Por que o número de investidores na bolsa continua em alta?

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Legenda: Com um celular na mão e R$ 50,00 para investir (ou até menos), é possível aplicar os recursos em diversas classes de ativos
Foto: Thiago Gadelha

A bolsa de valores no Brasil, apesar de apresentar performance negativa nos últimos meses, continua avançando no número de CPFs e contas de investidores de pessoas físicas.

No Brasil, com mais de R$ 519 bilhões investidos em renda variável ou equities, foi superada a marca de 4 milhões de contas de pessoas físicas no 3º trimestre de 2021.

É um recorde. Em número de CPFs, já são 3,4 milhões. É bom lembrar que cada CPF pode abrir mais de uma conta em diferentes instituições. Outro número que impressiona: 75% dos investidores atuais entraram a partir de 2019.

Os investimentos da pessoa física na bolsa de valores no 3º trimestre de 2021 cresceram 29% em número de contas e 30% em CPFs, bem como avançou 37% em valores investidos, quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, segundo relatório recente publicado pela B3. 

Nos valores investidos, ainda segundo a B3, as ações e os fundos imobiliários, que são aqueles de maior representatividade na renda variável, cresceram 37% e 27%, respectivamente, em valores custodiados nos últimos doze meses. 

QUAIS AS RAZÕES PARA O CRESCIMENTO DO INVESTIDORES NA BOLSA?

É verdade que a renda fixa vem ganhando preferência nos últimos meses, mas se engana quem acredita que a renda variável está fadada ao ostracismo com a elevação da taxa Selic.

Estamos em plena transformação do mundo dos investimentos. A chegada dos novos investidores na bolsa, tem uma série de fatores, e o motor dessa transformação passa, fundamentalmente, pela flexibilidade na hora de investir, perfil etário e maior desejo de diversificar os investimentos. 

FLEXIBILIDADE PARA INVESTIR

Investir na bolsa está cada vez mais fácil. As barreiras de entrada para novos investidores são mínimas. A tecnologia avança a passos largos e a competição entre as instituições do mercado financeiro na seara dos investimentos possibilitou uma série de benefícios, o que reverberou na flexibilização na hora de investir. 

Com um celular na mão e R$ 50,00 para investir (ou até menos), é possível aplicar os recursos em diversas classes de ativos, de diferentes níveis de sofisticação, com rapidez, segurança e taxas atrativas. 

A flexibilidade na hora de investir se materializa claramente no primeiro valor investido. Em anos anteriores, a mediana do primeiro valor aplicado na bolsa pelos investidores era na casa dos milhares de reais.

No último mês de setembro, a mediana do primeiro valor aportado foi de apenas R$ 273,00. Ainda segundo a B3, entre os 86 mil investidores que entraram em setembro de 2021, 46% fez seu primeiro investimento de até R$200. Conheço pessoas que começaram com menos de R$ 30,00. 

PERFIL POR IDADE

Segundo a B3, a faixa etária de 25 a 39 anos representa maior parte dos novos investidores, e na sequência, estão os investidores de 19 a 24 anos.

Estas duas faixas etárias representam conjuntamente 78% dos investidores em renda variável. Trata-se de público mais propenso a tomar riscos no mundo dos investimentos.

Em termos de safra dos novos investidores, a faixa etária de 25 a 39 continua sendo a que mais avança. Do ponto de vista de finanças, a preferência deste público pela renda variável, por se tratar de investimento mais de longo prazo, faz todo sentido este movimento de ingresso de novos aplicadores.

Os melhores ativos tendem a apresentar resultados ao longo do tempo e as oscilações de curto prazo são mitigadas com o tempo de investimento mais duradouro.

Caso haja perda financeira nos investimentos, os investidores dessa faixa etária (até 39 anos) possuem tempo mais que suficiente para recuperar o capital perdido.

Não posso deixar de mencionar interesse de muitos jovens em transações especulativas, como o Day Trade, que também é motor de crescimento dos investidores. Para este público, tenho uma recomendação: cuidado!

DIVERSIFICAÇÃO

O desejo de diversificação dos investidores é evidente. Os investidores não se contentam com apenas com a renda fixa. Combinado com a vontade dos aplicadores, o mercado financeiro, cada vez mais sofisticado, dispõe cada vez mais de diferentes alternativas de investimentos. 

Podemos citar como exemplo recente os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) que registram espetacular avanço nos últimos 12 meses de 371% em volume investido. Em número de investidores que investem em BDRs, o crescimento é de 1.414%. Incrível!

Antigamente, a “prateleira” de produtos de investimentos era bem mais tímida, inclusive dentro da própria bolsa de valores.

Para se ter uma ideia, em 2016, cerca de 78% dos investidores na bolsa possuíam apenas ações. Atualmente, com a diversidade de alternativas de investimentos, este número é 49%, e o restante está alocado em ações, fundos imobiliários, Exchange Traded Funds (ETFs), entre outros. 

É inegável todo o esforço das instituições do mercado financeiro em atrair novos investidores para a bolsa de valores.

A chegada de novos instrumentos financeiros, como os BDRs, a popularização e a diversificação dos ETFs, o avanço dos fundos imobiliários e as aberturas de capital de diversas empresas, são forças motrizes importantes para a expansão no número de investidores na bolsa.

Por fim, vislumbra-se que o número de investidores deve continuar crescendo, contudo, deve ocorrer de forma mais amena, sobretudo no próximo ano, em que a volatilidade deve ser elemento presente na seara dos investimentos.

Grande abraço e até a próxima semana!

Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.