Tem medo de feedback? Veja 10 dicas para transformar críticas em oportunidades

Escrito por
Delania Santos ds@delaniasantos.com
Legenda: Feedback é um retorno que o líder dá para o seu liderado, para o time, para os seus pares e/ou para o seu gestor.
Foto: Shutterstock

Tenho certeza de que você já recebeu um feedback que marcou negativamente sua vida. Isso certamente pode ter gerado frustração e criado um estigma em torno desse momento.

Assim como muitos já se sentiram constrangidos ao fazer uma crítica, mesmo aquelas consideradas úteis e construtivas. O impacto emocional desses momentos afeta diretamente o ambiente organizacional e o engajamento das equipes. Vamos refletir? 

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Por que feedback ainda causa medo?

Sim! A cultura de julgamento, com foco no erro e não na solução ou no aprendizado; líderes tóxicos que utilizam linguagem inadequada, criando um ambiente psicologicamente instável; ou até aquele colega inconveniente que faz do “suposto” feedback uma avalanche de críticas destrutivas contribuem para o clima de medo e de insegurança. 

Na verdade, o problema não é o feedback em si, mas em como ele é conduzido. Algumas pessoas ainda utilizam essa ferramenta como meio para “punir” ou para “diminuir” os outros. Líderes e profissionais precisam aprender a dar e, principalmente, a receber retornos sobre os seus desempenhos.

Como mentora executiva, ouço muitos relatos que envolvem: 

  • Incômodo ao receber críticas de líderes com comunicação violenta; 
  • Receio de receber notificações do Compliance da empresa;
  • Bloqueio na hora de cobrar o liderado pelo desempenho; 
  • Medo de parecer “duro demais” e prejudicar o relacionamento com a equipe;
  • Tendência a evitar conversas difíceis, mesmo sabendo que o silêncio também gera ruído;
  • Insegurança para estruturar o que precisa ser dito de forma objetiva e humana.

Esses exemplos mostram que o desafio não está apenas na técnica, mas na maturidade emocional envolvida em cada conversa. Feedback é sobre coragem, responsabilidade e intenção. Quando feito com clareza e respeito, não expõe, mas desenvolve. Não humilha, orienta. Não distancia, aproxima. É uma via de mão dupla! 

Levando em consideração que, especialmente neste período do ano, é comum haver ciclos formais de feedbacks para avaliação de desempenho, saber utilizar essa ferramenta para os objetivos corretos é uma questão de sobrevivência para alcançar os objetivos organizacionais. 

Como oferecer um feedback que transforma?

Para que o feedback realmente seja uma ferramenta de evolução, alguns pilares precisam ser incorporados a essa prática: 

  1. Intenção e relevância: pergunte-se por que deseja dar o feedback e qual será o impacto dessa conversa para o negócio. Se o motivo for pessoal e tiver impacto quase zero no que realmente importa, melhor não o fazer;
  2. Clareza e contexto: tenha certeza de que possui todas as evidências necessárias para uma conversa profissional e bem estruturada. Se tem, ao conversar com o colega, par ou liderado, descreva um comportamento observado, o impacto gerado e o que pode ser melhorado. Sem rodeios, mas também sem agressividade;
  3. Foco no futuro, não no passado: não incapacite a pessoa! Aponte caminhos, ofereça referências e mostre possibilidades. Feedback que só revisita erros paralisa e adoece; 
  4. Intenção genuína de desenvolvimento: o feedback não é um “acerto de contas”, e sim uma conversa de cuidado profissional. Quem recebe precisa sentir isso por meio de pequenos gestos;
  5. Empatia e escuta ativa: abrir espaço para que o outro fale, explique e reflita é tão importante quanto orientar. Feedback é diálogo, não monólogo. Conversar se achando o “dono da razão” bloqueia a fluidez do diálogo e a consideração de novos pontos de vista. 

Esses cuidados garantem que o outro se sinta respeitado e consequentemente mais propenso a refletir sobre o conteúdo da conversa. É fato que isso não garante o sucesso da intervenção, pois sabemos que muitas pessoas não estão dispostas a reconhecer os seus pontos passíveis de melhoria. 

Uma ótima estratégia para que feedbacks corretivos sejam aceitos é estimular a prática positiva também. Infelizmente é comum as correções, e não os reconhecimentos. E se você é líder, pensar nisso é vital para reter os profissionais mais qualificados. 

E como receber críticas de forma construtiva?

Receber feedback pode ser tão desafiador quanto dar. Principalmente quando a nossa percepção é de que estamos bem. Ser “avaliado” sempre gerará insegurança e desconforto, mas dependendo de quem está conduzindo este momento, pode se transformar, aos poucos, em uma oportunidade de descoberta e perspectiva. Para encarar bem o processo, você deve: 

  1. Encarar o feedback como algo positivo e importante para seu autodesenvolvimento;
  2. Manter uma postura aberta ao diálogo e evitar se defender;
  3. Não interromper o seu interlocutor. Ouça a mensagem completa e pondere se faz sentido; 
  4. Separar o fato da emoção. Faça perguntas para entender melhor o que precisa mudar e entregar;
  5. Reconhecer pontos de melhoria e transformá-los em plano de ação. Comprometa-se com a mudança sugerida. 

Quando aprendemos a interpretar o feedback como ferramenta de evolução e não como ataque, assumimos o protagonismo da nossa própria carreira. 
Lembrete para o líder: ressignificar a relação com o feedback pode mudar completamente sua atuação.

Equipes amadurecem, relações se fortalecem e resultados surgem com mais consistência.

Nesta coluna, trarei reflexões sobre carreira, liderança, coaching e tendências que impactam o mundo do trabalho. Sua participação é muito bem-vinda! Comente, envie sua pergunta ou fale comigo pelo Instagram: @delaniasantosds. Aproveite para se inscrever no canal do YouTube: @delaniasantosds. Será um prazer ter você comigo nessa jornada. Até a próxima!

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