Onde estão os menores juros?
O Banco Central voltou a cortar os juros. O Comitê de Política Monetária (Copom), no início de agosto, reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano — a quarta queda consecutiva, em decisão unânime.
A Selic é a taxa básica da economia brasileira e serve de referência para o custo do dinheiro no país. Quando ela cai, a expectativa natural é que os juros cobrados das famílias e das empresas caiam também. Mas essa transmissão é lenta e, enquanto ela não chega, o crédito segue com juros elevados.
A distância entre a Selic e o seu bolso
As estatísticas monetárias e de crédito do próprio Banco Central, a partir de dados mais recentes, referentes a junho, mostram o tamanho da distância. A taxa média do crédito de mercado para as pessoas físicas alcançou 64% ao ano. No rotativo do cartão de crédito, a média chegou a 442,4% ao ano e, no cheque especial, a 139,8% ao ano. São as duas linhas de crédito mais caras do mercado e, justamente por estarem à mão, as mais usadas nas emergências.
Só que essas médias escondem uma variação enorme. O mesmo produto pode custar dez, vinte vezes mais dependendo da instituição. E é aqui que entra uma ferramenta pública, gratuita e pouco conhecida.
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A ferramenta do Banco Central de consulta dos juros
O Banco Central divulga, semanalmente, as taxas médias praticadas por cada instituição financeira, modalidade por modalidade, em ordem da mais barata para a mais cara. A consulta pode ser feita no link.
Em poucos cliques, qualquer pessoa descobre quanto cada banco cobra no cartão, no cheque especial, no crédito pessoal, no financiamento do carro ou do imóvel.
Juros do cartão de crédito e do cheque especial
Para ilustrar, veja as dez menores taxas do rotativo do cartão de crédito para pessoa física, no levantamento do período iniciado em 20 de julho.
- RP Financeira — 0,20% a.m. (2,40% a.a.)
- Zema CFI — 0,50% a.m. (6,19% a.a.)
- Banco Industrial do Brasil — 4,46% a.m. (68,74% a.a.)
- Banco Daycoval — 5,26% a.m. (84,97% a.a.)
- Banco Genial — 8,42% a.m. (163,83% a.a.)
- Banco Stellantis — 9,07% a.m. (183,50% a.a.)
- Banco Sicoob — 10,06% a.m. (215,92% a.a.)
- Banco Rendimento — 10,15% a.m. (218,85% a.a.)
- Banco Safra — 10,87% a.m. (244,90% a.a.)
- Banco BTG Pactual — 10,90% a.m. (245,92% a.a.)
E veja as dez menores taxas do cheque especial para pessoa física, no mesmo período.
- Ouribank — 2,18% a.m. (29,48% a.a.)
- Banco Semear — 2,51% a.m. (34,60% a.a.)
- Banco Original — 3,52% a.m. (51,53% a.a.)
- Banco Pan — 4,24% a.m. (64,58% a.a.)
- Banco Sicoob — 4,52% a.m. (69,98% a.a.)
- Banco do Nordeste — 5,43% a.m. (88,59% a.a.)
- BRB (Banco de Brasília) — 5,96% a.m. (100,38% a.a.)
- Banestes — 6,16% a.m. (104,97% a.a.)
- Banpará — 7,24% a.m. (131,39% a.a.)
- Banco Safra — 7,38% a.m. (134,90% a.a.)
Duas observações de método são necessárias. A primeira é que as taxas representam a média das operações efetivamente contratadas em cada instituição no período. O juro oferecido a cada cliente varia conforme o relacionamento e o perfil de risco.
A segunda é que algumas financeiras pequenas aparecem no topo com taxas muito baixas porque operam nichos específicos. Entre os grandes bancos, porém, a diferença entre o mais barato e o mais caro ainda é gritante de maneira que é exatamente essa comparação que interessa.
Como usar essa informação a seu favor?
Na prática, a consulta serve para três coisas. Escolher onde contratar um crédito antes de precisar dele, negociar com o seu banco mostrando o que a concorrência cobra e, se a resposta não vier, pedir a portabilidade da dívida, que é um direito do cliente e pode ser solicitada gratuitamente.
Por fim, fica a reflexão de que juros altos punem, sobretudo, quem decide no aperto, sem comparar. A informação para escapar dessa armadilha é pública, oficial e está a cinco segundos de distância.
Grande abraço,
Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.