São 355 quilômetros de Quixeramobim a Santana do Cariri. O sertão as une, o calor também. Mas um paralelismo sombrio nasceu recentemente entre estas duas cidades do interior do Ceará. Na primeira delas, no último Dia do Trabalhador (1º), uma mulher teve uma das mãos decepadas por foice. Os responsáveis foram o ex-namorado dela e o irmão dele. Por sua vez, há 85 anos, uma menina teve os dedos arrancados do corpo também, em Santana do Cariri, por motivos semelhantes. Motivos que a levaram à morte. 

Era Benigna Cardoso da Silva. A correspondência está longe de ser a única, e já não é mais novidade. O movimento é cruelmente reverso. O percentual de feminicídios entre homicídios dolosos femininos saltou de 9,4% em 2015 para 40,3% em 2024 no país, conforme dados da pesquisa Retratos dos Feminicídios no Brasil, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada em março deste ano. 

No levantamento, o Ceará surge como exemplo complexo. Se, por um lado, historicamente apresenta baixo percentual de registro de feminicídio entre os crimes de homicídio feminino, por outro é o Estado que mais revela falhas na forma de documentação dos casos. Seguem escondidos sob a rubrica do homicídio. Cenário intrincado, que muitas vezes impele mulheres a encontrar na fé algum horizonte de mudança. Qualquer vestígio de coragem e inspiração.

Na imagem, uma mulher caminha em direção à entrada do Santuário da Beata Benigna Cardoso da Silva. Ela usa um vestido vermelho com bolinhas brancas, semelhante ao traje icônico da Beata. A parede do santuário é feita de pedras rústicas sobrepostas. À esquerda, uma grande placa branca exibe o versículo bíblico de Mateus 16, 24-25 e o nome do santuário. À direita, no alto da parede, há um pequeno quadro com a imagem da Beata Benigna segurando flores.
Legenda: Romeira no Santuário da Beata Benigna Cardoso da Silva, em Santana do Cariri.
Foto: Fabiane de Paula.

Esta é a primeira reportagem do especial “Menina Milagreira”, no qual o Diário do Nordeste investiga a força da devoção à beata Benigna Cardoso da Silva 85 anos após o crime que a vitimou, e como esse fervor transforma a paisagem turística, econômica e cultural da cidade de Santana do Cariri. 

A fé, neste caso, é reforçada pelo exemplo, força e esperança que as pessoas buscam nas entidades ou santidades que cultuam. Nesse sentido, a morte de Benigna – embora ocorrida há mais de oito décadas causada por um homem que a desejava, mas não conseguiu devido à resistência dela – é um caso de violência refletido na sociedade atual.

"O número de feminicídios no Brasil cresce a cada hora, e o crime contra Benigna deve ser visto não só pelo viés da proteção da castidade, mas também como alerta no combate à violência contra a mulher”. Quem opina é Maria Aurislane Carneiro da Silva, mestra em Geografia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e professora da rede estadual no município de Itapajé.

Autora da dissertação “Paisagens devocionais do sagrado feminino: estratégias político-simbólicas na devoção à menina Benigna, em Santana do Cariri (CE)”, diz que o Ceará tem oportunidade de se destacar no combate ao feminicídio a partir do episódio envolvendo a beata.

“Desenvolver essa temática junto ao direcionamento religioso é fundamental para ampliar o alcance da conscientização social, especialmente entre públicos que muitas vezes não têm acesso constante a debates acadêmicos, jurídicos ou institucionais sobre violência de gênero”.
Maria Aurislane Carneiro da Silva
Mestra em Geografia e pesquisadora sobre Beata Benigna

A Santana do Cariri de Benigna Cardoso é prova viva. Em 25 de abril deste ano, o Diário do Nordeste esteve presente na inauguração do Complexo em devoção à menina beatificada pelo Vaticano em 2022 – primeira mulher cearense a conquistar o feito – e testemunhou o município reunir milhares de romeiras e romeiros em prol da reverência àquela que preferiu a morte às investidas de um homem. 

