Funk brasileiro deve tomar proporção global, diz 'The Economist'

Especialista apontou ainda que sertanejo tem 'pouco potencial de exportação'

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Anitta é destacada como uma das atuais embaixadoras da música brasileira
Foto: Reprodução/Facebook

O jornal The Economist, um dos principais veículos de comunicação do Reino Unido, voltou os olhares ao mercado da música do Brasil após os holofotes em cima do filme "Ainda Estou Aqui" no Oscar. Publicada em edição impressa no dia 8 de março, uma matéria explica o avanço do funk em meio ao samba e a bossa nova — gêneros já conhecidos no exterior. 

Conforme matéria, "a trilha sonora suave do filme alimenta a imaginação dos estrangeiros sobre o Brasil como um país onde bandas de samba e bossa nova cantam canções jazzísticas em calçadões de areia. Mas essa imagem está desatualizada".

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O texto diz que os brasileiros modernos "preferem o sertanejo, um gênero country vibrante, e o funk, um estilo que surgiu nas favelas do Rio. O funk em particular pode se tornar global e mudar a marca do Brasil no processo", avalia. 

A publicação aponta anida que o sertanejo é o gênero mais ouvido nas rádios e plataformas de streaming brasileiras há uma década. "Sua ascensão reflete mudanças na economia do Brasil, que costumava ser baseada na indústria, mas agora é impulsionada pela agricultura".

Curiosamente, a The Economist cita que as músicas dos sertanejos trabalham temas como 'gado, cerveja e caminhonetes americanas'

Como fonte especializada, o jornal escutou Leo Morel, da Midia Research, uma empresa de pesquisa de mercado. Segundo ele, “a maioria dos produtores musicais no Brasil costumava ser baseada no Rio”, mas, à medida que a agricultura se tornou mais importante, “os estados rurais começaram a ganhar voz”.

Funk é mais exportado

Apesar do domínio local, o sertanejo tem pouco potencial de exportação, diz o especialista de mercado. "Poucos artistas se importam em se tornar globais", avaliou Morel.

O jornal escutou ainda nomes do cenário do funk como cantor Kevin o Chris e o produtor musical Papatinho.

"Eu costumava adicionar funk em pequenas quantidades, como um tempero, mas agora as pessoas querem o molho todo", declarou Papatinho que revelou ter enviado samples do gênero brasileiro para Timbaland e Snoop Dogg após ligações. 

Por fim, o jornal ainda fez um comparativo de nomes do passado com da atualidade. "Se os embaixadores musicais do Brasil costumavam ser gente como Gilberto Gil, hoje o mascote preferido é Anitta, uma artista de gêneros variados de um subúrbio pobre do Rio conhecida por suas prodigiosas habilidades de empurrar os quadris e "inúmeras" cirurgias plásticas".

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