A economia prateada bate à porta do Ceará
O século XXI será o século da transformação demográfica. E aquilo que por décadas foi tratado só como um problema previdenciário começa, enfim, a ser visto também uma das maiores oportunidades econômicas do nosso tempo, que é a chamada economia prateada.
Não há idade única para delimitar a economia prateada, de forma que estudos internacionais costumam adotar o corte dos 50 anos ou mais. Como as estatísticas do IBGE agrupam a população em “60 anos ou mais”, usarei aqui essa faixa como aproximação conservadora.
No Brasil, os dados da PNAD Contínua, do IBGE, apontam que a população com 60 anos ou mais saltou de 21,9 milhões no início de 2012 para 36 milhões no começo de 2026, o que representa alta de 64% em pouco mais de uma década. Hoje são 16,9% dos brasileiros com essa faixa etária, contra 11,1% em 2012.
A ECONOMIA PRATEADA NO CEARÁ
O Ceará já tem cerca de 1,55 milhão de pessoas com 60 anos ou mais — 16,7% da população, praticamente o mesmo peso nacional. Em 2012, eram 11,3% dos cearenses.
O número de cearenses com 60+ de idade na força de trabalho subiu de 222 mil para 310 mil, com taxa de desocupação em torno de 2%, a menor entre todas as idades.
Mais revelador, porém, é olhar para a onda que se forma. As faixas de 40 a 59 anos, ou seja, a próxima geração da economia prateada, além das pessoas com mais de 60 anos, vem crescendo muito acima da média da população.
Somados, esses dois grupos já são quase 4 milhões de pessoas, de maneira que já representam quatro em cada dez cearenses. E a fila não vai parar nas próximas duas décadas, como mostra o movimento que vem em tracionamento nos últimos anos.
RENDA DA ECONOMIA PRATEADA NO CEARÁ
E essa onda não é só numerosa: tem poder de compra. A maturidade costuma coincidir com a elevação da renda — pico de carreira, patrimônio acumulado e, entre os mais velhos, o reforço de aposentadorias e pensões. Não por acaso, as faixas de 40 a 59, e de 60 anos ou mais, ganham mais que a média da população ocupada:
No Ceará, o trabalhador com 60 anos ou mais recebe, em média, R$ 2.651 por mês, acima da média estadual, de R$ 2.597, e isso sem contar a aposentadoria. É esse consumidor maduro e solvente que dá lastro à economia prateada.
OPORTUNIDADES ECONÔMICAS PARA A ECONOMIA PRATEADA
As oportunidades são concretas, como a economia da estética e da saúde liderando evidentemente. Outras oportunidades também estão no radar, como no entretenimento, no turismo e na educação. Não se trata, porém, de mágica. Capturar esse mercado exige preparo. O varejo e os serviços, de letra miúda, de atendimento apressado, deixam dinheiro na mesa.
O Ceará não pode encarar a transformação demográfica apenas como uma conta a pagar. Na verdade, quem se mover primeiro, vai surfar essa onda da economia prateada; de outro lado, quem hesitar, vai apenas vê-la passar. O futuro da economia cearense terá, cada vez mais, cabelos grisalhos e poder de compra para sustentá-lo.
Grande abraço e até a próxima semana!
Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.