O que o caso Hard Rock ensina sobre investimento imobiliário

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Existe uma forma de investir no mercado imobiliário com liquidez diária.
Foto: Shutterstock.

Seu Francisco tinha uma certeza na vida: imóvel não mente. Trabalhou 20 anos como técnico de enfermagem em Fortaleza, juntou as economias, e quando apareceu um vendedor bem vestido oferecendo uma cota num resort cinco estrelas na praia de Lagoinha, ele assinou na hora.

Tijolo, mar e marca internacional. O que poderia dar errado? Hoje, o complexo é um esqueleto de concreto no Litoral Oeste do Ceará. A marca Hard Rock saiu do projeto.

E o Seu Francisco integra um grupo de mais de 3,7 mil investidores cearenses com processos na Justiça tentando reaver o dinheiro. O Decon, órgão do Ministério Público do Ceará, multou a empresa responsável em mais de R$ 12 milhões. Mesmo quem ganhou na Justiça ainda não recebeu.

O Seu Francisco não é ingênuo. Ele foi vítima de um risco que ninguém explicou para ele.

O risco que mora no tijolo

Investimento imobiliário direto tem um problema silencioso: baixa liquidez. Quando o negócio vai bem, tudo parece sólido.

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Quando trava, o investidor descobre que não consegue sair, não consegue reaver o dinheiro e ainda fica anos esperando uma obra que pode nunca terminar.

Esse risco nunca aparece no folder de vendas.

O que o Seu Francisco não sabia que existia

Existe uma forma de investir no mercado imobiliário com liquidez diária, sem obra, sem síndico e com aporte inicial a partir de R$ 100. São os Fundos de Investimento Imobiliário, os FIIs, negociados na bolsa e regulados pela CVM.

Um FII pode ter na carteira shoppings, galpões logísticos, hospitais, lajes corporativas. O cotista recebe rendimentos mensais, isentos de Imposto de Renda para pessoa física, e pode vender sua participação a qualquer momento, sem depender de nenhuma construtora terminar uma obra.

Enquanto 3,7 mil cearenses aguardam o desfecho judicial de um processo, quem investiu o mesmo valor num FII há cinco anos recebeu renda todo mês e pode resgatar o dinheiro quando quiser.

A lição de Lagoinha

O desejo de ter imóvel como investimento é legítimo. O problema não é querer investir em imóvel. O problema é não saber que existe uma forma de fazer isso com muito mais proteção.

O Seu Francisco não errou por ganância. Errou por falta de informação. E essa é exatamente a diferença que a educação financeira pode fazer: não é saber mais do que os outros, é saber o suficiente para não ser enganado por quem sabe menos do que aparenta.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

 

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