Mais de oito décadas depois, o vermelho do sangue derramado de um corpo infantil confunde-se com a cor do vestido pelo qual será sempre lembrada. Ecoa também em relatos dos mais profundos. Chamam-na de “santinha”

“Às vezes falo pro meu esposo: ‘Parece que tem homem que tem raiva de mulher’. Fazem tudo para nos maltratar e tirar nossa vida. Não sei por que acontece isso, mesmo que a gente tente fazer tudo certo... Mas a fé em minha santinha pode mudar isso. Só ela mesmo. Foi martirizada, assim como muitas mulheres hoje estão perdendo a própria vida por alguns homens. Homens que não merecem ter o nome de homem”, lamenta,  olhar baixo, a peregrina Marlene Pacífico, moradora do Crato.

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Legenda: Antônia Ferreira da Silva conta ter se curado do câncer por intercessão de Beata Benigna
Foto: Fabiane de Paula

“Me apeguei a ela, à minha menina santinha. Tive um câncer de mama e, em três meses, operei e fui curada. Pedi a ela que, se tudo desse certo, viria aqui pagar a promessa. Tô tomando remédio pros próximos cinco anos, mas já não tenho mais nada”, festeja, num canto próximo dali, Antônia Ferreira da Silva, cearense moradora de São Paulo há 50 anos.

Meninas, mulheres, idosas, um caleidoscópio de histórias e uma criança-beata-santa – seja do alto de um monumento de 26 metros, seja ao rés das orações em terço – com semblante disposto a acolher o que vem.

“A mensagem central de Benigna não deve ser apenas o sofrimento feminino, mas principalmente a valorização da mulher como sujeito de direitos, dignidade e proteção. Ela pode, assim, ser compreendida como símbolo de força, coragem e resistência diante da violência, ajudando muitas mulheres a perceberem que não precisam permanecer em relações abusivas”, defende a pesquisadora Maria Aurislane Carneiro.

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Diferentes gerações em prece à Benigna

Rápido passeio pelo município natal da mártir-criança comprova essa percepção. Mais: ajuda a compreender como a “santinha” chega, renovada, à experiência de mulheres de ontem, de hoje e de amanhã. A agricultora Auricélia Marques da Silva, 37, tem uma Benigna de carne e osso em casa. É a filha, que herdou o nome da beata devido a uma promessa feita para que a cirurgia cesariana desse certo e, na sequência, o processo de laqueadura.

Curiosamente, uma pequena correspondência com a história da menina milagreira motivou uma segunda promessa da mãe. “Minha filha colocou o dedo dentro do tanquinho de lavar roupa – enrolou numa blusa que estava dentro da máquina e, quando vi, já estava tudo ensanguentado. Levei ela 'prum' hospital do Crato e, quando chegou lá, o médico disse que o dedo foi necrosado. Talvez precisasse amputar a mãozinha”, recorda, emocionada.

Na imagem, close-up emocionante que captura o toque entre as mãos de um adulto e de uma criança. A mão do adulto, posicionada na parte superior, segura delicadamente os dedos da criança. A criança, vista de costas e levemente desfocada, tem cabelos longos e escuros e veste o traje tradicional de devoção à Beata Benigna: um vestido vermelho com estampa de bolinhas brancas. O fundo é composto por tons de verde e um céu claro, criando uma atmosfera suave e de cuidado.
Legenda: Em destaque, a mão de Maria Benigna Marques da Silva e a ausência do dedo anelar da menina, decepado em um acidente doméstico.
Foto: Fabiane de Paula.

“Me apeguei com Benigna e, quando entrei na sala de cirurgia, o médico disse que só ia precisar tirar a partezinha da parte necrosada, graças a Deus”. Com isso, agora Maria Benigna Marques da Silva, filha de Auricélia, comparecerá a todo evento de Santana do Cariri trajada com as mesmas vestes da beata – o incomparável vestido vermelho cravejado de bolinhas brancas. Serelepe, a menina parece refletir o cândido espírito de quem a inspirou o nome.

