O que você precisa para recuperar suas forças?
Nos dias em que faltam forças, é imperioso saber onde poderemos nos abastecer.
Existem dias em que parece que fomos drenados de nossas energias, como se nos arrastássemos pela existência; procuramos forças para alimentar o agir mas o desejo parece que escoou de nossa alma. Muitas situações podem provocar essa sensação de esgotamento: violências, vida precarizada, injustiças, excesso de demandas, adoecimentos, problemas não resolvidos, insatisfação consigo, relações interpessoais abusivas etc.
Nesses dias, parece que o único lugar possível para existir seria uma cama, uma rede, um lugar silencioso e escuro feito um útero, onde de forma mágica pudéssemos renascer e reiniciar, abastecidos de alguma proteção e amor.
É preciso identificar qual a nossa "kryptonita", aquilo que é familiar, que está por perto no cotidiano, faz parte da nossa história e suga a nossa energia. Pode ser o dizer sim para agradar sempre, o medo de ser diferente, a falta de cuidado com o corpo, a dificuldade em enfrentar uma situação difícil, a falta de rede de apoio, a impulsividade que faz atacar e perder coisas boas, o egoísmo, a baixa autoestima, relações abusivas, não ser escutado nem se escutar, ou se sentir sem valor.
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Nos dias em que faltam forças para agir, para lutar, para existir, para desejar é imperioso saber onde poderemos nos abastecer. A "gasolina" humana é feita de sonhos, cuidado, vínculos, esperança e criatividade para impulsionar os dias, e na falta desses componentes, ficamos sem energia.
Assim, é preciso que cada um saiba onde e o que precisa buscar que lhe revitaliza. Como se cada pessoa precisasse saber o local onde fica sua reserva de forças e sua caixa de emergência. Isso exige um conhecimento profundo de si, dos seus limites, suas necessidades e daquilo que existe na sua vida que funciona como retaguarda protetiva.
Às vezes, precisamos de um abraço, de uma música, de um filme, de um cafuné, de uma palavra, de uma comida preparada com afeto, de um descanso reparador, de sorrisos, de viagens, de leituras, de aprendizagens, de novos trabalhos, distanciamento de cobranças abusivas, ajuda profissional, de uma benção, de cuidados com o corpo, de atividade física, de lazer.
Pode ser que nossas forças se recuperem com palavras, com perdões, com mudanças de rota, com compreensão, com distanciamento do que nos faz mal e encontros apaziguadores com o que nos acolhe, encanta e brota alegrias revitalizadoras.
Pode ser que precisemos de contato com a natureza, de leveza nos dias, solucionarmos e olharmos de frente aquele problema colocado embaixo do tapete há tanto tempo, pode ser preciso chorar para recuperar as forças, pode ser necessário aceitar perder, pode ser necessário revisitar ilusões, desejos, enfrentar aspectos da realidade que não desejamos ver.
O medo pode paralisar e escoar forças, drenando para o modo sobrevivência o que deveria ser a existência criativa e integral. Regular-se emocionalmente, recuperar-se, proteger-se da extinção é uma tarefa inalienável.
Revisite o que lhe dá alegria genuína, onde se sente pertencendo, aceito, cuidado, preste atenção onde, com o quê e com quem penhora seu tempo e sua energia, e como se sente depois. Escute-se, procure as mãos que podem estar disponíveis para somar às suas e reinicie para um modo alternativo ao que tem vivido, se a sobrecarga estiver lhe paralisando.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora.