Produtor de cinema cearense Luiz Carlos Barreto morre aos 98 anos

Nascido em Sobral, Barretão, como era conhecido, fundou produtora responsável por clássicos da filmografia brasileira e do Cinema Novo

Escrito por João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
22 de Julho de 2026 - 11:03 (Atualizado às 17:02, em 23 de Julho de 2026)
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Legenda: Luiz Carlos Barreto nasceu em Sobral em 20 de maio de 1928 e se tornou um dos principais nomes do cinema brasileiro.
Foto: Jeny Sousa / Secult Ceará / Divulgação.

O produtor de cinema, diretor e fotógrafo cearense Luiz Carlos Barreto, um dos principais nomes do cinema brasileiro, morreu na madrugada desta quarta-feira (22) aos 98 anos.

Barretão, como era conhecido, estava internado em um hospital no Rio de Janeiro, onde morava, desde a última terça. As informações do jornal O Globo

Entre os principais trabalhos produzidos por Luiz Carlos Barreto, estão "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976) e "A Dama do Lotação" (1978) — que estão no top 10 das maiores bilheterias do cinema nacional —, e os indicados ao Oscar "O Quatrilho" (1995) e "O Que é Isso, Companheiro?" (1997).

Ao longo dos anos, o produtor recebeu as mais importantes homenagens em reconhecimento ao trabalho. Em 1994, ele foi laureado com o troféu Sereia de Ouro, entregue pelo Grupo Edson Queiroz. Já em 2024, Barretão foi condecorado com a Medalha da Abolição, do Governo do Ceará.

Fac-símile de matéria sobre a entrega do Sereia de Ouro que contemplou o cineasta Luiz Carlos Barreto.
Legenda: Fac-símile de matéria sobre a entrega do Sereia de Ouro que contemplou o cineasta Luiz Carlos Barreto.
Foto: Acervo Diário do Nordeste.

Trajetória no cinema brasileiro desde os anos 1960

Nascido em Sobral em 20 de maio de 1928, Luiz Carlos Barreto viveu no Ceará até 1947, quando se mudou para o Rio. Na capital fluminense, ele trabalhou como jornalista e fotógrafo nos anos 1950,

A partir dos anos 1960, ele passou a construir carreira longa e relevante para a história do cinema brasileiro, atuando principalmente como produtor.

Obras centrais da filmografia nacional como “Vidas Secas” (1963), de Nelson Rodrigues dos Santos, e “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, foram produzidas pelo cearense.

Nos dois filmes citados, Barretão ainda teve créditos como diretor de fotografia. No cinema, ele também assinou a direção do documentário "Isto É Pelé" (1974) e as histórias dos clássicos "O Assalto ao Trem Pagador" (1962) e "Garrincha - Alegria do Povo" (1962), além da de "Casa de Areia" (2005).

Ao lado da esposa, Lucy Barreto, o cearense fundou em 1963 a L. C. Barreto, que se consolidou como uma das principais produtoras cinematográficas brasileiras. O catálogo da empresa inclui mais de 150 filmes.

A família construída pelo casal também enveredou pelo cinema. Os filhos Bruno e Fábio Barreto (1957-2019) se tornaram diretores, enquanto Paula Barreto também atua como produtora.

Homenagem recente no Ceará

Em março de 2024, Luiz Carlos Barreto recebeu uma série de homenagens no Ceará. Além da Medalha da Abolição, ele também participou de agenda especial alusiva aos 60 anos de contribuções ao audiovisual brasileiro

O produtor esteve em uma fala pública no Museu da Imagem e do Som do Ceará, ao lado do cineasta Rosemberg Cariry

A programação incluiu um evento celebrativo com a presença de Barretão e Lucy Barreto no Cineteatro São Luiz. A L. C. Barreto e o casal foram agraciados com o Troféu Eusélio Oliveira, concedido pelo Cine Ceará.

O São Luiz também realizou mostra especial com filmes da produtora no período.

Repercussões no Estado e no Brasil

A morte de Luiz Carlos Barreto foi lamentada por diferentes nomes cearenses e nacionais. O presidente Lula decretou luto oficial de três dias e, nas redes sociais, escreveu que o "cinema brasileiro deve muito" ao cearense. 

"Seu amor pelo Brasil, seu talento e, sobretudo, seu espírito inquieto o transformaram no mais importante produtor do cinema nacional nos últimos cinquenta anos", afirmou.

O Ceará também decretou luto oficial de três dias pela morte de Barretão, como o governador Elmano Freitas informou nas redes.

Em postagem, o gestor afirmou que "o Ceará se despede de um de seus filhos mais brilhantes". O produtor foi definido por Elmano como "um homem que fez do cinema um instrumento para revelar o Brasil ao mundo".

Ao Diário do Nordeste, a secretária da Cultura do Ceará Gecíola Fonseca ecoou o caráter global da carreira de Luiz Carlos. "Do Cinema Novo ao Oscar, desbravou o Brasil profundo e levou a alma de nossa gente para o mercado internacional".

“Seu olhar, sensibilidade e pioneirismo transformaram o cinema moderno como conhecemos hoje. Com atuação como fotógrafo, diretor, roteirista, produtor, distribuidor e incentivador de políticas públicas, o ícone nos deixa mais de 150 produções com identidade cultural e social ímpar", destacou a gestora.

"Nesse dia de profundo pesar e merecidas celebrações, refletimos que o atual momento do cinema cearense inspira-se na caminhada escrita pelo ícone para o Ceará, o Brasil e o mundo. O espírito cearense, sobralense e nordestino segue imortalizado em cada emoção que só a sétima arte nos entrega. Um viva à eterna luz de Luiz Carlos Barreto".
Gecíola Fonseca
secretária da Cultura do Ceará