A economia brasileira está em sinuca de bico

Deputados, senadores, ministros do STF e o Palácio do Planalto não param de aumentar a despesa do governo. A conta virá em 2027.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 07:26)
Legenda: As duas casas do Congresso, o STF e o Palácio do Planalto seguem aumentando a despesa e a crise da economia
Foto: Agência Câmara
Um oferecimento de:

Parece que há em acelerada execução um demoníaco projeto que tem o único objetivo de tornar inviável o Brasil, seu governo e sua economia. Para isso, inacreditavelmente, deram-se as mãos os três poderes da República, cada um executando a sua parte nesse deletério latifúndio, que, em resumo, é a seguinte: transformar o Orçamento Geral da União (OGU) numa longa e caríssima folha de pagamento. 

Na terça-feira, 30, o Supremo Tribunal Federal (STF), agindo no modo libera geral, decidiu que os juízes e os promotores podem acrescentar ao seu vencimento-base os penduricalhos criados por diferentes leis. Especialistas admitem que essa decisão pode detonar uma corrida das demais categorias do serviço público – federais, estaduais e municipais – pela obtenção dos mesmos benefícios (sim, porque todos são iguais perante a Lei). 

Por sua vez, o Poder Legislativo, igualmente de costas para o interesse nacional, prepara-se, também, para agravar a situação, pois estão no Senado e na Câmara dos Deputados, prestes a serem aprovados, projetos de lei, ampliando prebendas para áreas específicos do funcionalismo federal.  

Com um déficit superior a R$ 50 bilhões no OGU, com uma dívida que já chegou aos R$ 10,7 trilhões, representando 81,1% do PIB, e cujo serviço (os juros) ultrapassou a incrível marca de R$ 1,050 trilhão por ano, o governo está diante de um cenário que assusta economistas, empresários e operadores do mercado financeiro, já preocupados com o que se passará no próximo exercício de 2027, o ano pós-eleitoral (ou pós-reeleitoral). Qualquer que venha a ser o presidente eleito no pleito de outubro deste 2026, ele terá de adotar duras medidas para consertar suas contas. Como estão agora, elas representam uma bomba-relógio que explodirá daqui a nove meses, exato tempo de uma gestação. 

Ontem, um grande empresário da indústria cearense disse à coluna que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário precisam entender que o governo existe para, em troca do imposto arrecadado dos contribuintes, que somos todos nós, oferecer-lhes serviço de qualidade na saúde, na educação, na infraestrutura e na segurança pública, “mas todos esses serviços estão há muito tempo deteriorados, porque, simplesmente, não há dinheiro para qualificar esses serviços; o dinheiro que ainda existe, emprestado pelos agiotas, tem servido apenas para privilegiar quem já é privilegiado”. 

O mesmo empresário revelou que tinha planos para investir na ampliação de sua indústria no Ceará, “mas decidi adiar esse projeto para quando o panorama da economia se desanuviar”. Por pura coincidência, saíram terça-feira os novos números do mercado de trabalho: houve uma acentuada queda na criação de empregos. No mês de maio, o comércio registrou a criação de somente 40 (quarenta) novos postos de trabalho com carteira assinada, o que revela contração da atividade no varejo, também.  

Mas a opinião desse empresário é, digamos assim, uma meia verdade, porque esse dinheiro que falta para equilibrar as contas e para o investimento, é, igualmente, o destinado a subsidiar o setor privado por meio da renúncia fiscal, algo que significa, de acordo com os últimos informes da Secretaria do Tesouro Nacional, um Pão de Açúcar de R$ 600 bilhões/ano. 

Na última terça-feira, o governo anunciou o financiamento para o Plano Safra 2026-2027, que alcança R$ 525 bilhões. O setor do agro, com sua poderosa Frente Parlamentar no proscênio, reclamou, alegando que, em vez de aumentar o financiamento para a atividade agropecuária, o governo, na prática, o reduziu.  

Chorar e reclamar fazem parte do jogo, mas neste caso a reclamação e o choro são justos: o agro, embora liderando há tempos o crescimento da economia brasileira, enfrenta problemas de inadimplência, assim como a indústria e o comércio, e tudo é culpa dos juros altos, que são altos por causa do crescimento da dívida e do seu serviço. Uma autêntica bola de neve. Um círculo vicioso do qual o governo não consegue sair, principalmente em ano de eleição. 

Não há solução à vista, mesmo porque o horizonte se tornou mais grave pela ação do crime organizado e suas facções, já considerados organizações terroristas pelo governo dos EUA: eles já se entranharam nas instituições, desde a Praça dos 3 Poderes, em Brasília, até a Avenida Faria Lima, em São Paulo, centro financeiro do país.