Astronautas da Artemis II se tornam os humanos mais isolados já registrados em uma missão espacial

Artemis II passou pela 'face oculta da Lua', e tripulantes ficaram sem se comunicar com a Terra por 40 minutos.

Escrito por
Ednardo Rodrigues producaodiario@svm.com.br
Legenda: Primeira foto do lado oculto da Lua foi compartilhada pela Casa Branca e pela Nasa. Imagem foi feita enquanto a Terra se põe no horizonte lunar.
Foto: Nasa.

Astronautas da missão Artemis II da Nasa perderam comunicação com a Terra por cerca de 40 minutos ao passarem atrás da Lua, tornando-se os humanos mais distantes e isolados já registrados em uma missão espacial. Durante o voo, eles também estabeleceram um novo recorde de distância em relação ao nosso planeta: incríveis 406.777 km da Terra, além da órbita lunar.

A missão Artemis II, lançada em 1º de abril de 2026, levou quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — a bordo da cápsula Orion em um voo de dez dias ao redor da Lua. Esse é o primeiro teste tripulado do programa Artemis, que busca preparar o caminho para futuras missões de pouso lunar e, posteriormente, viagens a Marte.

Segundo a Nasa, o objetivo principal foi avaliar o desempenho dos sistemas da Orion em ambiente de espaço profundo, antes de missões mais complexas.  

A cápsula entrou em uma região crítica: a face oculta da Lua. Nesse momento, a própria massa lunar bloqueou o sinal de rádio, causando uma perda total de comunicação com o controle da missão em Houston. A Nasa informou que essa perda de contato era esperada e durou aproximadamente 40 minutos. Esse intervalo foi descrito como o período em que os astronautas estiveram mais isolados da Terra na história das missões espaciais.  

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Durante a travessia pelo lado oculto da Lua, os astronautas da missão Artemis II registraram formações geológicas inéditas e identificaram duas crateras que receberam nomes oficiais: Integridade e Caroll. A origem dos nomes das crateras descobertas na missão Artemis II foi confirmada pela Nasa: uma delas recebeu o nome “Carol” em homenagem a Carroll Taylor Wiseman, esposa do comandante Reid Wiseman, que faleceu em 2020 após lutar contra um câncer; a outra foi chamada “Integridade” como referência simbólica à cápsula Orion e ao valor essencial da missão.  

Apesar da ausência temporária de contato, a cápsula manteve todos os sistemas funcionando normalmente. Quando a comunicação foi restabelecida, o controle da missão celebrou a passagem com uma tradição simbólica: os controladores viraram seus emblemas da missão Artemis II para indicar que a tripulação estava no caminho de volta para casa.  

A missão Artemis II está conduzindo uma série de experimentos científicos voltados para saúde humana, ambiente espacial e tecnologias de suporte à exploração. Cada estudo tem como objetivo gerar dados essenciais para futuras missões à Lua e a Marte.

Uma vista do lado visível da Lua, o lado que sempre vemos da Terra, vista da espaçonave Orion.
Legenda: Missão Artemis II, lançada em 1º de abril de 2026, levou quatro astronautas a bordo da cápsula Orion em um voo de dez dias ao redor da Lua.
Foto: Nasa.

Estes são os principais experimentos da Artemis II:

Monitoramento da saúde dos astronautas

Os tripulantes usam sensores e dispositivos portáteis para registrar informações sobre sono, atividade física, pressão arterial e desempenho cognitivo. Isso permite avaliar como o corpo humano reage à microgravidade e à radiação em viagens de longa duração.   

AVATAR (A Virtual Astronaut Tissue Analog Response)  

Utiliza chips com células humanas para simular tecidos como medula óssea e sistema imunológico. Durante a missão, esses chips ficam expostos à radiação cósmica e à microgravidade, permitindo observar possíveis danos ao DNA e alterações celulares. Após o retorno, os cientistas analisam os resultados em laboratório.   

Estudos sobre clima espacial e radiação  

Os astronautas colaboram com equipes em solo para coletar dados sobre partículas energéticas e radiação cósmica. Esses estudos ajudam a desenvolver sistemas de proteção contra os riscos do espaço profundo.   

Experimentos de ciência lunar  

Embora a Artemis II não pouse na Lua, a missão realiza observações e medições que contribuem para entender o ambiente lunar e preparar futuras operações na superfície.   

Testes de sistemas da cápsula Orion 

Além dos experimentos científicos, os astronautas verificam o desempenho de sistemas críticos da Orion, como suporte de vida, comunicações e navegação. Esses testes são fundamentais para validar a segurança da nave em missões mais longas.  

O sucesso da Artemis II é um passo essencial para validar a segurança da Orion e preparar o terreno para o Artemis III, que pretende levar astronautas de volta à superfície lunar.

 

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.