Agro do Ceará: da insignificância à grandiosidade da PecBrasil

Para chegar aonde chegou neste 2026, a agropecuária cearense teve de tirar leite de pedra. Seus empresários ousaram e investiram na tecnologia e na inovação

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 03:51)
Legenda: No Centro de Eventos, de hoje, 25, até sábado, 27, a agropecuária do Ceará estará em exposição, mostrando sua força
Foto: Divulgação
Um oferecimento de:

Para chegar até a monumental PecBrasil de hoje, que será inaugurada às 8 horas com o início da programação técnica e prosseguirá às 11 com a abertura dos portões de acesso às áreas da feira e exposição dos pavilhões Leste e Oeste do Centro de Eventos, o agro do Ceará palmilhou um longo, penoso e difícil caminho, superando desafios de toda ordem, incluindo os da natureza – clima hostil, solo cristalino, com poucas manchas agricultáveis – e os próprios de quem ousa empreender no campo – ausência de tecnologia, baixo investimento, desconfiança dos citadinos em relação aos habitantes da zona rural, quase nenhuma ajuda do poder público. Tudo isto há três décadas.  

Foi nessa época que chegou aqui, e uniu-se aos que aqui já estavam, meia dúzia de agricultores sulistas corajosos, trazendo na bagagem a esperança de encontrar no chão nordestino o sol de que precisa a boa fruticultura para prosperar, gerar emprego e dar lucro. Esse time inverteu o sentido da viagem dos migrantes cearenses, que, nos anos 50 do século passado, fugiram de “pau de arara” para o Sul e o Sudeste, carregando tudo num matulão. E veio de lá para cá, desembarcando no antigo aeroporto Pinto Martins com malas de couro, como gente de fino trato, trazendo a esperança de encontrar no chão nordestino o sol de que precisa a boa fruticultura para prosperar, gerar emprego e dar lucro. Eles juntaram sua fome de produzir com a vontade de trabalhar do cearense.   

Deu certo. O Ceará é hoje o maior produtor e exportador mundial de melão e melancia; é o maior exportador brasileiro de banana “cavendisch” para a Europa; é o maior produtor de camarão do país, respondendo por 54% de toda a produção nacional (o restante é produzido no Rio Grande do Norte, no Piauí e na Paraíba); é um dos maiores produtores e exportadores nacionais de plantas ornamentais; tem a empresa líder da indústria de lácteos do Nordeste (a Alvoar, que é a quinta do Brasil).   

Tem mais:  

nas chapadas do Araripe, no Sul, do Apodi, no Leste, e da Ibiapaba, no Noroeste do estado, o Ceará está implementando grandes projetos de produção de soja, algodão, forrageiras, pimentões coloridos e tomates de diversas variedades;  

a pecuária leiteira, por sua vez, investe na melhoria genética do seu rebanho, enquanto a de corte acelera, também, seu crescimento, atraída e impulsionada pela próxima construção e operação, dentro de pouco mais de um ano, em Iguatu, de um moderno frigorífico do Grupo Masterboi, cuja unidade terá capacidade para o abate de até 1.500 bois por dia; 

a avicultura cearense, que já crescia em ritmo do baião, passará a crescer no ritmo do frevo com a ampliação da operação comercial da Ferrovia Transnordestina, que começou a trazer das fontes de produção do Piauí e do Maranhão os grãos que entram na composição da ração de seu plantel (a primeira nota fiscal dessa ferrovia foi emitida em dezembro do ano passado para a Tijuca Alimentos).  

A agropecuária cearense também teve e tem, desde 2007 até esta data, uma atuação relevante, igualmente, na infraestrutura estadual. Esta coluna testemunhou e acompanhou o primeiro desenho do que é hoje o Ramal do Salgado, última e derradeira etapa do Projeto São Francisco de Integração de Bacias, solução definitiva para o secular problema da falta de água no semiárido do Nordeste.  

A ideia dessa obra surgiu da mente do fruticultor, empresário e engenheiro João Teixeira, que a expôs ao grupo de empresários do agro, o qual se reúne todas as segundas-feiras, há 19 anos (em fevereiro de 2027, o grupo celebrará seu vigésimo aniversário). 

Com o projeto na mão e a bordo do avião do agroindustrial Raimundo Delfino, que integra o grupo, seis empresários viajaram até Teresina, onde se encontrava o então ministro do Desenvolvimento Regional, senador potiguar Rogério Marinho, que não só aprovou a ideia, como determinou a elaboração do projeto executivo. Hoje, as obras do Ramal do Salgado encontram-se em estágio muito avançado, aproximando-se de sua conclusão. Ele reduzirá em 150 quilômetros a viagem das águas do rio São Francisco até o açude Castanhão.  

O agro cearense, que há 30 anos não existia, é hoje uma força política, coesa, musculosa, que se reúne e se move sem ata, sem formalismo, debatendo e encaminhando soluções para os seus problemas. 

Toda essa pujança da agropecuária do Ceará estará, de hoje, 25, até sábado, 27, em exposição no Centro de Eventos, que se engalanou para receber o maior de todos os eventos de sua história. Desde onten, a área externa do Pavilhão Oste, que dá para a Avenida Washibgton Soares, está ocupada por um gigantesco estábulo que abriga 300 bovinos da raça Sini, uma variedade zebuína de leite e corte, e 500 ovinos da raça Santa Inês. Ao longo dos três da PecBrasil, haverá quatro leilões desses animais, todos conduzidos por leiloeiros oficiais.  

Do lado de dentro do Centro de Eventos, em 70 mil metros quadrados de área, ocupando todos os espaços dos seus pavilhões Leste e Oeste, estarão à exposição do público produtos e serviços de 600 empresas nacionais e estrangeiras, ocupando 1.300 estandes. Além disso, no mezzanino e no segundo andar ao Pavilhão Oeste, em vários auditórios, serão desenrolados as palestras e os cursos técnicos que abordarão todas as áreas do agro, incluindo carcinicultura, pecuária, apicultura, floricultura, piscicultura, cotonicultura e avicultura. Vieram para a PecBrasil 2026 cientistas, técnicos e pesquisadores do Brasil e de outros países, como os Estados Unidos, o Equador e a Costa Rica.  

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