“Em toda romaria, vou com ela fazer o mesmo caminho que Benigna fazia pra buscar água. Essa água a gente pega da cacimba e leva pra casa. É água boa e santa. Por esses dias, eu tava com uma garrafinha cheia e, como minha filha está com problema de TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade], disse: ‘Mamãe, quem vai me curar é santa Benigna’. Todos os dias, então, ela toma essa aguinha e só quer beber dela. Tem cinco anos de idade, mas tudo dela é com Benigna”.

Quando pensa na forma como a beata foi morta, a fala da agricultora é clara: “Hoje em dia, nós, mulheres, temos que nos apegar mais à Benigna pra ver se acaba a violência no mundo. Homens estão nos matando por qualquer motivo. Antigamente era mais difícil, mas hoje parece que cada dia aumenta mais. Se todo mundo tiver uma fé que eu tenho, chegamos lá”.

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Na imagem, uma mulher e uma criança estão ajoelhadas no chão, ao lado de uma área gramada, cuidando de uma pequena muda de roseira com flores cor-de-rosa. A mulher, à esquerda, usa um chapéu de palha de abas largas, um vestido longo vermelho e segura um terço e uma pequena estampa religiosa. A criança, à direita, tem cabelos longos e cacheados com um laço rosa e veste o traje típico de devoto: um vestido vermelho com bolinhas brancas. Elas estão em um pátio de pedras claras, em um momento de aparente oração ou homenagem simbólica.
Legenda: Maria Benigna Marques da Silva herda nome da beata, e tem o mesmo gosto por sorrisos e flores
Foto: Fabiane de Paula

Um tipo de consciência que Bruna Sthefany Silva de Lima, aos 12, já tem. Feito a filha de Auricélia, a estudante também traja o mesmo vestido vermelho de bolinhas de Benigna. Parece formiguinha frente ao monumento em homenagem à beata, no alto de uma das colinas de Santana do Cariri. É devota desde os seis anos de idade, amor iniciado com os pais. 

“Minha mãe estava com um nódulo no seio, e foi curada. Pediu à Benigna e foi atendida. Tô aqui pra pagar a promessa em mais um ano”, conta. Acompanhada por um parente, ela compartilha que várias amigas da mesma idade – igualmente alunas do sétimo ano do Ensino Fundamental da escola onde estuda – não apenas seguem os passos de Benigna, como sabem que a jornada dela alerta para um maior cuidado com a vida, sobretudo sendo mulher.

“Isso nos deixa mais fortes, sabe? Todo dia oro a ela, pedindo saúde e proteção”. A súplica por segurança é justificada. Pesquisa “Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”, realizada em 2025 como parte do Projeto Elas, do Diário do Nordeste, aponta que 20% das pouco mais de 2.000 jovens e adultas entrevistadas pelo levantamento afirmaram que sofreram ou presenciaram violência de gênero no Ceará.

Na imagem, plano médio de uma menina adolescente com as mãos postas em sinal de oração. Ela tem cabelos longos e castanhos, usa uma presilha delicada e olha para cima com uma expressão de devoção e esperança. A jovem veste o traje característico da Beata Benigna: um vestido vermelho com estampa de bolinhas brancas e gola branca. O fundo mostra uma paisagem natural verdejante sob um céu claro, de forma suavemente desfocada.
Legenda: Aos 12 anos, Bruna Sthefany Silva de Lima cumpre promessa feita pela mãe.
Foto: Fabiane de Paula.

Além disso, números do estudo quantitativo mostram que apenas uma a cada 20 (ou seja, 5%) denunciou violência contra a mulher nos últimos 12 meses. Medo de represália e vingança, dependência emocional, dependência física, vergonha e constrangimento estão entre os principais fatores que as impediram de buscar autoridades – seja para reportar uma violência sofrida ou algum caso que presenciaram.

Enquanto pesquisadora da travessia de Benigna, Aurislane Carneiro considera que, a partir da história da beata, “torna-se possível reforçar a importância da denúncia, do rompimento do ciclo da violência e da necessidade de não culpabilizar a vítima”.

“Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por medo, dependência emocional, pressão social ou falta de apoio. Nesse contexto, símbolos religiosos de coragem e resistência podem funcionar como incentivo para que reconheçam a própria dignidade e procurem ajuda”, completa.

De igual modo, defende a importância de essa discussão acontecer por meio de linguagem “simples, acessível e próxima da realidade popular”, alcançando pessoas de diferentes níveis de escolaridade, idades e contextos sociais. “A devoção popular possui uma força cultural muito grande no Nordeste e pode se transformar em instrumento de orientação, acolhimento e proteção para mulheres que sofrem qualquer tipo de violência”.

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Possível canonização?

Não sem motivo, cabe explorar as facetas de Benigna para além do lugar-comum. Ela teve raiz humilde, originária do distrito de Inhumas, em Santana do Cariri. Filha de agricultores, nasceu em 15 de outubro de 1928, e ficou órfã de pai e mãe aos três anos de idade. Junto a três irmãos, foi adotada pelas filhas dos, também falecidos, donos das terras em que os pais trabalhavam. 

Na memória dos moradores de Inhumas, Benigna ficou registrada como uma jovem magrinha, de estatura média, olhos claros e cabelos escuros, “muito estudiosa, simpática e católica desde o batismo”. Cuidava dos afazeres domésticos, dos irmãos e dos amigos ao redor. Foi na escola o primeiro contato com o futuro algoz. 

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Legenda: Para muitos devotos, face a tantas representações de devoção, Benigna Cardoso da Silva já é santa.
Foto: Fabiane de Paula.

Raul Alves Ribeiro estudava na mesma sala de aula dela. Dessa convivência surgiu o interesse obsessivo dele. Em 24 de outubro de 1941, o jovem perseguiu Benigna a caminho da cacimba de onde ela tirava água para consumo familiar, e a assediou sexualmente. Na resistência contra o agressor, a menina foi golpeada várias vezes com facão e veio a falecer no local. Devido às marcas de luta e ao fato de não ter havido estupro, Benigna, aos 13 anos de idade, foi considerada Heroína da Castidade. 

O primeiro registro deste adjetivo foi feito pelo Padre Cristiano Coelho no livro dos batismos da Paróquia de Santana do Cariri ao reafirmar o martírio pela castidade. Embora esse termo não fosse utilizado na época, pode-se evidenciar a ocorrência de um feminicídio, pois a vida de Benigna foi rompida pelas vontades de um homem apenas por ser mulher. 

Para além da trágica morte, os traços de bondade, dedicação e religiosidade católica consolidaram no imaginário popular uma figura santa. No local do sepultamento, próximo à atual igreja de Inhumas, começaram a aparecer ex-votos: cabeças, mãos, braços, pedras empilhadas, elementos simbólicos de agradecimento pelas graças alcançadas. Antes mesmo de ser reconhecida pela Igreja católica, Benigna já era considerada santa popular pela comunidade local.

Na imagem, fotografia em close-up, tirada de costas e levemente de perfil, de uma senhora idosa com cabelos brancos presos em um coque elegante, fixado com um grampo azul. Ela está sentada em um banco de madeira de uma igreja, vestindo uma blusa vermelha com estampa de bolinhas brancas e gola boneca, em homenagem à vestimenta da Beata Benigna Cardoso. Ao fundo, de forma desfocada, aparecem outros fiéis sentados nos bancos, criando uma atmosfera de devoção e respeito. A iluminação é suave, destacando a textura do cabelo e o contraste das cores da roupa.
Legenda: História de bravura e resistência de Benigna inspira a fé de mulheres Ceará adentro.
Foto: Fabiane de Paula.

