CEO flagrado com diretora de RH em show do Coldplay expõe armadilhas do poder corporativo

Escrito por
Delania Santos ds@delaniasantos.com
Legenda: O casal foi flagrado pela "câmera do beijo" durante o show do Coldplay
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O escândalo recente no show do Coldplay envolvendo um CEO e uma diretora de Recursos Humanos fez-me refletir sobre as facetas que o poder nos revela. A posição de liderança traz grandes responsabilidades e, com elas, ônus e bônus.

O grande desafio, à medida que crescemos na estrutura hierárquica, é mantermos os pés no chão e não cairmos na armadilha do “tudo posso”. Vamos refletir? Para discutirmos as mensagens sutis que essa situação revela, é necessário diferenciarmos dois conceitos essenciais: autoridade e poder.

O poder refere-se ao nível de tomada de decisão e autonomia. Representa até onde o gestor pode ir no cargo que ocupa. A partir dessa definição, já se percebe o quanto isso é impactante na vida dos liderados, na sustentabilidade do negócio e na reputação da marca empregadora.

Utilizado de maneira inadequada ou parcial, pode causar danos irreparáveis.

Muitos profissionais, ao alcançarem um nível mais amplo de autonomia, perdem-se em seus egos e confundem poder com ausência de limites, seja no trato com as pessoas, seja na transgressão de fronteiras que jamais deveriam ser ultrapassadas no mundo dos negócios.

É justamente isso o que torna a liderança tão solitária: 

  • Dar o exemplo, demonstrando FIT cultural;
  • Tratar todos com imparcialidade;
  • Tomar decisões consistentes e éticas;
  • Preocupar-se com o impacto de suas escolhas;
  • E, definitivamente, entender que sua vida pessoal está, sim, ligada à sua posição.

Não existe essa de: “minha vida pessoal não tem nada a ver com meu cargo de Diretor ou CEO”. Cuidado com o glamour que o poder nos proporciona!

É importante entender as responsabilidades atreladas ao cargo e como suas atitudes podem impactar a empresa e as pessoas que fazem parte de sua vida pessoal. As atitudes falam muito mais que palavras ditas em reuniões ou eventos corporativos.

Quais são os sinais de que o poder se tornou uma armadilha?

Nem sempre é fácil identificar quando a autonomia, visibilidade e ascensão viram um problema. Quando o profissional chega ao topo, muitas coisas mudam: participação em reuniões mais estratégicas; aumento salarial; destaque nos eventos da empresa e “respeito” pela nova posição; e é nesse momento que se separam as crianças dos adultos.

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Abaixo trago alguns sinais que demonstram o efeito nocivo que o poder pode gerar. Quando o líder...

  • Gosta de ser bajulado - quando o líder sente prazer em ser elogiado constantemente e valoriza mais quem o agrada do que quem entrega resultados, abre espaço para relações tóxicas e decisões enviesadas. A bajulação substitui o feedback honesto, de modo que a performance do time começa a ser guiada pelo ego do chefe, e não pelos objetivos da organização;
  • Leva rapidamente a relação para o nível pessoal - ao misturar com frequência laços pessoais com relações profissionais, o líder pode comprometer sua imparcialidade. Isso gera confusão no time: decisões passam a parecer favorecimentos, críticas soam como traições e os limites entre o que é ético e o que é conveniente se tornam nebulosos;
  • Perde a ‘mão’ nos eventos corporativos - seja em festas, confraternizações ou viagens a trabalho, o líder que ultrapassa os limites do bom senso pode afetar sua imagem e a confiança que o time deposita nele. Exageros, comportamentos inadequados ou piadas fora de hora fragilizam sua autoridade e comprometem o respeito conquistado;
  • Traz para si o mérito das conquistas do time - ao ignorar as contribuições coletivas e centralizar os reconhecimentos em si, o líder compromete a motivação do grupo. Equipes se frustram quando não são valorizadas, e o ambiente se torna competitivo de forma nociva. A liderança saudável reconhece e celebra as vitórias como resultado do trabalho conjunto;
  • Se vangloria e ressalta suas qualidades a todo momento - excesso de autovalorização é sinal de insegurança disfarçada. O líder que precisa constantemente reafirmar suas conquistas e habilidades comunica, sem perceber, que busca validação externa. Isso enfraquece sua autoridade e distancia os liderados, que passam a ver o gestor mais como uma figura vaidosa do que como uma referência de inspiração.

Quando o líder consegue agir de maneira congruente, alinhando discurso e prática, ele desenvolve sua autoridade, que é a habilidade de engajar as pessoas em torno de um propósito, de objetivos claros e sustentáveis, sendo percebido como alguém que inspira e é merecedor de confiança. Um líder com autoridade…

  • Reconhece os méritos do time com generosidade;
  • Pratica a escuta ativa, mesmo quando discorda;
  • É discreto em sua postura, mas firme em seus posicionamentos;
  • Mantém a coerência entre o que fala e o que entrega;
  • Não precisa de palco — sua presença já basta.

Em tempos de exposição excessiva e carreiras que se constroem em tempo real nas redes sociais, o verdadeiro diferencial está em como o líder usa o poder para servir, e não para se servir dele. A autoridade não é dada pelo cargo, mas conquistada pela consistência. E isso exige autoconsciência, humildade e compromisso com o coletivo.

Por isso, deixo uma pergunta essencial para sua reflexão: você está usando o poder como instrumento de influência positiva ou como escudo para inflar o próprio ego?

Nesta coluna, trarei reflexões sobre carreira, liderança, coaching e tendências que impactam o mundo do trabalho. Sua participação é muito bem-vinda! Deixe sua pergunta, comente este post ou envie uma mensagem pelo Instagram: @delaniasantosds. Aproveite para se inscrever no canal do YouTube: @delaniasantosds. Será um prazer ter você comigo nessa jornada. Até a próxima!

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