Tem medo de feedback? Veja 10 dicas para transformar críticas em oportunidades
Tenho certeza de que você já recebeu um feedback que marcou negativamente sua vida. Isso certamente pode ter gerado frustração e criado um estigma em torno desse momento.
Assim como muitos já se sentiram constrangidos ao fazer uma crítica, mesmo aquelas consideradas úteis e construtivas. O impacto emocional desses momentos afeta diretamente o ambiente organizacional e o engajamento das equipes. Vamos refletir?
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Por que feedback ainda causa medo?
Sim! A cultura de julgamento, com foco no erro e não na solução ou no aprendizado; líderes tóxicos que utilizam linguagem inadequada, criando um ambiente psicologicamente instável; ou até aquele colega inconveniente que faz do “suposto” feedback uma avalanche de críticas destrutivas contribuem para o clima de medo e de insegurança.
Na verdade, o problema não é o feedback em si, mas em como ele é conduzido. Algumas pessoas ainda utilizam essa ferramenta como meio para “punir” ou para “diminuir” os outros. Líderes e profissionais precisam aprender a dar e, principalmente, a receber retornos sobre os seus desempenhos.
Como mentora executiva, ouço muitos relatos que envolvem:
- Incômodo ao receber críticas de líderes com comunicação violenta;
- Receio de receber notificações do Compliance da empresa;
- Bloqueio na hora de cobrar o liderado pelo desempenho;
- Medo de parecer “duro demais” e prejudicar o relacionamento com a equipe;
- Tendência a evitar conversas difíceis, mesmo sabendo que o silêncio também gera ruído;
- Insegurança para estruturar o que precisa ser dito de forma objetiva e humana.
Esses exemplos mostram que o desafio não está apenas na técnica, mas na maturidade emocional envolvida em cada conversa. Feedback é sobre coragem, responsabilidade e intenção. Quando feito com clareza e respeito, não expõe, mas desenvolve. Não humilha, orienta. Não distancia, aproxima. É uma via de mão dupla!
Levando em consideração que, especialmente neste período do ano, é comum haver ciclos formais de feedbacks para avaliação de desempenho, saber utilizar essa ferramenta para os objetivos corretos é uma questão de sobrevivência para alcançar os objetivos organizacionais.
Como oferecer um feedback que transforma?
Para que o feedback realmente seja uma ferramenta de evolução, alguns pilares precisam ser incorporados a essa prática:
- Intenção e relevância: pergunte-se por que deseja dar o feedback e qual será o impacto dessa conversa para o negócio. Se o motivo for pessoal e tiver impacto quase zero no que realmente importa, melhor não o fazer;
- Clareza e contexto: tenha certeza de que possui todas as evidências necessárias para uma conversa profissional e bem estruturada. Se tem, ao conversar com o colega, par ou liderado, descreva um comportamento observado, o impacto gerado e o que pode ser melhorado. Sem rodeios, mas também sem agressividade;
- Foco no futuro, não no passado: não incapacite a pessoa! Aponte caminhos, ofereça referências e mostre possibilidades. Feedback que só revisita erros paralisa e adoece;
- Intenção genuína de desenvolvimento: o feedback não é um “acerto de contas”, e sim uma conversa de cuidado profissional. Quem recebe precisa sentir isso por meio de pequenos gestos;
- Empatia e escuta ativa: abrir espaço para que o outro fale, explique e reflita é tão importante quanto orientar. Feedback é diálogo, não monólogo. Conversar se achando o “dono da razão” bloqueia a fluidez do diálogo e a consideração de novos pontos de vista.
Esses cuidados garantem que o outro se sinta respeitado e consequentemente mais propenso a refletir sobre o conteúdo da conversa. É fato que isso não garante o sucesso da intervenção, pois sabemos que muitas pessoas não estão dispostas a reconhecer os seus pontos passíveis de melhoria.
Uma ótima estratégia para que feedbacks corretivos sejam aceitos é estimular a prática positiva também. Infelizmente é comum as correções, e não os reconhecimentos. E se você é líder, pensar nisso é vital para reter os profissionais mais qualificados.
E como receber críticas de forma construtiva?
Receber feedback pode ser tão desafiador quanto dar. Principalmente quando a nossa percepção é de que estamos bem. Ser “avaliado” sempre gerará insegurança e desconforto, mas dependendo de quem está conduzindo este momento, pode se transformar, aos poucos, em uma oportunidade de descoberta e perspectiva. Para encarar bem o processo, você deve:
- Encarar o feedback como algo positivo e importante para seu autodesenvolvimento;
- Manter uma postura aberta ao diálogo e evitar se defender;
- Não interromper o seu interlocutor. Ouça a mensagem completa e pondere se faz sentido;
- Separar o fato da emoção. Faça perguntas para entender melhor o que precisa mudar e entregar;
- Reconhecer pontos de melhoria e transformá-los em plano de ação. Comprometa-se com a mudança sugerida.
Quando aprendemos a interpretar o feedback como ferramenta de evolução e não como ataque, assumimos o protagonismo da nossa própria carreira.
Lembrete para o líder: ressignificar a relação com o feedback pode mudar completamente sua atuação.
Equipes amadurecem, relações se fortalecem e resultados surgem com mais consistência.
Nesta coluna, trarei reflexões sobre carreira, liderança, coaching e tendências que impactam o mundo do trabalho. Sua participação é muito bem-vinda! Comente, envie sua pergunta ou fale comigo pelo Instagram: @delaniasantosds. Aproveite para se inscrever no canal do YouTube: @delaniasantosds. Será um prazer ter você comigo nessa jornada. Até a próxima!