Foguete 'dá ré' e parte de estrutura pode cair a qualquer momento

Este foi o terceiro voo do New Glenn, mas o primeiro a utilizar um propulsor recondicionado, que havia voado na missão NG-2

Escrito por
Ednardo Rodrigues producaodiario@svm.com.br
Legenda: Imagem do foguete New Glenn antes da missão NG-3.
Foto: Reprodução/Blue Origin.

A Blue Origin realizou o primeiro pouso de um propulsor reutilizado do foguete New Glenn durante a missão NG-3. A decolagem ocorreu no domingo (19), às 7h25 no horário local (8h25 no horário de Brasília), a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida.   

Aproximadamente nove minutos e 30 segundos após a decolagem, o propulsor do primeiro estágio (a primeira parte a ser deixada para trás) — batizado de "Never Tell Me the Odds" — realizou um pouso vertical controlado na plataforma flutuante Jacklyn, no Oceano Atlântico. Podemos dizer que o foguete "deu ré".

Este foi o terceiro voo do New Glenn, mas o primeiro a utilizar um propulsor recondicionado, que havia voado anteriormente na missão NG-2, em novembro de 2025. Com este feito, a Blue Origin tornou-se a segunda empresa na história a reutilizar com sucesso um propulsor de foguete de classe orbital (um motor que, em trabalho conjunto com outros, é capaz de colocar um foguete em órbita), após a SpaceX. Isso é importante porque os foguetes antigos eram completamente descartáveis.

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Ocorrência com parte do equipamento

Embora a recuperação do propulsor tenha sido bem-sucedida, a missão apresentou um contratempo em sua etapa orbital. Segundo Dave Limp, CEO da Blue Origin, "dados iniciais sugerem que, em nossa segunda queima do GS2, um dos motores BE-3U produziu empuxo insuficiente para alcançar a órbita-alvo".

O satélite BlueBird 7, da AST SpaceMobile, foi liberado e energizado, porém em uma órbita inferior à planejada. A empresa confirmou que a altitude é muito baixa para sustentar operações com sua tecnologia de propulsores a bordo, e o satélite será desorbitado.  

Isso ocorreu porque um dos motores propulsores falhou, sem o impulso devido, e o foguete não atingiu a velocidade necessária para atingir a altitude e a órbita necessária. É provável que o segundo estágio fique orbitando a Terra e caia dentro de alguns dias.

Na reentrada (assim chamamos quando o foguete volta para a atmosfera do nosso planeta), a maior parte do foguete se despedaçará e se desintegrará até virar pó. Mas como este está sendo projetado para ser um foguete reutilizável, alguma parte pode sobreviver e cair em qualquer lugar do planeta.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou que a Blue Origin conduza uma investigação sobre a ocorrência antes de autorizar novos voos do New Glenn.  

O New Glenn é um veículo de lançamento pesado com 98 metros de altura, movido por sete motores BE-4 no primeiro estágio, que utilizam metano líquido e oxigênio líquido como propelentes. O segundo estágio emprega dois motores BE-3U, alimentados por hidrogênio líquido e oxigênio líquido. O foguete possui uma carenagem de sete metros de diâmetro, que permite transportar cargas úteis mais volumosas ou múltiplos satélites em uma única missão.  

A Blue Origin possui contratos para até 27 lançamentos do New Glenn para o Projeto Kuiper da Amazon, uma constelação de satélites de banda larga. Mas os lançamentos devem ser interrompidos até que seja feita uma perícia sobre o erro. E ainda não acabou até que o segundo estágio caia na Terra.

 

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.