'Devoradores de Estrelas': conheça as teorias exploradas no filme

Ryan Gosling interpreta professor que desperta em nave espacial e deve salvar a Terra.

Escrito por
Ednardo Rodrigues producaodiario@svm.com.br
Legenda: Filme é estrelado pelo ator Ryan Gosling, que interpreta professor que desperta em uma nave espacial, incumbido de salvar a Terra de uma ameaça cósmica.
Foto: Reprodução.

Do mesmo diretor de "Perdido em Marte", o recém-lançado "Devoradores de Estrelas" traz de volta o fascínio pelas viagens espaciais. Assisti ao filme e, nesta coluna, comento sobre seu contexto científico. 

O protagonista é Ryan Gosling, ator já consagrado em obras como "Drive" (2011), "La La Land" (2016), que lhe rendeu indicação ao Oscar, "Blade Runner 2049" (2017) e "First Man" (2018), onde interpretou Neil Armstrong. Mais recentemente, esteve em "The Gray Man" (2022) e "Barbie" (2023). Em "Devoradores de Estrelas", Gosling dá vida a Ryland Grace, professor de ciências que desperta sozinho em uma nave espacial, incumbido de salvar a Terra de uma ameaça cósmica.  

Sinopse feita, vamos às principais teorias exploradas nesta ficção científica. Procurei ser direto para evitar spoilers, mas ainda assim ajudar na compreensão da obra.

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Astrofago  

O astrofago é descrito como um organismo capaz de consumir energia das estrelas, drenando sua luminosidade até levá-las ao colapso. Essa ideia une astrofísica e biologia em um conceito intrigante, ainda que puramente fictício. Se algo assim fosse descoberto na realidade, certamente renderia um Nobel a quem identificasse vida fora da Terra.  

Linha de Petrova  

A linha de Petrova é o traço luminoso deixado pelos astrofagos ao migrarem do Sol em direção a Vênus, atraídos pela atmosfera rica em gás carbônico. A analogia mais próxima na Terra são espécies que migram para se reproduzir, como aves, tartarugas ou peixes, deixando rastros de presença e movimento.  

Nave Hail Mary  

A nave central da trama, chamada Hail Mary, é construída como último recurso da humanidade para enfrentar o astrofago e salvar o Sol. É nela que Ryland Grace desperta e inicia sua missão.  

Janela orbital  

A janela orbital é o cálculo preciso para lançamentos espaciais, dependendo da posição dos astros. Para Marte, por exemplo, ela ocorre a cada dois anos. No filme, há preocupação em lançar a nave dentro de uma janela orbital, possivelmente aproveitando manobras de estilingue gravitacional em planetas como Júpiter ou Saturno.  

Gravidade artificial  

A solução mais discutida para criar gravidade artificial é a rotação da nave, conceito já explorado em filmes como "2001: Uma Odisseia no Espaço" (1968) e "Elysium" (2014). Embora nunca tenha sido implementado na prática, é considerado indispensável para futuras viagens interestelares.  

Estrela Tau Ceti  

Na narrativa, Tau Ceti é escolhida como destino da missão por também estar sob ameaça do astrofago. Na realidade, trata-se de uma estrela anã amarela na constelação de Cetus, a 11,9 anos-luz da Terra, semelhante ao Sol e com planetas em zonas potencialmente habitáveis.  

Relatividade  

Aqui surge uma fragilidade: a viagem até Tau Ceti leva apenas quatro anos, implicando velocidade superior à da luz. O filme justifica isso com o combustível fictício do astrofago, mas a solução soa mais como recurso narrativo do que extrapolação científica plausível.  

Eridianos  

Os eridianos são uma espécie alienígena inteligente que habita o sistema de 40 Eridani. Apesar de não conhecerem eletromagnetismo nem relatividade, funcionam como metáfora para hipóteses científicas que sugerem a existência de dezenas de civilizações inteligentes na Via Láctea.  

Xenotita  

A xenotita é um mineral alienígena resistente a temperaturas extremas. Embora seja improvável que um gás nobre como o xenônio forme compostos estáveis, a ficção especula condições de alta pressão capazes de forçar ligações atômicas.  

Viagens só de ida  

O filme aborda missões sem retorno, tema já discutido em projetos de colonização de Marte. O desafio é o combustível limitado, e a solução real em estudo é a produção de metano a partir da atmosfera marciana.  

Entrada na atmosfera 

Na entrada atmosférica, o ar é comprimido rapidamente, gerando calor intenso por compressão adiabática. Esse efeito não ocorre na saída, pois o ar se expande em torno da nave. Por isso, o risco e o espetáculo visual estão concentrados na entrada.  

Com isso, concluo os principais pontos científicos de "Devoradores de Estrelas". Ao terminar o filme, a minha sessão aplaudiu — algo que eu já não via há algum tempo nos lançamentos mais recentes.

 

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.