O Ceará e o fim do crescimento populacional
O IBGE divulgou, no dia 28 de agosto, as estimativas da população para 2026. O Brasil chegou a 214,2 milhões de habitantes, com crescimento de 0,37% em um ano, abaixo dos 0,39% registrados no ano anterior. O Ceará alcançou 9.302.211 pessoas, 33 mil a mais que em 2025, e segue como o oitavo estado mais populoso do País e o terceiro do Nordeste, atrás apenas da Bahia (14,9 milhões) e de Pernambuco (9,6 milhões).
Vale lembrar que este colunista abordou recentemente, no texto “A economia prateada bate à porta do Ceará”, os desafios e as oportunidades que o envelhecimento traz. Hoje quero mostrar o que os novos números dizem sobre Fortaleza e, principalmente, até quando o Ceará vai continuar crescendo.
Fortaleza amplia vantagem sobre Salvador
Fortaleza chegou a 2.582.360 habitantes e manteve o posto de quarta cidade mais populosa do Brasil. Veja o ranking das cinco maiores.
- São Paulo, 11.911.337 habitantes;
- Rio de Janeiro, 6.731.133 habitantes;
- Brasília, 3.009.996 habitantes;
- Fortaleza, 2.582.360 habitantes;
- Salvador, 2.559.945 habitantes.
O detalhe que mais chama a atenção é que a distância para Salvador aumenta a cada ano. A vantagem de Fortaleza, que era de pouco mais de 5 mil habitantes em 2024, já passa de 22 mil em 2026.
A explicação está nos sinais opostos. Fortaleza ainda cresce, embora devagar, a 0,15% ao ano. Salvador perde moradores, com queda de 0,17%, e integra o grupo de quatro capitais que encolheram em relação a 2025, ao lado de Natal, Belém e Belo Horizonte.
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Região Metropolitana de Fortaleza
A Fortaleza que cresce pouco, porém, esconde uma região metropolitana que cresce mais. Os 19 municípios da Grande Fortaleza somam 4,17 milhões de habitantes, 45% da população cearense, e avançaram 0,40% no ano, quase o triplo do ritmo da capital, puxados por Itaitinga (+2,4%), Eusébio (+2,0%) e Horizonte (+1,4%).
O Ceará para de crescer em 2043
As estimativas anuais nascem das Projeções da População do IBGE, que vão até 2070. Vale explicar que uma projeção não é uma previsão, e sim um exercício que combina as tendências de natalidade, mortalidade e migração para desenhar o futuro mais provável. E esse futuro, para o Ceará, já tem data marcada.
A população cearense deve atingir o pico em 2042, com 9,58 milhões de habitantes, e começará a diminuir em 2043.
Nordeste: População no Pico
| LOCAL | ANO | POPULAÇÃO NO PICO |
| Alagoas | 2026 | 3,22 milhões |
| Maranhão | 2033 | 7,05 milhões |
| Bahia | 2034 | 14,98 milhões |
| Piauí | 2036 | 3,43 milhões |
| Pernambuco | 2038 | 9,72 milhões |
| Rio Grande do Norte | 2038 | 3,52 milhões |
| Sergipe | 2041 | 2,37 milhões |
| Ceará | 2042 | 9,58 milhões |
| Paraíba | 2044 | 4,34 milhões |
| Nordeste | 2037 | 58,09 milhões |
| Brasil | 2041 | 220,43 milhões |
Fonte: IBGE, Projeções da População, Revisão 2024. A população começa a cair no ano seguinte ao do pico.
No Nordeste, o Ceará será o penúltimo estado a começar a encolher. Só a Paraíba segura o crescimento por mais tempo, enquanto Alagoas já atingiu o teto neste ano. Um efeito curioso desse descompasso é que, como Pernambuco começa a perder população quatro anos antes, o Ceará deve ultrapassá-lo em 2059 e virar o segundo estado mais populoso da região.
Mercado de Trabalho
Menos gente não significa, necessariamente, menos riqueza, desde que cada trabalhador produza mais. É por isso que educação, qualificação e produtividade viram a única saída para o Ceará seguir crescendo, enquanto a demanda por saúde, cuidado e previdência sobe em ritmo muito superior ao da arrecadação.
Há um alerta que vem antes de 2043. O número de cearenses em idade de trabalhar, de 15 a 64 anos, já para de crescer em 2036, seis anos antes do pico da população total. É o fim do chamado bônus demográfico, fase em que a parcela de trabalhadores aumenta em relação à de crianças e idosos e dá impulso natural à economia. Essa janela fecha em dez anos.
O Ceará do Futuro
O estado que para de crescer é também um estado que envelhece rápido. Hoje, cerca de 1,5 milhão de cearenses têm 60 anos ou mais, ou 16% da população. Em 2042, no pico populacional, serão quase 25%. Em 2070, quatro em cada dez cearenses terão 60 anos ou mais, e a faixa de 80 anos ou mais, que hoje reúne 2,6% da população, chegará a 11,8%, com mais de 1 milhão de pessoas.
Por fim, os números do IBGE mostram um Ceará que ainda ganha habitantes e consolida Fortaleza como a quarta maior cidade do País, mas que tem menos de duas décadas de crescimento pela frente. Não vejo isso como má notícia, e sim como um prazo. Quem planeja hoje a escola, o hospital, a cidade e o negócio pensando no cearense de 2043, mais velho e em menor número, chega lá preparado. Quem ignora o calendário demográfico será “surpreendido” por ele.
Grande abraço!
* Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.