A solução para a informalidade está chegando?

Escrito por
Allison Martins allissonmartins@unifor.br
Legenda: Reforma tributária pode ser ponto de mudança para informais brasileiros.
Foto: Kid Junior

A reforma tributária pode fazer pelos negócios cearenses o que décadas de tentativas de políticas governamentais e fiscalização não conseguiram: reduzir a informalidade. E o motor dessa mudança não será o fiscal, e sim, o interesse próprio das empresas.

O Brasil já testa um novo modelo de tributação do consumo que é o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), adotado por mais de 170 países. Por aqui, ele substituirá gradualmente cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de natureza federal;
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de estados e municípios.

A grande novidade da reforma tributária é que cada empresa pagará imposto apenas sobre o valor que adiciona ao produto ou serviço, descontando, na forma de créditos, o tributo já pago pelos seus fornecedores nas etapas anteriores.

Efeito formalização da Reforma Tributária

Em relatório recente do Bradesco (Economic Insights, junho de 2026), sob o título “'A reforma tributária do Brasil: o efeito formalização”, traz consigo uma importante conclusão dos efeitos da formalização dos negócios, como resultado da implementação da reforma tributária.

Na lógica do imposto sobre o valor adicionado, por meio dos novos impostos, para recuperar esses créditos, a empresa precisa que o fornecedor emita nota fiscal, de maneira que comprar sem nota passa a ter custo financeiro direto.

Em consequência, as empresas exigirão documentação de seus fornecedores, e estes, para não perder vendas e clientes, terão de se formalizar. O incentivo se propaga por toda a cadeia produtiva, sem que o fiscal precise bater à porta.

A experiência internacional confirma o efeito. Em estudos acadêmicos, percebeu-se que no Chile, o rastro documental do IVA fez sozinho boa parte do trabalho de fiscalização; e no Peru, a nota fiscal eletrônica obrigatória elevou as vendas declaradas em 7,4% já no primeiro ano. Como nossa infraestrutura digital vai além da chilena e da peruana, o estudo do Bradesco projeta efeitos ainda maiores por aqui.

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Informalidade no Nordeste

E por que isso importa tanto para nós? Porque o Nordeste segue sendo região de elevada informalidade. Segundo a PNAD Contínua (IBGE), no primeiro trimestre de 2026, 37,3% dos ocupados no Brasil eram informais. Veja o ranking regional:

Informalidade no Nordeste — 1º trimestre de 2026 (%)

  1. Maranhão — 57,6%
  2. Bahia — 50,6%
  3. Piauí — 50,2%
  4. Ceará — 49,4%
  5. Sergipe — 46,9%
  6. Paraíba — 46,0%
  7. Pernambuco — 45,6%
  8. Alagoas — 42,6%
  9. Rio Grande do Norte — 41,5%

Fonte: IBGE, PNAD Contínua (2026)

O Ceará tem a quarta maior taxa de informalidade do Nordeste, 12 pontos acima da média nacional. Há, porém, uma boa notícia escondida na série: partimos de 54% no fim de 2015 e, no primeiro trimestre de 2026, ficamos abaixo de 50% pela primeira vez. A economia vem formalizando devagar e a reforma tributária pode acelerar o passo.

O dilema do Simples Nacional

Um alerta aos pequenos negócios, maioria absoluta das empresas cearenses, no novo sistema tributário, quem está no Simples Nacional, não gera créditos plenos dos impostos IBS e CBS para seus clientes. Será preciso pesar a carga tributária menor contra a desvantagem de não fornecer os créditos que os clientes empresariais passarão a exigir.

Quem vende para outras empresas sentirá a pressão primeiro e muitos concluirão que vale migrar para o regime regular, deixando a opção do Simples Nacional.

Por fim, um recado ao empresário cearense, não espere 2027 chegar, converse com seu contador.

E os efeitos da reforma não param na informalidade. Ela mexerá com a estratégia tributária das empresas, com o caixa (impactado pelo chamado split payment) e chegará até os empréstimos e financiamentos bancários. Novidades estão a caminho!

Grande abraço,

Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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