O outro lado da inflação: veja os 20 produtos e serviços que mais caíram de preço

Escrito por
Allisson Martins allissonmartins@unifor.br
(Atualizado às 18:03)
Legenda: Os vilões locais foram transportes, que subiu 5,48% no semestre, o dobro da média nacional de 2,76%.
Foto: Fabiane de Paula.

As manchetes jornalísticas que tratam da inflação destacam, e com razão, os produtos que mais pesaram no bolso. Contudo, quero chamar a atenção que a inflação é uma média, e toda média esconde os dois extremos.

Vale lembrar que este colunista abordou recentemente no texto “Os vilões do bolso: o que mais pesa na inflação de Fortaleza em 2026”.

Hoje quero mostrar o extremo que quase ninguém conta, que são os itens que ficaram mais baratos, no primeiro semestre de 2026 na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Ou seja, vamos tratar do outro lado da inflação, que é a queda de preços, conhecida por deflação. Antes, porém, vamos ao quadro geral.

O quadro geral da inflação no semestre

O IPCA, a inflação oficial do país, fechou o primeiro semestre com alta acumulada de 3,36%, enquanto na Grande Fortaleza, a taxa foi ainda mais salgada: 3,97%, a quarta maior do País entre as 16 áreas pesquisadas pelo IBGE, atrás apenas de São Luís (4,37%), Aracaju (4,20%) e Campo Grande (4,00%).

A boa notícia é que o ritmo perdeu força: em junho, o índice nacional subiu apenas 0,16%, e o da Grande Fortaleza foi de 0,12%, ante 0,72% em maio.

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A leitura por grupos ajuda a entender onde o bolso do fortalezense apanhou e onde respirou. Os vilões locais foram transportes, que subiu 5,48% no semestre, o dobro da média nacional de 2,76% (efeito do ônibus urbano, com alta de 20,41%, além do táxi e do diesel), e educação, com 6,14%.

A média esconde o outro lado

Agora, o mergulho que interessa. O IPCA da Grande Fortaleza é calculado por um índice geral, grupos, subgrupos, itens, além de 219 subitens, em que estes vão do tomate à passagem aérea, do aluguel ao corte de cabelo.

Pois bem, caro leitor, ainda que a maioria dos subitens tenham apresentado elevação nos preços, em outro sentido, 47 ficaram mais baratos no primeiro semestre de 2026.

Os bens e serviços que apresentaram queda de preços (deflação) representam um em cada cinco produtos e serviços pesquisados (21,5%). Enquanto o tomate subia 128,48%, a batata-inglesa, 121,13%, e a cenoura, 115,73%, quase meia centena de itens seguia o caminho oposto.

Os 20 produtos e serviços que mais caíram

A lista das maiores quedas na Grande Fortaleza, no 1º semestre de 2026, segundo o IBGE, é esta:

1. Transporte por aplicativo (-14,73%)

2. Vestido infantil (-10,43%)

3. Açúcar cristal (-9,22%)

4. Óleo de soja (-8,19%)

5. Café moído (-7,49%)

6. Caderno (-4,69%)

7. Maracujá (-4,54%)

8. Cortina (-4,35%)

9. Peixe palombeta (-3,75%)

10. Alho (-3,60%)

11. Vestido (-3,39%)

12. Cheiro-verde (-3,24%)

13. Camisa/camiseta infantil (-3,18%)

14. Fubá de milho (-2,90%)

15. Automóvel usado (-2,78%)

16. Caldo concentrado (-2,66%)

17. Atomatado (-2,59%)

18. Bermuda/short masculino (-2,36%)

19. Fogão (-2,30%)

20. Camarão (-2,23%)

O destaque simbólico da lista é o café moído. Grande vilão da inflação de 2025, ele acumula queda de 7,49% na Grande Fortaleza neste ano. Vale ressaltar que o café tem um dos maiores pesos individuais da cesta.

Açúcar, óleo de soja e alho seguem o mesmo roteiro de devolução das altas passadas, com ajuda de safras melhores e maior oferta, como aponta o próprio IBGE.

A lista revela ainda dois movimentos que vão além da feira. No guarda-roupa, os vestidos, camisetas infantis, além de bermudas e shorts masculinos mais baratos explicam por que roupas foi o único subgrupo do índice com deflação na Região Metropolitana de Fortaleza no semestre (-0,13%).

E há bens de maior valor em queda: o automóvel usado recuou 2,78% e o fogão, 2,30%. Sem contar o transporte por aplicativo, líder do ranking, 14,73% mais barato que no fim de 2025.

O que fazer com essa informação

Há um detalhe que amplifica a importância dessas quedas: alimentação e bebidas respondem por 24,3% do orçamento medido pelo IPCA na Grande Fortaleza, fatia maior que os 21,8% da média nacional.

Cada recuo no supermercado rende, portanto, um alívio proporcionalmente maior por aqui do que no restante do país. E é aí que mora a oportunidade prática, pois quem entende que a inflação é uma média pode usá-la a seu favor, substituindo no carrinho os itens que dispararam pelos que caíram, trocando-os por opções mais baratas e aproveitando o café e o açúcar para recompor a despensa.

A inflação, medida pelo IPCA, que sai no noticiário é a média de milhares de preços, enquanto a sua inflação é a do seu carrinho de compras. Cada pessoa tem sua inflação.

Na Grande Fortaleza, 47 produtos e serviços ficaram mais baratos neste semestre. Lista de compras na mão e atenção ao que caiu de preço, pois estatística boa é aquela que vira economia no fim do mês.

Grande abraço!

Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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