O que o caso Hard Rock ensina sobre investimento imobiliário
Seu Francisco tinha uma certeza na vida: imóvel não mente. Trabalhou 20 anos como técnico de enfermagem em Fortaleza, juntou as economias, e quando apareceu um vendedor bem vestido oferecendo uma cota num resort cinco estrelas na praia de Lagoinha, ele assinou na hora.
Tijolo, mar e marca internacional. O que poderia dar errado? Hoje, o complexo é um esqueleto de concreto no Litoral Oeste do Ceará. A marca Hard Rock saiu do projeto.
E o Seu Francisco integra um grupo de mais de 3,7 mil investidores cearenses com processos na Justiça tentando reaver o dinheiro. O Decon, órgão do Ministério Público do Ceará, multou a empresa responsável em mais de R$ 12 milhões. Mesmo quem ganhou na Justiça ainda não recebeu.
O Seu Francisco não é ingênuo. Ele foi vítima de um risco que ninguém explicou para ele.
O risco que mora no tijolo
Investimento imobiliário direto tem um problema silencioso: baixa liquidez. Quando o negócio vai bem, tudo parece sólido.
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Quando trava, o investidor descobre que não consegue sair, não consegue reaver o dinheiro e ainda fica anos esperando uma obra que pode nunca terminar.
Esse risco nunca aparece no folder de vendas.
O que o Seu Francisco não sabia que existia
Existe uma forma de investir no mercado imobiliário com liquidez diária, sem obra, sem síndico e com aporte inicial a partir de R$ 100. São os Fundos de Investimento Imobiliário, os FIIs, negociados na bolsa e regulados pela CVM.
Um FII pode ter na carteira shoppings, galpões logísticos, hospitais, lajes corporativas. O cotista recebe rendimentos mensais, isentos de Imposto de Renda para pessoa física, e pode vender sua participação a qualquer momento, sem depender de nenhuma construtora terminar uma obra.
Enquanto 3,7 mil cearenses aguardam o desfecho judicial de um processo, quem investiu o mesmo valor num FII há cinco anos recebeu renda todo mês e pode resgatar o dinheiro quando quiser.
A lição de Lagoinha
O desejo de ter imóvel como investimento é legítimo. O problema não é querer investir em imóvel. O problema é não saber que existe uma forma de fazer isso com muito mais proteção.
O Seu Francisco não errou por ganância. Errou por falta de informação. E essa é exatamente a diferença que a educação financeira pode fazer: não é saber mais do que os outros, é saber o suficiente para não ser enganado por quem sabe menos do que aparenta.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.