Após chuvas e destruição, Governo da Paraíba decreta estado de calamidade pública

Medida autoriza uma série de ações emergenciais, incluindo dispensa de licitação em diversas contratações.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 12:56)
Legenda: O anúncio foi feito nessa sexta-feira (1º) pelo governador Lucas Ribeiro, durante visita ao município de Ingá.
Foto: Divulgação/Governo da Paraíba.

As fortes chuvas que atingem a Paraíba desde quinta-feira (30) provocaram alagamentos, destruição de estruturas e deixaram cidades em situação crítica, motivando o governo estadual a anunciar decreto de calamidade pública. Os impactos são mais severos em municípios do Agreste, Zona da Mata e Litoral. As informações são do g1.

O anúncio foi feito nessa sexta-feira (1º) pelo governador Lucas Ribeiro, durante visita ao município de Ingá, onde uma ponte sofreu rompimento parcial após o transbordamento do rio que corta a Cidade.

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Acompanhado por equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e do Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB), o governador percorreu cidades como Pilar, Itabaiana, Mogeiro, Ingá e São José dos Ramos para avaliar os danos.

"O que vimos nas cidades exige sensibilidade e urgência. Por isso, nosso foco é reduzir os transtornos, garantir assistência imediata e restabelecer, o quanto antes, as condições de mobilidade e segurança. Já determinamos medidas emergenciais, como a edição de um decreto de calamidade pública para viabilizar intervenções rápidas", afirmou à imprensa na ocasião.

O decreto estabelece situação de emergência em todo o estado por 180 dias e autoriza uma série de ações emergenciais, incluindo dispensa de licitação para contratação de serviços e obras, execução de intervenções para contenção de erosões e assistência direta às famílias atingidas.

Também está prevista a mobilização de recursos técnicos e operacionais de órgãos estaduais, sob coordenação da Defesa Civil e da Secretaria de Desenvolvimento Humano.

Situação das chuvas na Paraíba

Em Ingá, um dos cenários mais críticos, o volume de chuvas ultrapassou 108 milímetros em apenas 24 horas, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

O excesso de água fez o rio transbordar e comprometeu a principal ponte da Cidade, que liga dois lados do município. Parte da estrutura cedeu, gerando uma grande fissura no asfalto e risco de colapso total.

No momento do rompimento, um homem caiu no rio e chegou a ser arrastado pela correnteza, mas foi resgatado com vida.

Por segurança, a ponte foi interditada para veículos, sendo liberada apenas para travessia de pedestres com autorização da Defesa Civil. A medida deixou uma área da cidade isolada, onde está localizada a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), dificultando o acesso a serviços de saúde.

Outros municípios também registraram danos significativos. Em Itatuba, uma casa desabou, embora não haja confirmação de feridos até o momento.

Na zona rural de Lagoa Seca, o rompimento de uma barragem de médio porte e de pequenos barreiros provocou destruição. Uma pessoa precisou ser resgatada após ter a casa atingida pela água.

“Tivemos o rompimento de algumas barragens e pequenos barreiros causando prejuízo e conseguimos resgatar uma pessoa que teve sua casa atingida, com sua integridade física intacta, mas os bens materiais foram todos levados, sendo casa, os móveis, a cisterna dele. Muita destruição”, relatou George Neemias, coordenador da Defesa Civil do município.

A vítima foi encaminhada para a residência de familiares e passa bem, apesar das perdas materiais.

As chuvas também afetaram a infraestrutura rodoviária. Na PB-032, principal acesso a Pedras de Fogo, uma cratera que já havia se formado se agravou, levando à interdição total da via.

Segundo o DER-PB, o trecho já estava parcialmente bloqueado desde o início da semana, mas o agravamento provocado pelas chuvas inviabilizou inclusive o desvio provisório, que deixou de ser recomendado.

Outras rodovias também apresentam danos, como a PB-054, entre Itabaiana e a BR-230, e a PB-066, em Ingá, onde houve comprometimento de estruturas de pontes.

Na capital João Pessoa, o acumulado de chuvas chegou a 134,6 milímetros em 24 horas, conforme dados da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), com registros elevados em bairros como Altiplano, Grotão e Cristo.

Os transtornos na capital incluem alagamentos e protestos de moradores, como no bairro Muçumagro, onde a população cobra melhorias na infraestrutura para evitar novos episódios de enchentes.

De acordo com a Aesa, cidades como Alhandra, Pilar e São José dos Ramos registraram volumes recordes de chuva, superando índices observados nas últimas três décadas.

Diante do cenário, mais de 60 bombeiros militares estão mobilizados nas áreas mais atingidas, com um posto de comando instalado em Itabaiana para coordenar as ações de resposta.

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