Percebendo a importância de Benigna para a comunidade, duas figuras comunitárias foram fundamentais na constituição devocional da santa popular, conforme Maria Aurislane da Silva: o professor e historiador Raimundo Sandro Cidrão, original de Santana do Cariri; e Ary Gomes do Nascimento, ex-vereador de Natal e natural de Ipanguaçu-RN. 

“Cidrão, apaixonado pela história da cidade, acumulou na própria residência inúmeros elementos culturais, históricos e simbólicos do município. A partir desse acervo, Ary Gomes, amigo próximo de Cidrão, destacou a relevância da santidade popular de Benigna e iniciou o processo de consolidação religiosa da menina em Santana do Cariri”.
Maria Aurislane Carneiro da Silva
Mestra em Geografia e pesquisadora sobre Beata Benigna

Foram eles também que organizaram a primeira missa, as primeiras romarias, o primeiro retrato falado – uma vez que a menina não possuía registro fotográfico oficial – a construção comunitária da primeira capela, bem como escreveram sobre alguns símbolos, a exemplo do vestido vermelho de bolinhas brancas, a água da cacimba, a cruz no local de morte, o pote de barro, a relação com a castidade e foram em busca do reconhecimento da Igreja Católica.

“Apenas na oitava romaria de Benigna realizada em 2010, quando o bispo diocesano Dom Fernando Panico visitou o pequeno santuário da menina, que esse reconhecimento foi possível devido ao encantamento do bispo com o engajamento, a fé e a animação da população”. Um ano depois, o mesmo sacerdote, enxergando potencial na romaria, anunciou o processo de beatificação. 

Nas considerações, enfatizou o fato que levou a morte da menina o associando a um ato de “escolha pelos preceitos divinos”, independentemente das consequências, por isso, já foi considerada uma Mártir da pureza, uma Heroína da Castidade.

Na imagem, close-focado nas mãos entrelaçadas de uma senhora idosa em oração. Ela segura um terço de contas brancas com um pequeno crucifixo pendurado. A mulher veste um vestido vermelho vibrante com estampa de bolas brancas (poá). Ao fundo, de forma desfocada, aparecem outras pessoas sentadas em um banco, sugerindo um ambiente de celebração religiosa ou devoção.
Legenda: Para pesquisadora, Ceará e Brasil têm muito a ganhar com a associação entre fé, conscientização social e valorização cultural.
Foto: Fabiane de Paula.

Segundo Aurislane, “a beatificação é um processo longo e criterioso; exige que a comissão responsável acumule provas que a pessoa em questão existiu, teve boas atitudes em vida e conexão direta com a Igreja católica”. 

Além disso, são duas as formas de ser direcionado para esse processo: o martírio e o milagre. No martírio, há um sacrifício, um derramamento de sangue pela fé, como o caso de Benigna. Já pelo milagre, é necessário a comprovação de algo extraordinário pela comissão científica e teológica. Nesse sentido, ao acumular fiéis nacionalmente e com uma narrativa bem estruturada desde o surgimento popular, é justificável o título de Beata a Benigna em 2022. 

“Vale ressaltar que esse título é fundamental para a divulgação devocional dela, pois a beatificação autoriza o culto a Benigna nos espaços religiosos oficiais, possibilitando o surgimento de milagres e uma possível canonização no futuro”, considera Aurislane.

E arremata: “O Ceará e o Brasil têm muito a ganhar com a associação entre fé, conscientização social e valorização cultural. Economicamente, o turismo religioso pode fortalecer o comércio, gerar empregos e ampliar investimentos em infraestrutura. Socialmente, a divulgação da história de Benigna pode contribuir para conscientizar a população sobre a gravidade da violência contra as mulheres. Culturalmente, o país fortalece e divulga internacionalmente as próprias tradições religiosas, identidade nordestina e riqueza histórica do Cariri cearense”. 

 

> Na segunda reportagem do especial “Menina Milagreira”, irmã adotiva de Benigna Cardoso da Silva compartilha detalhes sobre vivência com a beata, enquanto reflete sobre o processo de reconstituição do rosto anônimo dela