão localizadas as suas garagens que terá dezenas de tomadas para o recarregamento de baterias de automóveis elétricos.  

Entre os que estiveram presentes ao encontro promovido por Beto Studar, anotaram-se o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, e os ex-prefeitos Luiz Marques e Lúcio Alcântara, que disse, ao discursar, que a Quadra BS, na Aldeota, onde o edifício será construído, será o Rockfeller Center de Fortaleza, numa alusão à famosa Praça de Nova Iorque, onde estão famosos prédios comerciais daquela cidade. 

O prefeito Evandro Leitão, por sua vez, anunciou que o alvará para a construção do BS Steel está sendo emitido nesta semana.  

Ao final, Beto Studart revelou que as calçadas que contornarão a Quadra BS terão 7 metros e 20 centímetros de largura.

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